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A menina que me encontrou

domingo, 6 de janeiro de 2008.
        Eu estava há muito tempo me sentindo perdido, por causa dos meus erros que cometi dava-me a sensação de estar vivendo sem conseguir respirar adequadamente. 

        Até que um dia conheci uma menina que conseguiu me resgatar. Com aquele seu doce amor ensinou-me muitas coisas que eu precisava aprender nesta minha existência, dentro do seu olhar de tom negro revelou-me verdades sinceras e tocantes.

        Tinha dentro de si mesma sentimentos profundamente e genuinamente humanos, sentimentos esses que me pareceu que carregava consigo desde muito pequena.

        Muitas vezes eu percebia as marcas do sofrimento da vida em sua bela face, no entanto nunca a ouvi reclamar de absolutamente nada, pois ela não tinha palavras para queixas, maldições ou pragas, sentindo toda a sua força interior de mulher forte, eu entendia que as atribulações que chegou a passar em sua existência não a abateram definitivamente e tampouco a marcaram de forma negativa. A fé em um existir melhor era a chama que ardia insistentemente em seu peito.

        Da minha parte eu me sentia no fundo do poço, para mim não havia esperança e nem fé para conseguir a tão desejada salvação. Então do lado de fora deste poço ouvi uma voz delicada ao mesmo tempo que de timbre forte me chamando, erguendo a minha cabeça para o alto, pude com os meus olhos estreitados ver a silhueta de uma mulher que parecia estender a sua mão pedindo que eu subisse até o topo daquele buraco, e assim pudesse vir para a luz do sol.

        Em minha tremula mão ela segurou firme e com um puxão só, esse menina me tirou das fundas trevas em que eu vivia dia e noite.

        Quando pude vê-la de mais perto, meus olhos conseguiram contemplar a sua beleza de Sapho moderna, com seus olhos negros, cabelos escuros de fios escorridos, a pele branca e de uma maciez pessegueira, e senhora de um sorriso tão lindo que este causava vertigens em quem o vislumbrava.

        Esta menina tinha um jeito hábil de me convencer daquilo que ela achava que ia ser bom para mim, então encheu minha vida de bons livros, de discos de uma musica fascinante, de um cinema tão mágico que eu nem sabia que existia. Seu amor trouxe a luz da arte assim como o perfume das flores para meu caminho que antes dela, parecia ser cravejado somente de espinhos.

        Mesmo sendo muito ajudado por seu amor, eu me esqueci de fazer a minha parte também, não me lembrei que deveria contribuir dando àquela menina a recíproca de tudo de bom que ela havia feito por mim.

         Cansada do meu egoísmo muitas vezes ela me ameaçava dizendo que iria me deixar, seguro de mim achando que jamais iria cumprir com que me dizia, permaneci naquela minha conduta de só pensar em meus interesses próprios.

        Uma tarde depois de mais uma briga feia que tivemos, aquela menina finalmente resolve cumprir a sua ameaça, e fazendo as suas malas resolve ir embora deixando-me envolto em minha própria perplexidade.

        Com o passar das semanas a presença fria e tétrica da solidão começou a me envolver paulatinamente. De novo eu senti o seu abraço forte e sufocante, depois de muito tempo aquela sensação de viver quase sem ar apoderou-se de minha existência mais uma vez. Sim, e eu sabia por que daquilo, a explicação era lógica, tal coisa significava a falta que aquela menina me fazia.

        As musicas que eram nossas já não tinham mais significado quando eu comecei a ouvi-las sozinho, os filmes que um dia cheguei a assistir ao seu lado quando os revi sem a sua companhia já não tinham o mesmo valor, até o brilho do sol ou das estrelas não tinham mais fascínio aos meus olhos quando os contemplava totalmente privado de sua presença física junto de mim.

       Quando aquela menina me abandonou era como se o mundo tivesse parado de girar!

        Não agüentando mais ficar sozinho em casa atormentando pelas lembranças daquela menina, eu resolvi sair um pouco, andar pelas ruas para espairecer, respirar ar puro.

        Era uma noite estrelada e de lua cheia, o céu parecia lindo e perfeito como um bolo de brigadeiro. Então descendo uma ladeira ladeada por muitas casas, eu a vi vindo em minha direção cercada por suas amigas. Eu não podia acreditar, sim, era ela, aquela menina que eu tanto amava e sentia falta que naquele instante caminhava subindo a ladeira, vindo ao meu encontro mesmo que sem querer fazê-lo, mas de certa forma estava sendo conduzida pelas mãos imprevisíveis do destino.

        Ficamos assim cara a cara, um de frente para o outro sendo observados pelas suas amigas que acompanhavam aquele inesperado reencontro com um olhar curioso.

        Então me aproximei delicadamente dela e abri-lhe o meu coração de uma forma que nunca havia feito antes. Confessei-lhe o meu egoísmo, pedindo-te perdão porque eu tivera se esquecido de retribuir todo o bem que ela me houvera feito. Assim como me tinha ajudado era necessário que também eu houvesse feito o mesmo por ela.

        Com lágrimas nos olhos e sem dizer uma só palavra, aquela menina reduziu a pequena distancia em que já estávamos um do outro se movendo em minha direção para me dar um abraço.

        Daquele abraço apertado de muitas saudades que sentíamos um pelo outro nasceu um beijo e foi desta forma que ela resolveu me perdoar e voltar para mim.

        Hoje em dia aprendi a lição de forma definitiva, compreendi que no verdadeiro amor não há espaço para o egoísmo e a fria individualidade. Que no amor de um casal a ajuda mutua deve fazer parte essencial de sua cumplicidade.

        Eu e aquela menina nos casamos e tivemos um casal de gêmeos. E sim, fomos felizes para sempre.

                                            Fim.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS 

                      ("As mulheres do topo da árvore.")

As Melhores Mulheres pertencem aos homens mais atrevidos. Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo. Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim, as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco mais para o homem certo chegar... aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

(Machado de Assis.)          

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