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O anjo que era a menina da doce e alegre canção

sábado, 1 de dezembro de 2007.
            Sou menina e assim sempre fui, e eu sei que chegará o dia em que me tornarei uma mulher, sou bonita, sou esperta e sei quais os caminhos que devo trilhar com os meus pés.

            Eu tenho sonhado com coisas tão doces, no entanto esses sonhos não podem ser comprados nas vitrines dos shoppings luxuosos e nem em lojas de qualquer esquina que se vê por aí. Um dia pretendo quem sabe transformar esse sonho realizado na letra de uma bela canção.
         
            Tenho um pai que é um homem muito sofrido pelas labutas da vida e pelas agruras vivenciadas em seu duro trabalho. Quero falar também da minha mãe, uma mulher que me estima muito, pois sempre pude contar em todas as horas da minha existência com a força do seu amor maternal. Eu sei que essa minha amada mãe carrega machucaduras em sua alma de mulher porque não pôde realizar muitos dos seus sonhos de menina. Então às vezes me pergunto se o mesmo não ocorrerá comigo, se também um dia eu não trarei em minha alma esses mesmos ferimentos?

            Eu não sou filha única, lá em casa tenho um irmão, um rapaz jovem e de bela aparência, ele carrega sempre consigo um violão, o objetivo que trás em seu espírito é compor uma musica que lhe traga sucesso e prestigio artístico. É, como eu e minha mãe esse meu irmão tem uma mente sonhadora.

            Como quase toda jovem adolescente entre as muitas amigas que possuo eu tenho uma que é a minha favorita. Todos os dias eu recebo a sua visita em minha casa, eu amo a sua conversa inteligente e animada. Nós estudamos no mesmo colégio e ansiamos depois que concluirmos todos os nossos estudos conseguir um emprego e uma posição importante no mercado de trabalho. Queremos ser mulheres modernas e independentes do século XXI.

            Arrumei um namorado, um jovem rapaz bastante atraente, as vezes me divirto com as coisas que ele faz, entretanto muitas vezes me entristeço com a sua rudeza exagerada, com o seu coração empedernido que me parece ser muito violento.

            Minha mãe não suportando assistir por mais tempo os meus sofrimentos aconselhou-me algumas vezes a terminar o namoro com aquele rapaz que aos poucos tinha roubado a alegria que eu tinha de viver. Resolvi ouvir a minha doce mãe e terminei o meu relacionamento romântico com aquele que de meu namorado tinha se tornado meu torturador.

            Passados alguns dias, eu arrumei um emprego bem perto de onde moro, iria trabalhar em uma farmácia. Costumava ir todos os dias para o meu serviço cantando com o meu coração em festa, pois apesar de levar a vida dura de pobre o mais importante eu sempre tive, o amor afetuoso e impagável da minha família e amigos.

            Agora quero lhes dizer que sou e sempre fui menina, mas nunca me tornarei uma mulher feita, digo tal coisa porque aquele rapaz com quem rompi o meu namoro não se esqueceu de mim. Um dia ele apareceu na farmácia em que eu trabalho e armado rendeu meu patrão e a mim nos tornando seus reféns. Depois de horas de negociação com a policia ele resolveu libertar o meu patrão.

            Quanto a mim eu não tive a mesma sorte, afinal esse meu ex-namorado resolveu enfiar uma bala bem no meio da minha testa e acabar com todas as minhas possibilidades de concretizar os meus sonhos. Sim, com o ardor fétido da pólvora ele calou a bonita canção que eu guardava dentro do meu peito.

             Eu sou e sempre serei uma menina, nunca alcançarei a estatura de uma mulher adulta. Agora também sou um anjo que do alto dos céus quer proteger toda aquela menina que existir em cima da terra, e que como eu um dia, carrega em seu seio os mais belos sonhos e a mais ternas canções de amor.

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

Esta crônica é um tributo de amor e carinho a jovem Evellyn Ferreira Amorim-( 1989-2007).-Assassinada brutalmente em uma segunda feira do dia 19 de novembro de 07 na baixada santista, pelo seu jovem namorado que inconformado com o término do namoro dos dois, a matou com um tiro certeiro na testa, para logo depois se matar.

Meu Deus!Como podemos cantar ainda o hino nacional, e dizer que somos brasileiros com muito orgulho, enquanto neste país mulheres são chacinadas por homens que muitas vezes as abandonam, mas não aceitam ser abandonados por elas? Por delegados de policia que atiram numa cela uma menina menor de idade, para ser estrupada todos os dias por marginais que são homens despidos de qualquer e toda humanidade? Ordem e progresso?Como um país que trata suas mulheres e meninas deste jeito pode falar em ordem e progresso?Na verdade vivemos em um país que não é uma nação. - Elton Sipião O Anjo das Letras. Cubatão, 30 de novembro de 2007.

Os: Destas duas histórias, há dois detalhes escabrosos, o primeiro é que o rapaz que matou a Evellyn, já a houvera seqüestrado uma vez mantendo-a refém por horas! Depois de soltá-la após a bem sucedida negociação da polícia, o desequilibrado rapaz ficou somente um mês preso, isso por que a justiça determinou que ele passa-se por tratamento psiquiátrico, coisa que nunca aconteceu. O delegado de policia que jogou a pobre menor na cela com aqueles marginais fétidos, disse em Brasília para a nação toda ver e ouvir que achava que a menina tinha problemas mentais pelo fato de não ter dito que era menor de idade. Ignorando este néscio ou sínico o que é mais provável, é que independentemente se ela era menor ou não, uma mulher não pode ser jogada em uma cela de prisão que só tenha homens! -(e que nos caso daqueles homens é melhor chamá-los de monstros).

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