sábado, 26 de abril de 2008

" A MUSICA DAS SIRENES."


Aedes Aegypti) O mosquito da dengue.












Eu ouço agora o som das sirenes, elas chegam até á mim tão estridentes, é mais um acidente, ou será que é mais uma vez a violência que se manifesta na estrada?
É sangue á correr para todos os lados, são vidas que escorrem pelos vãos dos dedos, são gritos angustiados, um prenúncio do que será a dor do negro luto.


Eu sinto neste hospital a pesada atmosfera de apreensão, é mais um paciente sendo levado com pressa para a emergência, é mais uma vitima de uma bala perdida.
O atendimento é péssimo, é por deveras demorado, o corredor de espera está cheio de gente que cansada de tanto aguardar, não pode quase mais suportar sofrer ante o pesado fardo de suas mazelas e grande dor.


O choro das crianças nesta fila funesta de espera é bem audível, tal som não faz bem á ninguém, além delas e de seus pais ali ficarem eternamente o atendimento á esperar, o que te vou dizer é difícil de acreditar, pois ali, onde eles estão, acontece algo de partir o coração. Não bastasse o ardor de suas doenças que as atormenta e o descaso do atendimento publico de saúde para com essa gente, eis que neste lugar acontece algo indecente,estas pessoas são obrigadas á sentir o forte cheiro de tinta, pois as paredes do corredor aonde elas estão, neste momento são pintadas por hábeis mãos. Ai daqueles que tem problemas respiratórios, ai daqueles que sofrem de crônicas asmas, há alguém que se importe com elas, ou que tenha pena delas?


O mosquito da dengue já matou muita gente, crianças tão novas partiram tão cedo e não tiveram tempo nem dos seus pais de se despedir, á quem se deve ir? O que virá á porvir?
Tal epidemia se tornou enorme e muito agressiva, mas só ouço falar que só os filhos de gente pobre foram vitimas dela, e por isso não puderam ver o próximo raiar do sol, suas vidas se quebraram como frágil cristal. Os corruptos políticos e os ricos, deste mal e de tantos outros estão bem protegidos, sempre foi assim, entre ricos e pobres a coisa sempre foi desigual.


Não que eu queira a morte dos filhos das pessoas abastadas, eu só queria mais igualdade social, acho que isso não nos seria mal. Eu só quero entender porque aqui no Brasil os pobres são tratados como fétidos animais, que me digam o que eles fizeram demais, eles são vistos como se fosse uma porção de baratas á serem exterminadas.


O amor quer entrar pela porta que lhe foi selada, quebramos então o seu lacre, então que por ela ele passe, e nos traga sua irmã, a bela esperança, que com seu belo sorriso traga a tão esperada redenção ao nosso sofrido coração. E que a sua prima à primavera com eles nos venham, e com sua encantada presença nos entretenham, chega de tanta tirania, basta com isso dos pequenos serem tratados com tanta vilania, eu não quero saber mais desta porcaria. Nós nascemos para sermos felizes, e do amor que nos visita seus eternos aprendizes.
- ELTON DAS NEVES O ANJO DAS LETRAS-
26/04/08.

“Muitas pessoas pensam que a vida é um sonho, assim elas só pioram as coisas. Muito tem sido dito e pouco realizado. Eles ainda estão matando. Matando nossos profetas, e se divertindo. Se divertindo muito."

"Quantas mortes mais serão necessárias para dar-nos conta de que já foram demasiadas." [
Bob Marley ]

“O Nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo." Obs.: Trecho de Tempo Perdido.

"Os assassinos estão livres, nós não estamos." Obs.: Trecho de Teatro de Vampiros. (Renato Russo-1960-1996).

No Brasil em muitos lugares se vive ainda como se estivéssemos na idade média, muito do que relatei no texto da poesia postada acima são relatos baseados em fatos reais, quem assiste televisão, lê jornais, tem acesso á web, ouve rádio sabe bem disso. Apesar de tanto avanço na área tecnológica, na área industrial, na economia, na ciência e medicina, nossos governantes, nossos políticos tratam-nos como se fossemos um imenso rebanho de bois prontos para o abate,isso tem de mudar, precisa mudar.
Elton das Neves O Anjo das Letras.- Sábado-26 de abril de 08.

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