terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Amor bandido. Maria Ângela e Agenor. - I parte.


          Maria Ângela era uma linda mulata de fazer fechar o comércio, pois sua beleza estonteante não tinha e tampouco conseguia passar despercebida para quem a contemplasse. A mulata tinha um metro e oitenta, setenta e nove quilos bem distribuídos em coxas grossas e bem torneadas, seios fartos e firmes, em uma barriguinha totalmente livre de saliências e protuberâncias, e um bumbum de cento e doze centímetros redondinho, arrebitado e de carnes firmíssimas.

        Essa deusa de ébano tinha apenas vinte e cinco anos de idade, e era noiva do jovem Agenor, um rapaz honesto e trabalhador que há pouco tempo tinha passado no concurso da prefeitura de sua cidade, tornando-se assim um funcionário público. Agenor com seus um metro e noventa, oitenta e oito quilos bem dispostos em braços e pernas cheios de músculos, barriga de tanquinho, tórax de um autêntico pugilista, parecia como a própria Maria Ângela ter saído de um Olimpo de deuses negros.

        Maria Ângela era professora da rede de ensino do Estado, enquanto Agenor trabalhava no RH da prefeitura, ambos labutavam muito e estavam guardando dinheiro para poderem o quanto antes se casar.

        Desde que perdera seus pais em um acidente de carro quando era muito pequena, Maria Ângela fora criada por seus avós maternos. Como não poderia ser diferente ela os amava profundamente com amor de filha e com seu pequeno salário os ajudava como podia.

       Tanto Maria Ângela como Agenor moravam no morro, em uma comunidade numerosa que por muito tempo ficara dominada pelo terror do tráfico, entretanto há alguns poucos anos atrás, tinha sido libertada deste mal pela presença da policia pacificadora que colocou a bandidagem para correr, livrando aquele lugar de sua influência maléfica.

       Sendo desta forma como toda boa mulata que nasceu em um dos morros deste imenso país chamado Brasil, Maria Ângela tinha o samba não só na alma assim como também no pé. Nas rodas de samba ela encantava a todos que a assistiam com sua dança de passos sensualíssimos e que só dava destaque ao seu corpo de deusa negra e que só comprovava o quanto a mãe África é pródiga em criar belezas inauditas como era o caso daquela menina.

        A vida de Maria Ângela e Agenor corria normalmentemente bem, quando João Roberto um ex- policial que havia sido expulso da corporação da Polícia Militar por abuso de autoridade mudou-se para o morro em que ambos moravam.

        João Roberto apaixonou-se de imediato quando se deparou com a beleza negra de Maria Ângela. Foi amor a primeira vista.

        Depois de algum tempo em que fizera amizade com a bela mulata, João Roberto resolveu fazer uma proposta de casamento a ela, afinal ele não suportava mais conviver com Maria Ângela sem tê-la totalmente para si, e por outro lado o fato de saber que a mulher que amava dava seus afagos e carinhos a outro homem o enlouquecia de ciúmes.

        No entanto, o coração de Maria Ângela estava tomado de amor por Agenor, e sendo assim ela não pôde dar outra resposta a proposta que lhe foi feita por João Roberto, do que um sonoro e um grande “não”.

         João Roberto tomado pelo ódio e pela revolta pelo simples fato de ter sido rejeitado por Maria Ângela resolveu arquitetar um plano, ele decidira matar a Agenor com o intuito de tirá-lo de seu caminho. Em sua sandice achava sinceramente que aquela medida drástica de cometer um homicídio contra Angenor faria com que a bela mulata pelo qual se apaixonara ficasse realmente com ele.

        Pior que arquitetar tal plano de natureza hedionda, João Roberto não escondia a intenção de pô-lo em prática de ninguém.

        Apreensivos e sabedores das más intenções de João Roberto, amigos e familiares de Maria Ângela e Agenor avisaram-nos do que pretendia o ex-PM. Logo que souberam do mal que João Roberto pretendia fazer contra Agenor, tanto Maria Ângela quanto seus avós maternos temeram pela integridade física deste ultimo.

        Entretanto o nobre funcionário público não se abalou com aquela tétrica informação que a sua vida corria perigo. Ele disse a todos que se acalmassem, porque era justo aquilo que João Roberto intencionava, proliferar o medo e a apreensão em seus corações.

       Agenor não acreditava sinceramente em seu coração que João Roberto faria o que andava espalhando descaradamente pelo morro afora.

        Pois era do seu conhecimento que por muito pouco este escapara de ir para a cadeia, por conta das denuncias que sofrera junto à corregedoria da polícia por ter praticado abuso de autoridade contra civis quando este ainda era policial militar.

       Por muita sorte apenas sofrera a punição da expulsão da corporação policial que servira. No entanto, se desta vez cometesse a insensatez de praticar um assassinato, nenhuma sorte do mundo o livraria das malhas justas da lei.

        E assim pensando desta forma Agenor aconselhou a todos que tocassem suas vidas sem dar importância às sandices homicidas de João Roberto.

        Mas a segurança que Agenor levava dentro de si de que aquilo o que João Roberto intencionava só iria ficar no campo da ameaça, não era compartilhada por Maria Ângela, esta daquele dia em diante em que fora alertada por seus parentes e amigos do que pretendia fazer o ex-policial para obter de vez o seu amor, resolvera carregar sempre consigo e dentro de sua bolsa uma arma branca, uma enorme peixeira. Se João Roberto ousasse tocar em um fio de cabelo sequer do seu mulato amado, ela com certeza o faria pagar muito caro por isso.

        Passadas algumas semanas, Maria Ângela e Agenor como eram do seu costume foram à missa de domingo em uma capela que fora construída no alto do morro em que moravam. No termino da missa e na saída da capela, enquanto desciam os degraus para ganhar a rua de volta para casa, Maria Ângela e Agenor foram parados por uma menina que aparentava ter seus quinze anos de idade.

        No meio dos degraus ela olhando para o fundo dos olhos negros de Agenor lhe disse:- Querido Agenor, Deus me apareceu em sonho e me ordenou para que eu lhe desse um aviso muito sério. Ele me mandou te dizer que tu deve pegar tua noiva que agora está aqui do teu lado e fugir o quanto antes para bem longe de nossa comunidade, pois sua vida corre grande risco. O Senhor já o havia avisado pela boca dos seus conhecidos, mas tu não o ouviste, desta vez, porém ouça-o, e faça o que ele te pede através destas minhas palavras.

Continua...

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

Um comentário:

Anonymous disse...

Por que nao:)