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Eu gosto das praias de Santos

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008.
        Eu gosto das praias de Santos, porque foi em uma delas que há alguns poucos anos atrás encontrei um grande amor.

        Ela era uma mulher linda, sua beleza assemelhava-se a das flores primaveris do campo, seu sorriso parecia tão luminoso como o do brilho do sol, o som de sua voz lembrava a de uma sereia de enorme encanto, tamanho era o poder hipnótico dela sobre quem a ouvia.

        Eu adoro pisar nas areias das praias de Santos porque eram nelas que nós dois costumávamos escrever com nossos dedos palavras e juras de amor um pelo outro. Essas palavras e juras românticas falavam de um amor de uma sinceridade impar, de uma paixão veemente, de uma cumplicidade inquebrantável.

        Também foram nessas areias que em madrugadas e manhãs em que elas se encontravam vazias que cansamos de fazer amor, tendo apenas como testemunha o som bravio e por vezes doce do mar.

        Lembro-me que muitas vezes subíamos até as pedras de uma dessas mesmas praias, para assistirmos sentados sobre elas e bem agarradinhos um ao outro o nascer do sol, depois adorávamos ficar contemplando a linha imaginária do horizonte, e isso porque tal costume nos trazia uma paz profundíssima.

        Aos domingos ela adorava andar comigo pelo calçadão da praia, gostava de fazer gracejos com as crianças que encontrávamos no meio do caminho, e era sagrado que parássemos para tomar um sorvete em um daqueles carrinhos que ficavam estacionados na beira da calcada.

        Eu era feliz como um rei, e o meu reinado de amor parecia que seria tão imortal como as praias de Santos. Mas como eu estava enganado, e redondamente enganado, nesta vida parece às vezes que algo que é tão perfeitamente feliz e luminoso não pode durar por muito tempo. E assim foi com o nosso belíssimo amor.

        Em uma manhã nublada, onde a face do sol estava escondida por pesadas e escuras nuvens, na areia da praia, ela me disse que precisava ir embora, que em sua distante terra natal havia problemas pendentes que precisavam ser resolvidos, e que a solução deles exigiria que ela dispensasse um longo tempo de sua atenção, e por causa disso estava partindo sem saber se algum dia retornaria.

        Ela nunca chegou a retornar, e nem sequer uma carta algum dia me mandou, e eu fiquei aqui, andando solitário nas praias de Santos relembrando os doces momentos que vivemos sobre as suas areias e dentro das águas salgadas do seu mar.

        Com o passar do tempo encontrei uma outra mulher que me fizesse feliz, entretanto devo confessar que lá no fundinho do meu coração, nunca cheguei a esquecer totalmente daquele amor de verão que se perdeu nas brumas frias e embranquecidas das praias de Santos.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS       
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