quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Céu de chumbo


        As nuvens hoje estão carregadas de ódio e furor. Elas trazem em seu aspecto o cinza do chumbo e da dor. Até parece que os anjos estão de novo a guerrear, a brandir suas espadas que faíscam raios e relâmpagos sobre a terra e o mar.
        
        Como no dia em que Deus ordenou ao seu fiel arcanjo Miguel, que reunisse junto de si, seu grande exército de espíritos bem aventurados, para combater a Lúcifer, que com o fel do orgulho, havia se tornado um apóstata infiel.
        
        Hoje quem parte para a batalha sou eu, pois invadiram minhas terras, e assim tomaram o que é meu, vestido com a minha armadura, e invocando a proteção do céu, guardo da minha amada como amuleto de proteção, o seu lindo véu.
        
        Assim seguido pelo meu exército me ponho cavalgando, com meu elmo na cabeça, segurando com uma das mãos o escudo, e tendo vingança, audácia e coragem no coração, que chegue logo a hora da batalha, e caia o inimigo ao chão.
       
        Como Josué em dias de guerra fez o sol parar, assim também o farei, e só quando o adversário render-se definitivamente, eu descansarei. Todavia não haverá uma nova noite, e nem depois um novo raiar do sol, até não ter conseguido minha tão esperada vitória conquistar.
            
        O rufar dos tambores em meus tímpanos ressoam, meu estandarte a minha frente levantado caminha, meus homens tem seus corações fiéis fortemente palpitando dentro do seu peito, pois uma batalha sangrenta eles sabem que vão travar, e com o rosto sombrio da morte poderão se deparar.
            
        Os padres da Santa Igreja a nossa frente estão marchando, levando consigo a cruz de Cristo que está a nos abençoar. Não farei prisioneiros e nem compaixão de ninguém terei, pois tenho ainda em meus ouvidos, os gritos dos meus vassalos em fogueiras a queimar, quando invadido em meus domínios eu fui, e depois de terrível combate, quase que sem vida, escapei.
            
        Desde então, ouço a voz do sangue dos meus servos e servas que sobe da terra pela minha vingança a clamar. Os santos todos estejam ao meu lado a pelejar, e a todo o momento me façam lembrar, não luto só por minha honra, mas por toda minha terra que esta a esperar, pela libertação das mãos dos iníquos usurpadores que em meu castelo, estão a me aguardar.
            
        Depois que tomar de volta o que de direito me pertence, quero que a paz e o amor retornem, e todo habitante do meu reino, possam vivenciá-los em suas vidas novamente.
            
        Peço a essas pesadas nuvens que hoje cobrem o meu céu, façam chover por sobre toda a minha terra lavando seu chão de todo esse sangue que nele esta batalha vindoura há de derramar, mas que as águas dessas benditas chuvas hão de lavar.
            
        Meus vassalos hão de voltar a sorrir e as crianças com sua inocência e gracejo possam este mundo de novo colorir. E as mães muito felizes voltem seus rebentos parir, quando o ultimo soldado inimigo enfim for abatido.
            
        E então com minha princesa amada me casarei, e filhos com ela eu terei, e nossos rebentos por essas nossas amadas terras a caminhar eu verei.
            
        Por todos os anos de minha existência, a cada domingo farei uma enorme festa, ao Cristo esta vitória sempre agradecerei, pois em missas de ação de graças seu santo corpo eu comungarei.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

“A minha terra tem a lua e tem estrelas, e sempre terá”... “Renato Russo”- 1960-1996- trecho da canção intitulada "Metal contra as nuvens", do disco Legião Urbana V, Emi Odeon- 1991

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