sábado, 29 de novembro de 2008

" POR QUEM AS BORBOLETAS SE TRANSFORMAM".

I
Ela não esta muito bem, hoje ela não se sente zen, nervosa e aflita anda de lá para cá, para o telefone olha á toda hora, porque este maldito não toca?As sombras do beijo dela ainda sombreiam os seus lábios vinhos, os seus fantasmas embora não foram, insistem em continuar sendo seus vizinhos.

II
Impaciente ela rodopia no meio da sala, tal qual um furacão de emoção, seria ela uma nova Catrina, será que só sofrer assim seria a sua sina?A saudade da amada que dói em seu peito, parece que resolveu fazer dele o seu leito de descanso. Ela resolve parar então de rodopiar, todo aquele turbilhão de emoção está castigando o seu pobre coração.

III
Ela resolve se achegar perto da janela, deseja respirar o puro ar, então neste momento um pensamento dela se aproxima, e nesta hora mais do que nunca se sente sozinha. Ela pensa em pular, alguém lhe disse que quando anjos em um mortal querem se transformar, eles simplesmente pulam, este pensamento á deixa sem quase conseguir respirar.

IV
Ela então pensa, que ao contrário, sendo quem é, uma mortal moça, se pular em anjo, em uma imortal se tornará, basta então pular, é só firmemente nesta verdade acreditar.
Se pular a imortalidade ganhará, a teoria do espaço sem tempo, o tempo sem regular o espaço, basta somente uma coisa, ter coragem para se jogar.
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V
Ela divaga sobre esta possibilidade sem demora, lá de cima olha para um pedaço de sua cidade, em um momento como este não há mentira nem verdade á serem ditas, não há quem lhe diga palavras ricas ou vazias. Ela para, o espaço vazio olha, por um sentimento de esperança em sua vida ao céu implora, de sua face de moça linda uma triste lágrima rola. Do alto daquela janela o primeiro ato de uma peça trágica se desenrola.

VI
O pensamento em tornar-se um anjo ganha força, em sua mente ele aflora, enquanto a morte parece que se avizinha, ela percebe que há tanta vida lá embaixo, lá fora. Se pular imortal se tornará, asas de anjo ganhará, ela que sempre se sentiu par poderá se tornar agora impar, é só ter a iniciativa de saltar. Ela fica debruçada sobre a janela, nela a desesperança se esfrega, a verdadeira felicidade é uma mentira, uma fugaz quimera.

VII
Ela quer voar bem alto, ver com olhos de um anjo a realidade de quem vive sobre o asfalto, e sobre as asas que lhe foram dadas, semelhantes á de um arcanjo, a moça-menina quer para sempre calar o seu constante e triste pranto. Quando já resolvera pular, algo lhe demoveu desta decisão, isto lhe devolveu o ar para melhor pensar, uma visão que lhe comoveu o coração. Uma pequena e colorida borboleta por ela passou, algo nela então mudou.

VIII
As borboletas não pulam, na vida acreditam, por um tempo se encerram em um casulo, ainda não são borboletas, e neste tempo que ficam encerradas em um novo ser se transformam. E quando rompem o invólucro de sua transformação, cumprindo com o ciclo de sua renovação, dão ao coração da vida, uma nova e fulgurante emoção. Ela recua, da janela se afasta, ela não quer mais ser um anjo, ela deseja ser uma bonita borboleta, ela decide se dar uma nova chance. Neste momento, aquela borboleta que vira e que resolvera entrar pela janela adentro, em anjo se transformou, e alegremente lhe abraçou, e com lágrimas nos olhos ao coração lhe falou: - Que bom que você não pulou.
[Ela de verdade não pulou].

ELTON DAS NEVES O ANJO DAS LETRAS.

Esta poesia foi totalmente inspirada e compilada, em cima do texto criado pela Sandrinha, a administradora do blog “Ausência do meu eu”:
http://brancoausencia.blogspot.com/
O texto dela em sua versão original se intitula “E...ela pulou”. O link á frente leva á visualização do comentado texto:
http://brancoausencia.blogspot.com/2008/11/eela-pulou.html ------------------------------------------------------------------
Obrigado amiga por não ter pulado, hoje você se tornou uma linda borboleta que ás vezes é um anjo, e que tem me inspirado á escrever sobre o melhor da vida. E que tem também ajudado á um monte de gente á vencer tabus e preconceitos, e tem orientado ás vitimas deste mesmo preconceito á deixarem de serem vitimas, para serem pessoas fortes, batalhadoras e vitoriosas, sobre tudo e todos que tentam de alguma forma lhes castrar como seres humanos dignos que são, com direito pleno á felicidade, sem tentarem ser quem não são, só para agradar a sociedade hipócrita em que vivemos. Beijos em teu coração. Daquele que sempre será seu-, ELTON DAS NEVES O ANJO DAS LETRAS. Cubatão, 29 de novembro de 2008.


"Só a ausência é branca, a impossível ausência. Escolher. Teria sido necessário escolher antes de tudo as próprias circunstâncias em que se impõe a escolha" [Simone de Beauvoir].

Um comentário:

Helena C de Araujo disse...

Sem palavras diante de poema tão profundo e tão belo. A história que o inspira é comovente. Lindo!! Grande abraço!