quinta-feira, 8 de maio de 2008

" O HOSPEDE DA 2455- A CELA DO CORREDOR DA MORTE."

O livro "2455 cela da morte", da autoria de Chessman, foi best seller no Brasil.
Caryl Whittier Chessman-
(27 de maio de 1921 - 2 de maio de 1960)






Olhem só o que dizem os jornais, é algo pra ficar nos anais da história dos casos policiais, supostamente prenderam o “bandido da luz vermelha”, um jovem rapaz de apenas vinte sete anos, dizem que nas colinas de Hollyhood ele estabeleceu o caos.

No inicio dizem que achou graça das acusações de ser o “bandido da luz vermelha”, o rapaz em sua mente não sabia o que o esperava pela frente. Sob tortura confessou que era o praticante dos crimes realizados no atalho dos namorados***, roubos seguidos de estupros. Seu nome era muito bonito, ele se chamava Caryl Whittier Chessman, seu pai que fora filho de imigrantes dinamarqueses, fora assolado pelo desemprego causado pela depressão americana de mil novecentos e dezenove, sua família era constituída de gente muito pobre.

O menino que crescera ajudado pela tal sopa da caridade do governo americano, só se metia em confusão, pois cometer pequenos crimes era a sua ação, já na adolescência liderava um grupo de amigos que roubavam carros para darem por aí umas voltinhas. Mais tarde a coisa ficou mais séria, e começaram á arrombar e á assaltar estabelecimentos comerciais, se tornaram criminosos sérios demais.

Este delinqüente juvenil que não tinha olhos cor de anil passou grande parte de sua juventude entrando pelo funil, vivia mais preso que solto, sua casa constante era a prisão reformatório, viver assim o fez conhecer o que era o puro ódio. Já na vida adulta a coisa não se tornou diferente, vivia vendo o sol nascer quadrado o rapaz inconseqüente, em um desses momentos breves de liberdade da qual sentia muita saudade, depois de ter sido condenado há vinte oito anos de prisão, sendo que tal criminal ação contra ele foi comutada em onze anos de liberdade condicional, lhe acontece algo descomunal, lhe prendem agora sobre uma nova acusação de que é um perigoso e nojento animal. Dizem que ele é o mais novo e famoso tesouro da imprensa norte americana, o “bandido da luz vermelha”, o fogo então está posto na frigideira.

Condenado por um júri popular formado por mulheres emotivas, querendo á todo custo justiça ainda que desafinada, o pobre rapaz foi condenado à pena de morte, á morrer na cela de gás, ah isso eu achei demais, não concordarei com isso jamais.

Em sua pequena cela na penitenciária de San Quentin no estado da Califórnia a famosa cela 2455, Chessman que só tinha feito o quinto ano primário fez algo que deixou o mundo boquiaberto, leu mais de dois mil livros de direito, tornou-se autodidata em leis, aprendeu até mesmo á falar em português. Começou no tribunal á advogar sua própria causa, pois de jeito algum queria morrer na câmara de gás, inteligente e culto se revelou àquele grande rapaz.

Chessman escreveu bons livros, ele era um bom escritor, escreveu sobre sua dor, viveu doze anos convivendo com a presença da morte em seu corredor. Veja Chessman está atravessando o corredor frio da morte, vão assassiná-lo oficialmente e ritualisticamente, como essa sociedade americana é hipócrita minha gente, se dizem cristãos, mas não são não, pois violam uma das mais sagradas leis de Deus, não matarás nunca teu irmão. Olhe esta cena que me traz grande dor, Chessman respirando o gás venenoso e sofrendo sem ser merecedor, pois mesmo que ele fosse o tal “bandido da luz vermelha”, a pena de morte para mim é uma grande besteira, pois com a criminalidade e com sua centelha não acaba tal pena punitiva e sujamente vingativa.

Chessman sofreu sua agonia por nove minutos, ele que através de dezenas de petições aos tribunais e a corte suprema americana, conseguira adiar por sete vezes a sua execução, desta vez não teve jeito não. O coração dele já não bate mais, mataram aquele que no mundo todo se tornara um famoso rapaz, sua luta pela vida comoveu gente importante demais. Por ele eu faço uma prece, e digo que nossa sociedade merece uma justiça mais decente, quem defende a pena de morte é uma pessoa de mente indecente.



*** "Atalho dos namorados", nas colinas de Hollyhood-
(lover`s lane).



(...) Para erradicar o mal, não é preciso erradicar o homem. O que cumpre fazer não é matar o homem criminoso, mas o criminoso no homem. A criminalidade não se extingue ou declina com a pena de morte.
NELSON HUNGRIA-
jurista brasileiro, que foi Ministro do Supremo Tribunal Federal nos anos 50 e 60.

A ultima foto na parte direita da tela-, é do jurista brasileiro- Nélson Hungria Hoffbauer (
Além Paraíba - MG, 16 de maio de 1891Rio de Janeiro, 26 de março de 1969.) Hungria engrossou as fileiras daqueles que no mundo inteiro queriam que o julgamento que havia sentenciado á Caryl Chessman á morrer na camara de gás, fosse revisto-, Hungria era totalmente contra a pena de morte, como instrumento de punição e de combate contra o crime.


A poesia postada acima e intitulada “ O hospede da 2455, a cela do corredor da morte”-, é da autoria de Elton das Neves o Anjo das Letras.

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