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Minha última mulher

sábado, 27 de agosto de 2016.
Quando a minha última dama chegar
vai me encontrar alerta
armada de mil argumentos
disposta a não mais amar...

A porta semi-aberta,
mas com placa de 'Não Perturbar'.
vai fazer uma reverência lenta
respeitando as dores do meu coração,
mas vai ignorar o aviso
e usando como chave um sorriso
invadir meu jardim
e fechar por dentro o portão.

Vai espreitar pela janela
uma leve batida para não me assustar
vai sentar-se à varanda
e perder-se a me olhar.

Vai fazer-se de “velha amiga”
embaralhar suas memórias, como se fossem comigo
aceitar um café e oferecer-se para ir buscar.

Quando minha última dona chegar
aquecendo a vida entre os dedos
perguntando porquê antes de nós
passaram-se tantos dias assim
vai roubar para ela meus segredos
e entregar os dela pra mim.

Vamos falar primeiro das flores,
da época de poda do roseiral
dos espinhos, passaremos às dores
e entre impossíveis e risíveis amores
ela vai me contar das afrontas
das mulheres que se diziam prontas...
mas que a vida tratou de medrar.

Vai me falar em especial sobre uma delas
aqueles casos que não têm porquê acabar
talvez só para eu ficar sabendo
que o coração que agora me cabe
já foi capaz de muito amar...

Vai respeitar meu silêncio enquanto penso
no que ela pode ser melhor que eu
e antes que eu me desmereça
vai pousar um olhar no meu medo
pintar nos meus olhos um futuro distante
fazer-se una, até perder de vista
até fazer sumir do foco
todos os que já vieram antes, pois :
- Em cada amor, meu amor, as coisas são diferentes.

E em meio a ervas daninhas
Vai arrancar lágrimas que eram só minhas
mas que ela promete nunca mais deixar brotar.

Quando minha última amazona chegar
Vai me embalar nas suas histórias
vai puxar pra perto minha cadeira
e feita criado-mudo na cabeceira
me dar seus sonhos pra eu guardar.

Vai trazer no bolso uma flor
dessas do campo, que se dá sem ninguém cuidar
emaranhá-la nos meus cachos
chegar perto para um cheiro
 inundar-me os ouvidos com seus passos
dizer - Porque sim, isto de amor
acha que não tem que explicar.

Antes que minha última rainha me beije
fará das palavras dedos longos
a percorrer-me os contornos
eriçar-me os entornos
pedindo para eu nada dizer.

Quando esta “Mulher” tomar-me as mãos entre as suas
eu vou esquecer o cansaço
de ter estado a procurar
E por todos os outros rostos que beijei 
por todos os prazeres que lhes dei
só vou me sentir agradecida
por nada terem feito
a não ser me preparar.

Minha última chama terá assim um olhar
daqueles que eu não consigo desviar
rirá de mim, por mim, comigo, de si
encherá meu mundo de um riso sem motivo
estas coisas bobas de tão boas
que fica só entre os amantes
e ninguém tem coragem de contar.

Esse meu último Dharma
trará velas e incensos
e perguntará que disco eu tenho, pra combinar
encherá o ar de suspiros amiúde
dançará comigo, instigando meu querer urgente
deixando o corpo afastado e rente
a brincar com meu desejo
no anticlímax de me entregar.

E só então vai me dar um beijo
lento, longo, possesso, posseiro
e daí pra frente eu não responderei por mim...
Só lembrarei ela fazendo um carinho
apertando meu biquinho
colocando a mão pra esquentar.

Minha última Mãe,
Não me dará direito a frescores
manterá em brasa meus pudores
vai me enlouquecer, fazer pedir, gritar.

Quando esta “Alma” me despir
contemplará minhas imperfeições
achando as coisas mais lindas de se olhar
brincará com meu corpo nu...
Mandará buscar nos meus sonhos infantis
as fábulas, os contos, os encantos
e todos os sonhos a que faço jus.

O que esta Imã quer de mim?
é a centelha,
menina faceira
cabocla trigueira
gueixa submissa
dama da corte
fêmea felina
fera assassina,
dançarina única do harém,
maestrina da Noite...
imponente no açoite,
potente na Carne e na Fonte...

Com a fronte erguida o fogo consome...
faria tudo novamente se possível...
toquei e vi o invisível...
arranquei o véu...
e vi a face ardor do fogo no céu!

E o que eu mais quero?
É em mim, o que ela quer também:
Eu sempre junto a ela, como sua única e última "Phi-lia".
Imagem à Semelhança..."jamais rastejem".

- Ana Maria Gonçalves

*No corpo do texto publicado acima foi realizada algumas alterações, inclusive o título que foi mudado de "Meu último homem" para a "Minha última mulher". 

Foi com tais alterações que eu o encontrei publicado na internet. Esta nova versão do texto me agradou bastante e agora compartilho-a convosco. 

Eis o link de uma postagem onde o texto em sua versão original foi publicado:

http://www.docelimao.com.br/site/sindromes-do-feminino/417-meu-ultimo-homem.html/
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E tu que me tentas enormemente

quinta-feira, 25 de agosto de 2016.
Tu me tentas enormemente, pois, não consigo me livrar desta tua sedução, vives a todo o momento dentro da minha mente, faz tempo, oh, meu amor, que te tornastes o meu doce tormento.

Meu corpo sem vestes se tornou o teu brinquedo favorito, afinal fazes com ele o que bem desejas. Ouvindo-me falar desta maneira, pode te parecer que eu estou a me queixar, mas, não te deixes se enganar por uma falsa impressão querida, em verdade, em verdade te digo: amo ser tocado deste modo, assim, tão sensual por ti.
Então, permito com que me beijes com dulcíssima luxúria e me mordisques com paixão incontida, apenas deste jeito consegues levar-me a loucura dos sentidos e ao êxtase carmim de Dionísio.

Teus braços de deusa do amor têm guardados em si, os seus abraços calorosos que se tornam um bálsamo pleno em prazer para a minha'alma.  Dos teus dedos com seu toque, jorram ondas de tamanho deleite sobre a minha pele, que me contorço de exorbitante contentamento.  Tudo isto que me trazes, ah, minha belíssima donzela, só fazes com que eu me apaixone minuto a minuto por ti.

Quando o meu corpo está estendido no leito dos teus favores amorosos, eis que este clama pelo passear de tua língua sobre a sua tez. E quando isto ocorre, uma eletricidade orgástica o perpassa de alto a baixo, logo, gemidos de alta tensão obscena escapam dos meus lábios, meus olhos se reviram em dentro de suas órbitas, me vem à nítida sensação que não suportarei tal delícia sensualíssima impressa em meu ser.

Sem poder me controlar direito levado por tais emoções libidinosas, bebo até a última gota do vinho inebriante dos teus prazeres, e faço isto, tomando-o diretamente do odre de tua boca, através dos teus ósculos vermelhos de divindade devassa.   

É navegando na embarcação dionisíaca do teu corpo nu, que, chego sempre a naufragar no mar revolto dos teus orgasmos fervescentes.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS 
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Excertos de Sagrado feminino: a nova moda.

terça-feira, 23 de agosto de 2016.
"Sinceramente, tenho alergia às modas e clichê".

Para mim o sagrado feminino existe somente em quem assume o fardo do ser mulher e do ser mulher livre. Livre da opinião alheia, livre da benção do grupo, livre da chantagem econômica que maridos e pais impõem, livre do jugo afetivo que a família impõe, livre da necessidade de ser aprovada por um homem, livre de se vender e “prostituir” para agradar, fazer parte, ter dinheiro, status, aplauso.

Você não encontrará o “sagrado feminino” num workshop com fogueiras e cantos, danças e pinturas. O feminino sagrado é a Deusa em você, é Deus ao feminino em você que exige seu compromisso e sua lealdade. É começar a reconhecer como sagrada sua voz interior, começar a se ouvir, começar a deixar as tramoias de lado e ser honesta, transparente, impiedosamente transparente consigo mesma.

O sagrado de seu feminino aparece quando você para de esconder sua feminidade que obviamente não se resume na sessão ao cabeleireiro e à academia. A deusa em você está na sua exigência de ser mãe com dignidade, mas também no parar de ser mãe que produz filhos concretos para produzir filhos espirituais, parir novos mundos para si e a humanidade.

O sagrado feminino aparece quando você se recusa a fazer o jogo do sistema capitalista que escraviza mulheres e homens, mães, crianças, pais, natureza, animais, e que para se sustentar exige que cada um amordace sua sensibilidade, sua beleza interior sua delicadeza.

Você dá voz ao feminino sagrado quando não vive em função do lucro, quando coloca as relações e o amor acima do lucro sem, entretanto se prejudicar porque precisa viver e viver saudavelmente para poder amar mais e melhor.

           O sagrado feminino é quando você consegue amar o outro a partir do amor que tem por si mesma, quando você se permite ser tocada lá no fundo pelo outro para assim de verdade compreendê-lo, sentindo de dentro e estando juntos de verdade. O sagrado feminino encara o desafio de como é que isso pode acontecer, sem receitas! Sem receitas, sem gurus. Você aprendendo a andar sobre suas próprias pernas.
 “A deusa agradece. "

          “ Vivemos numa sociedade altamente machista não só de homens como de mulheres machista (as piores). O machismo das mulheres vêm às claras no olhar desaprovador que lançam contra outras mulheres que ousam o que elas não tem coragem de fazer, ou que dizem o que elas não tem coragem de dizer, ou que peitam o grupo (feminino, pasmem!) em nome de sua independência de pensamento e autonomia de comportamento. O machismo das mulheres está na competição desregrada e venenosa que travam contra outras mulheres."  

         "Cadê a deusa em você? Agora, nesse momento? Cadê ela? No workshop que irá fazer nesse fim de semana? Ah... certo. Quero ver onde está o sagrado feminino na sua relação, no seu trabalho, entre você e suas amigas, entre você e a causa social que atende, entre você e seu chefe e sobretudo, entre você e os valores que de fato diariamente norteiam sua vida, suas escolhas, suas prioridades."


          - Adriana Tanese Nogueira

   Link original da postagem que possui o texto na íntegra:

   http://goo.gl/CuOzsn           
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Beijos ciganos

segunda-feira, 22 de agosto de 2016.
Teus beijos acendem em meu seio a erupção de um vulcão de sensações incontroláveis.  Meus lábios se entregam aos teus como amantes dementes, submissos ao toque deles.  E eu só sei te querer aqui e agora sem pensar por um segundo sequer no amanhã.

Teus ósculos de bela Afrodite me conduzem aos braços das ninfas do amor, quando eu os sinto, dentro do meu coração se materializa um paraíso de delícias indescritíveis.  

Teu sorriso sempre me acompanha onde meus pés podem me levar, sendo assim, minha mente jamais consegue esquecer-te.  Tu habitas no âmago dos meus mais secretos sonhos, lá me perco de forma irremediável em ti.

Meu espírito quando se encontra longe do teu; sangra rios de saudades, se esvai em clamores e choros desesperados, isto faz com que todo o meu ser te busque a cada fração de segundo do dia.  Tu sabes como me enlouquecer com tuas sanhas vertiginosas e com as tuas taras vermelhas, apenas, as tuas mãos de jovem cigana conseguem colocar sabiamente sob a mesa, as cartas mágicas deste jogo chamado amor.

Durante a noite é o meu tato que de forma ávida busca a perfeição do teu corpo nu, e de manhã é a minha boca que procura despertar-te para um novo enlace de sedenta entrega carnal.  Tu, oh, garota dos feitiços sagrados e devota de Santa Sara Kali, saiba que, as minhas pernas são viciadas em dançar a tua coreografia de sutilezas sensuais.

A carroça estacionada juntamente com as outras formando o acampamento cigano é o templo dionisíaco dos nossos conluios apaixonantes.  E é neste templo que descortino paulatinamente através dos meus sentidos, a visão da glória sensualíssima desta deusa profana que tu és; senhora encantadora dos meus sentimentos abissais.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS


A foto que ilustra o texto publicado acima ficou famosamente conhecida como “The Kiss” – (o beijo). O jovem casal retratado na referida foto é formado pelo lendário cantor Elvis Presley – West Tupelo, 8 de janeiro de 1935 – Memphis, 16 de agosto de 1977, e por Barbara Gray.  O beijo sensual foi eternizado pela lente do fotógrafo Alfred Wertheimer numa noite de junho de 1956, Elvis tinha apenas 21 anos e estava em início de carreira.

Por anos, The Kiss foi considerada uma foto misteriosa pelo simples fato de que ninguém, nem o fotógrafo e muito menos Elvis, sabiam de fato quem era a jovem e bela mulher que nela aparece beijando o rei do rock. Esta imagem da mais pura sensualidade viajou o mundo através do tempo sendo republicada em várias formas de mídia existente, fazendo parte até de exposições.

Atualmente o mistério acabou quando a própria Barbara resolveu se revelar ao mundo como a moça retratada na foto ao lado de Elvis. 
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TEXTOS E CRÔNICAS DO ANJO DAS LETRAS. © Copyright 2007 - 2016 | Design By Gothic Darkness | Editado por Lizza Bathory