domingo, 30 de dezembro de 2007

As mulheres de Santos

        As mulheres de Santos são parecidas com férteis vinhas que enxergo nesta via tortuosa desta minha ainda jovem existência.

       Elas ainda choram por amor, amores antigos e novos, amores perdidos e encontrados, amores remidos, amores, amores.

       As mulheres de Santos são jovens, não tão jovens, são igualmente velhas. Elas têm sonhos de mil encantamentos, seus corações femininos febris entoam baladas bonitas de amor e de paixão de doce acalento, e às vezes de irremediável desilusão.

        Tais mulheres criam seus filhos dentro do aconchego do seu coração maternal, que de tão carinhoso têm uma beleza indescritível. Elas também protegem esses seus filhos das aves de rapina que desejam arrastá-los para o culto de um demoníaco Deus chamado Crack, pois tal culto religioso pérfido os deixam perdidos, semelhantes a marinheiros que ficam a vagar desorientados sem bussola no meio do mar em uma grande noite escura.

        As mulheres de Santos dão educação familiar e estudantil aos seus rebentos, como mães felizes e orgulhosas os aplaudem no dia da sua formatura, até chegam a preparar uma festa com muita pompa para celebrar essa data tão importante.

        As mulheres de Santos casam suas crias e emocionadas choram por elas em cima do altar. Quase se afogam em suas lágrimas, afinal elas já sentem a falta que essas suas eternas crianças farão no doce seio do seu lar.

        As mulheres de Santos além de serem mães, também são avós e bisavós, e com grandioso amor recebem em seus colos matriarcais os seus descendentes, os filhos dos seus filhos.

        As mulheres de Santos às vezes conhecem a mais profunda dor que o coração maternal pode sentir. Pois há momentos em que seus filhos sem avisá-las resolvem lhes dizer adeus, partindo para um outro plano de existência onde somente Deus com seus anjos podem tocá-los e alcançá-los com suas mãos. Elas nestes momentos terríveis se vestem de preto e choram de medo por acharem que não conseguirão viver com tamanha dor em suas vidas mortais.

        As mulheres de Santos adoram receber e dar carinho. Amam construir seus mais lindos sonhos tecendo-os com o tear de suas almas primaveris.

        Algumas mulheres de Santos só aceitam fazer amor enquanto que outras apenas anseiam o sexo pelo sexo, mas isso pouco importa, e digo isso porque os homens que tem a doce ventura de lhes cair nos braços, sentem que estão em conluio com as mais belíssimas sereias que parecem provindas de um reino encantado que existe no fundo do mar.

        As mulheres de Santos muitas vezes são magoadas por seus homens que as agridem das mais diversas formas possíveis. No entanto, elas não se deixam abater por tais violências que lhe são impetradas pela alma masculina, e isso porque a sua vontade de serem felizes é maior que qualquer tipo de mal que pode ser feito contra seus espíritos sublimes.

        As mulheres de Santos são como as estrelas do firmamento de sua cidade, elas já assistiram há muitas coisas, passaram por muitas coisas, e desta forma são sábias em mil e surpreendentes coisas. Essas mulheres santistas têm muito a nos ensinar sobre os meandros e nuances da existência humana.

        As mulheres de Santos assemelham-se com as praias de sua cidade litorânea, elas são belas, atemporais, imutáveis, sinceras, santas e pecadoras. E como suas praias são altivas e imponentes e nunca nada e ninguém as conseguirá tirar de onde estão.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

 Essa prosa poética dedico a escritora e jornalista Pagu- (São João da Boa Vista9 de junho de 1910 — Santos12 de dezembro de 1962). E a todas as mulheres que são nascidas e vivem no Município de Santos que fica localizado no Litoral Santista no Estado de São Paulo.

Um comentário:

Karolina Borba disse...

Olá Elton! Vi seu recado no mural e passei por aqui. Ótimos textos! MUITO SUCESSO PRA VC e fique com Deus