quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Cléo

O que há por detrás dos áureos fios lisos de tuas madeixas? Será apenas uma beleza solar ou tão somente pura poesia lunar? Qual o significado desta expressão tão marcante em tua face, que me parece navegar por devaneios tão sublimes?

Tens a beleza de uma ninfa afroditiana, e sei, também, que em ti habita o espírito eterno das fadas. Às vezes, desejo entender as metáforas do teu versejar, mas, tudo que encontro é o dulcíssimo mistério dos deuses, que tornam a tua linguagem lírica tão hermética, quem sabe por eu ter muito ainda a aprender.

Desde quando os anjos decidiram residir contigo? Sabe, não é de hoje que eu percebo isto, mas, a tua presença enche de luz solar os espaços em que adentras! Conta-me, agora, a partir de qual nota musical foi criado o teu melodioso nome? Revela-me, sem pestanejar, os segredos mais inebriantes de tua alma enluarada.

Em tuas veias correm o sangue de deusas lunares, tatuaste em tua pele branca e macia a palavra “poesia”, e, para isto, usaste o fogo e o metal lucilantes de Hefesto. Em tua volta, Dionísio e as suas bacantes dançam, levados pela música do delírio místico, eis que bebes seu vinho, de graça e êxtase divinais.

Tu mesma és deusa e sacerdotisa, tu mesma crias com tua vontade poderosa egrégoras que trazem em si o mais puro lirismo poético, não é a toa que tua mentora espiritual é a própria Sapho de Lesbos. O mesmo deus devorador que consumiu Rimbaud por toda a sua vida, desde que tu nasceste, anda em teu encalço! Para mim tu representas Lilith e Circe, fortalezas divinas e arquetípicas que nutrem de independência e liberdade as mulheres que explodem a dureza de nosso tempo.

Em tua boca, encontro o abismo de beijos que nunca me foram prometidos, da ponta de tua língua vermelha me vêm bênçãos que podem bem fazer a minh’alma perder-se.  De dentro do teu seio, ouço ecoar os orgasmos nunca antes revelados de Homero. Porque, oh, escriba de inspirações apolíneas, tu insistes em atormentar o meu juízo de poeta imerso em mundos distantes? Por acaso, não te é possível enxergar gravada em minha anima o sinal da lua crescente de Selene, a quem os romanos veneravam como Luna?

Em teu umbigo e à volta, teias erótico-míticas escravizaram peregrinos, enlouquecidos pela tentação de teu cálice aracnídeo. Em teu corpo e espírito, ocultas e mostras paraísos de torres douradas, de oceanos tempestuosos, onde jazem as almas dos navegantes, trespassados pelo teu tecer de desejos e canto de sereia; ah, quão incautas tais almas foram.

É do chifre que carregas em tuas mãos, que me vêm o óleo beatífico procedente da árvore de Gaia, para ungir minha profanidade e sacralidade mais profanas.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Paixão-lunar

Beijo-te as mãos, movida por um amor sincero, entrego-me a ti de forma desmedida, pois, não há temores em meu coração; quero amar e ser amada loucamente!

Beijo-te a alma nua com meus lábios de deusa lunar, provoco-te a embriaguez com o vinho dos meus carinhos, deixo-te tonto com as palavras doces que te sussurro aos ouvidos. Sou para ti o que a luz é para os olhos do peregrino noctívago, sou o doce em tua língua, e a paz que te assalta o peito em dias de guerra interior.

Caminho ao teu lado alegremente e não censuro fantasia alguma que tenhas e faças sobre meu corpo. Não te esqueças que sou tua Afrodite, a aquecer-te o corpo nos períodos de noites frias! Faço-me teu anjo guardião quando lágrimas de dor rolam-te as maçãs vermelhas das faces.

Em cima do nosso leito de delírios carnais, te ofereço o banquete de minha pele macia e quente, para que tu, e, apenas tu, te sirvas plenamente dela. Em meio aos lençóis brancos e perfumados desta nossa cama, te revelo todo o tremor, que se faz escravo de tua virilidade, que se apossa de minhas terras prazerosas, e, deste modo, deixo-te a certeza que só tu tens meus toques excitantes e carícias selvagens.

Adoro mergulhar no oceano do teu suor os marinhos maremotos do meu, misturando nossos cheiros lascivos, sonorizando nossas narinas com a loucura de um só cio delirante e primitivo.

Uma só noite se torna muito pouco para nós, afinal, somos amantes latinos que têm em suas veias o magma que escorre das entranhas de um furioso vulcão em plena atividade eruptiva.

Sempre hei de guardar bem dentro de mim estes momentos tão prazerosos que passamos juntos, tendo como única testemunha a lua nova, que, do alto do céu estrelado, nos observa silenciosa através da janela aberta do nosso espaço secreto!


- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS. 

Revisão textual e leitura crítica realizada por Natanael de Alencar. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Tua boca de sublimes delícias

Tua boca é tudo que eu desejo, em beijos lascivos, com gosto de êxtase, sim, o mais autêntico êxtase! Teus lábios, umedecidos juntos aos meus, me transmitem um prazer subversivo, uma verdadeira tempestade de emoções.

Tua boca vermelha, de fera selvagem e fêmea atraente, me devoram em mordiscadas que arrepiam a minha pele e fazem meu sangue ferver, vulcanicamente. Tua língua, em excitação de papilas, desavergonhada, lambe-me todo o corpo, me convidando a dançar nos bosques do prazer absoluto.

Tua boca me é um convite a visitar os palácios do regozijo sensual, onde descubro fontes de alegrias inenarráveis. Ao toque da tua boca, há um chamamento tal, que atrai à terra todas as magias estelares do universo.

Tua boca não é qualquer boca, pois, pertence à mulher que eu desejo com cada fibra do meu ser, aquela que é a SENHORA absoluta de meus corpo e alma, e que é a única capaz de me tornar um homem mais pleno. Apenas tu, oh amada, consegues realizar de forma satisfatória todas as minhas fantasias.

Tu és o meu segredo mais bonito, minha esfinge de doces enigmas, que, com sua boca exuberantemente deliciosa, me amolece a curiosidade e faz demorar um pouco mais o desejo de decifrar-te.

Que tua boca sempre me abençoe, passeando em cada curva e contorno da minha estrutura corporal, que, na linguagem do tremor sensual, confessa que apenas a ti se submete!

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.


Revisão textual e análise crítica de Natanael de Alencar. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O reencontro com o desejo

Em ti encontrei todo o meu desejo, que zanzava perdido, até o dia em que te contemplei pela primeira vez, quando enxerguei em ti o mais bonito raiar do sol de toda a minha vida. Meu coração, deste modo, se rendeu à tua beleza de rainha egípcia, as comportas da paixão foram abertas sobre mim, e banhei-me em tuas águas vermelhas e, assim, pude entregar-me sem embaraços ao teu amor.

Te tornaste a principal razão para que eu continuasse a acreditar na vida; sim, trouxeste-me a esperança, quando eu a havia esquecido por conta das decepções da minha existência.

Na delícia dos teus beijos, experimentei alegre êxtase místico,em profundeza inacreditável.  No toque de tuas carícias, descobri prazeres que a minha mente e corpo desconheciam. Foste tu e não outra que, abrindo passagem por entre as brumas que cobriam o rio, levaste-me às terras sagradas de Avalon.

Com tua sabedoria singular, me ensinaste sobre a Deusa, a grande mãe, e que somente ela é o equilíbrio entre o caos e a ordem. Foi quando meus lábios tocaram o cálice, que continha dentro de si tuas vertigens, é que soube a bruxa fantástica que és,  tão plena em poder quanto a antiqüíssima Circe.

Caminhei despudoradamente pelos salões de tua luxúria e regozijei-me por meio de todos os meus sentidos. Aprendi, com isto, que teu corpo, e somente ele, é a casa do meu prazer pessoal.  Ter entrado em contato com tuas fantasias sensuais encheram minha’alma de luz; meus pés agora só sabem caminhar seguindo os passos dos teus!

Desde que o astro rei se levanta no horizonte pela manhã, quando desperto, tenho os meus pensamentos iniciais direcionados a ti, esta é uma das provas contundentes do vício de ti que, percorrendo-me a alma, me consome, qual nefasto entorpecente!

A coisa anda de tal maneira, baby, que é o teu rosto que vislumbro no espelho do retrovisor do meu automóvel, enquanto me encaminho ao trabalho. E no meio do expediente do escritório, quando me ligas, e ouço tua dulcíssima voz, é que me sinto exorcizado de todos os meus demônios burocráticos.

Sim, o genuíno amor é realmente deste jeito, sabes, ele rompe os grilhões que nos tornam cativos das forças maléficas do dia a dia, que nos reduzem a ínfimas formigas!

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.


Revisão textual e leitura crítica realizadas por Natanael de Alencar.