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" ESCRAVOS".

quinta-feira, 13 de novembro de 2008.

I
Eu ouço o barulho das ondas baterem nas paredes de madeira do navio em que viajo, ele é negreiro. Eu venho do continente africano, chego em terra estrangeira para ser escravo, o horror e o medo são meus companheiros de viagem, meus captores me tratam como se eu fosse um selvagem.

II
Em mil e quinhentos e cinqüenta e nove inicia-se de forma oficial o tráfico de escravos da África para o Brasil, o pobre do negro será tratado de forma indecente, escravos mil sofrerão com a opressão servil. Vindos de lugares como a Angola e a Guiné, eu e meus irmãos fomos destroçados em nossa fé. Fomos capturados por vários motivos, ou éramos de guerras tribais prisioneiros, ou porque tínhamos dividas não pagas, então sendo negociados com os traficantes de escravos, foi nos roubada nossa paz, não desdenhe disso, me acredite nisso meu rapaz.

III
Nossos navios atracavam em cidades como o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e São Luiz, de lá íamos á diversos lugares distantes, aonde conheceríamos de perto o que é ter dor. Longe do amor de meus pais,irmãos e mulher, eu iria experimentar o veneno da desgraça das mãos do branco, dado em sua colher. Sobe a ponta do látego eu e meus irmãos africanos, iríamos trabalhar embaixo de sol e chuva até nos cansar, a porta do sofrimento continuo nos era aberta de par em par.

IV
Nossas tarefas dentro do trabalho escravo eram inúmeras, assim como eram nossas tristes primaveras, trabalhávamos no cultivo da cana de açúcar, na mineração, em serviços domésticos, em tudo cansávamos o nosso destroçado coração, nesta dança funesta a servidão era o nosso único par.

V
Muitos de nós sem vida, chegávamos em terras brasileiras, por causa das péssimas condições sanitárias das embarcações que nos traziam, sim, grande era a nossa ferida. Percebemos que antes de nós, oh meu Deus, agora quase ma falta à voz, já havia outros escravos, os chamados índios, sua desgraça era maior, foram escravizados em sua própria terra, isso causara neles, revolta e dor.

VI
Sou um pássaro preso, não consigo mais cantar, já não ando no caminho do amar, estou cativo em correntes em uma gaiola, sufocado pela sombra da escravidão, não há mais como cantar uma alegre canção. Mas eu sei, que um dia a liberdade irá chegar, e alguém os meus grilhões irão quebrar, e de novo a face linda da mãe África eu irei contemplar. Aqui fora posso ouvir que lá dentro da senzala os negros fazem festa, meus irmãos erguem imperiosos o seu vozerio, pois a linda princesa de Portugal, chamada Isabel, atendeu o nosso ideal, decretou o fim da escravidão nessa terra que já se tornou nossa, o nosso amado Brasil.

ELTON DAS NEVES O ANJO DAS LETRAS.

Há um novo tipo de escravidão no Brasil, a chamada escravidão moderna, aonde homens, mulheres e até crianças, são obrigadas á trabalhar em um nível de exploração desumano e cruel. Hoje o escravo não é só negro ou índio, mas branco, amarelo e vermelho, infelizmente foram erguidas novas senzalas. Nossa nação precisa de gente corajosa que queiram derrubá-las.
ELTON DAS NEVES O ANJO DAS LETRAS.
Cubatão, 13 de novembro de 2008.


"Se a escravidão não é crime, não há crimes."( Abraham Lincoln )
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"A escravidão do negro é a mutilação da liberdade do branco." ( Rui Barbosa )
"O pior mal da escravidão é conservar os cativos na ignorância e bruteza, pela opinião de que são assim mais dóceis, humildes e subordinados." ( Marquês de Maricá )
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"A história da escravidão africana na América é um abismo de degradação e miséria que se não pode sondar. " ( Joaquim Nabuco )

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