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Anjo das Letras

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007.
        Eu sou raso, profundo, largo, extenso e plano, sou profano, entretanto o sagrado também está em mim. Sou sombrio, tétrico e tempestuoso como um terrível maremoto e destruidor como um abalo sísmico que faz estremecer os alicerces da terra.

        Sou pacífico e tenho a mansidão dentro da minha alma, o meu espírito é nobre e a minha natureza é a de um poeta, também tenho sempre o meu ouvido atento para escutar uma bela canção. Sou teu amigo e adversário daqueles que se fazem teus inimigos, sou dos céus o aviso profético que é endereçado somente para ti, sou o fogo que arde ardorosamente em teu interior e que traz em si a caridade perfeita. Sou aquela voz insistente que clama aos ouvidos de teu espírito procurando te despertar para uma vida mais plena.

        Eu sou puro, limpo e cristalino, trago a meiguice comigo e em meus lábios tenho reservado um beijo para ti. Sou insano às vezes, por isso por alguns sou considerado um louco, sendo que por outros sou respeitado como um profeta. Assemelho-me a um mendigo que carrega nas mãos o tinteiro e a pena autoral.

        Eu sou um monge residente no claustro da “Palavra” que concede a vida abundante, afinal é essa “Palavra” que traz o verdadeiro e bom conhecimento de todas as coisas, sou dono da virtude esclarecedora e portador da sabedoria autêntica que traz a luz aos olhos dos cegos espirituais.

        Eu não tenho preço, dinheiro ou moeda alguma pode comprar-me, afinal toda a riqueza existente em teu planeta é semelhante a pó diante do que eu sou.

        O nome de minha mãe é Esperança*, ela me criou no meio de três irmãos, infelizmente teve que chorar a morte de um quarto filho, a minha pequena irmã que tão precocemente partiu desse mundo para um outro melhor. As minhas babás foram as ninfas da natureza, estou falando das Dríades os espíritos das florestas e bosques, aquelas que habitam em arvores. Esses espíritos divinos tomavam-me no colo e cantavam-me cantigas de ninar, enquanto andavam comigo entremeando os arvoredos seculares.

        Lembro-me claramente que os faunos e sátiros atraídos por essa canções de ninar, se reuniam a nós acendendo suas fogueiras, trazendo em suas mãos flautas doces e tamborins e se entregando a uma dança profana sendo acompanhados nela pelas belíssimas Dríades.

        Se Dríades, faunos e sátiros procuravam cuidar de mim, os anjos santos do céu não deixam por menos, desta forma, São Miguel, São Gabriel e São Rafael arcanjos tinham o devido cuidado em guardar a minha alma das forças das trevas, elas que são provindas do anjo caído, daquele que foi expulso do paraíso celestial.

        Em mim habitam o sagrado cristão e pagão, o Deus dos céus e a Deusa da terra são as duas polaridades masculinas e femininas da mesma divindade que eu cultuo.

        Posso definir-me sem medo de errar como a lepra que consome ditadores malévolos que destroem o amor e a paz onde elas estiverem. Sou igualmente o carrasco da alma racista, sou perseguidor implacável da mente homofóbica, sou um antagonista ferrenho de homens porco-chauvinistas que espancam e matam mulheres como se elas não fossem seres humanos dignas de todo respeito e compreensão. E nunca te esqueças que me assemelho ao câncer que devora pessoas pedófilas condenando-as ao mais triste fim que alguém possa imaginar.

        Digo por fim que sou teu pai e tua mãe, teu começo, meio e fim, sou a pena usada pelas mãos da divindade para escrever as páginas do livro de tua vida. Eu sou um dos filhos mais amados de uma Deusa profana chamada Literatura. Eu sou o anjo que tem um pé apoiado no oriente e outro no ocidente. Eu sou aquele que com sua escrita será amado por muitos. Eu sou o Anjo das Letras.

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

*Esperança é o nome da mãe do autor desta prosa-poética publicada acima. 

1 Comentário:

Karolina Borba disse...

Olá! Adorei esse texto. Sucesso pra você!

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