sábado, 19 de abril de 2008

" INDIGENAS ".

Convenceram-me que poderiam ser meus sinceros amigos á troco de muitos presentes á mim dados, me persuadiram á lhes deixar entrar em minhas terras que inicialmente eles pensaram que se tratava de uma ilha, mal sabiam que estes meus domínios era do tamanho de um continente. Exploraram o máximo da ingenuidade do meu povo, trajaram-se de gente amiga, mas no fundo dos seus corações o terrível inimigo que um dia se tornariam, só estava esperando a oportunidade certa para se manifestar, para pular de dentro do seu interior para fora, e poder assim suas garras fatais mostrar. Seus imensos barcos que eles chamavam de caravelas, um dia de sol aqui chegaram, alguns guerreiros pertencentes à gente do meu povo os viu aparecerem despontando sob a linha do horizonte. Logo sob o largo das águas do mar, uma multidão composta por esta minha gente estava reunida, muito curiosa para saber o que era aquelas imensas embarcações, pois nós não tínhamos nada parecido com aquilo, nossos barcos eram pequenas canoas que eram dirigidas por nossos bravos com a força de seus braços, impulsionadas por remos de madeira. Aquilo que aqueles homens brancos chamavam de caravelas, pareciam serem movidas sob a água do mar pelo sopro de “Nhanderuvuçu”, e foi rezando á ele que pedimos força e sabedoria para lidarmos com aquela novidade que desembarcava em nossas praias. Aqueles homens que atracaram sob nossas areias com suas gigantescas naus ficando estacionadas ao largo da água do oceano, nos pareceram entidades vindas de outro mundo, pois seus cabelos louros, assim como sua pele branca e seus olhos claros, faziam parte de uma fisionômia humana que nunca antes tinhamos visto igual. Sua exuberante aparencia e vestes diferentes e coloridas nos deixaram pasmos e surpresos, principalmente nossas mulheres ao entrarem em contato visual, com aquele novo tipo de beleza, encantadas os associaram as nossas divindades. Se bem lembro o homem branco conseguiu chegar até nós pisando em nossas praias, no dia vinte e um de abril de mil e quinhentos, e de forma equivocada como eu já disse pensando em se tratar de uma ilha o lugar que há séculos nós habitávamos, a chamaram de ilha de Vera Cruz. Depois vendo claramente que não podiam contornar tal ilha, perceberam que se tratava de uma enorme faixa de terra, e batizam-na de terra de Santa Cruz, mostrando assim toda sua arrogancia, pois quem eles pensavam que eram para que aqui chegando dessem nomes á estas nossas terras como se á eles já pertencessem?Era como se nós e tudo que ali já existia, estivesse esperando por eles, prontos para entregar-se ao seu pleno dominio, como se nós e o território em que vivíamos estivessemos destinados á isso. Ficou bem claro com o passar dos meses, que eles eram os colonizadores que vinham para dominar e tomar conta de nós, os colonizados. Até sua religião que chamavam de cristã tentaram nos empurrar goela abaixo, uns homens vestidos de longo vestido preto, chamados de jesuítas tinham a função de nos catequizarem, isso é, de nos tornarem novos seguidores do novo Deus, que atendia pelo nome de Cristo. Em suas andanças por nossas matas descobriram uma preciosa e valiosa madeira de cor avermelhada como a brasa, á que chamaram de pau brasil, como esta madeira tornou-se um dos seus principais produtos de exploração e importação para o grande e velho continente á que eles chamavam de europa, nossos colonizadores resolveram mudar o nome de sua terra descoberta e inicialmente e sutilmente tomada de nós de Brasil. E com certeza, tal sutilidade só foi no começo, em seu primeiro contato conosco, depois com o passar dos anos tentaram nos escravizar, nos forçando á trabalhar pela persuasão da ponta do chicote para eles, aos poucos fomos expulsos daquele paraíso criado para nós por “Nhanderuvuçu”, nossos homens, mulheres e crianças foram mortos, quase que extiguidos da face da nossa querida e amada terra, aonde em dias de tempestade viamos estupefatos a ira de nosso deus por meio de “tupã-cinunga”-, mas tal ira não era comparada com aquela que fora demonstrada por aqueles homens de pele alva, e cabelos alourados que quando aqui chegaram tinham um lindo sorriso nos lábios, e muitos presentes em suas mãos. Presentes que foram trocados por poderosos mosquetes que cuspiam fogo da boca de seus canos de ferro, feito vorazes dragões á nos queimarem vivos. Hoje sou um indio brasileiro, um dos poucos que existem, dentro das poucas tribos que sobreviveram a sanha violenta do branco, excluídos do nossos dominíos nos meteram em reservas que chamam de indigenas, nos lançaram na miseria, pois com poucas terras para plantar, aonde não há nada quase para caçar, nós que eramos donos deste imenso país, fomos tomados de assalto, seduzidos, enganados e manipulados, e depois de roubados e explorados e quase totalmente dizimados, aqueles poucos que sobraram de nós fomos colocados á margem da sociedade branca, de senhores legitimos desta abençoada terra, nos tornamos marginais em relação á ela. “Quem me dera uma vez que a mais bela tribo, dos mais belos indios, não fossem assasinados por serem inocentes. “ ***
------------------------------------------------------------------------------------

*** “ Quem me dera uma vez que a mais bela tribo, dos mais belos indios, não fossem assassinados por serem inocentes. “ : trecho da letra da canção intitulada “ Indios”, escrita por Renato Russo- 1960-1996- para o disco Legião Urbana- dois- 1986- Emi Odeon .
-----------------------------------------------------------------------------------
"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris." (Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree ) .

------------------------------------------------------------------------------------
ELTON DAS SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Nenhum comentário: