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Quando o amor é puro, forte e verdadeiro

terça-feira, 13 de abril de 2010.
          Quando ainda éramos crianças, não percebíamos como o mundo era tão complexo, pois, entendíamos apenas que ele se resumia na igreja matriz, na praça, na escola e na cachoeira, onde brincávamos, na pequena cidade do interior onde morávamos.
         
           O céu parecia tão perto do alcance de nossas mãos, a tal ponto que pensávamos ser possível tocar as estrelas com elas. No reflexo do teu sorriso de menino inocente, eu me sentia a mais feliz das meninas, ainda que não percebesse o quanto era ingênua.   Quando nos encontrávamos no pátio do colégio, eu tinha os melhores momentos da minha vida, pois, na nossa simplicidade e pureza de crianças, a semente do amor era plantada em nossos corações.

            Eu me lembro, agora achando graça, que as meninas, durante o intervalo das aulas, te cercavam, fascinadas com tua beleza encantadora, e eu, morrendo de tristeza e raiva, ia chorar escondida no banheiro, já alvejada pela seta dolorosa do ciúme. 

            Nos finais de semana, quando íamos com nossas famílias para o sitio que pertencia a teus pais, eu me recordo que adorávamos correr de mãos dadas em meio à pequena plantação de trigo que lá havia. Por fim, exaustos, caíamos ao chão, rindo por demais, então, era quando tu te viravas para mim e olhando-me nos olhos, beijava-me com uma ternura palpitante e cândida.

             Jamais vou me esquecer do dia em que tive de dizer-te adeus. Já éramos quase adultos e então partimos para a cidade grande e fomos estudar em faculdades diferentes, em lugares distantes um do outro. Mas eu devo te confessar que, mesmo longe, mesmo com o passar do tempo, continuei te carregando dentro do meu coração.
            
            Mesmo namorando outros rapazes, eras tu, tua doçura, teu carinho, que eu insistia em buscar neles. Nas férias, quando retornava à nossa pequena cidade, eu sonhava em encontrar contigo por acaso, ao dobrar uma esquina, e sofria sempre quando chegava a algum lugar, e nossos amigos me diziam que tu estiveste ali, mas, que, há poucos minutos, havia ido embora. 

            Os anos se esvaíram pelos nossos dedos feito areia. Eu me formei médica pediatra e soube, por carta dos meus pais, que havias concluído também o curso de engenheiro civil. Neste meio tempo, eu havia terminado um namoro, mais um, dentro da minha lista de relacionamentos frustrados.

            Resolvi passar o final do ano na casa de meus pais, para descansar um pouco do estresse daquele último período de faculdade. Passada uma semana, recebemos um convite para passarmos o final de semana no sitio da tua família.  Uma das poucas coisas que não haviam mudado em nossas vidas, fora os fortes laços de amizade construídos através dos anos  entre os nossos parentes.

            Chegamos tarde da noite e fomos dormir, mas, lembro de ter acordado cedo e caminhar pelos arredores do sitio. Quando eu vi a pequena plantação de trigo, parei diante dela e, em poucos segundos, lembranças de momentos maravilhosos de minha infância e adolescência inundaram a minha mente, iluminando-a com uma felicidade que há tempos eu não sentia.

            Fechei os olhos, respirei fundo e deixei-me levar pelo furacão das imagens daquelas doces lembranças. Foi quando ouvi uma voz: “- Vai uma corrida aí, moça bonita?”
            
             Ao abrir os olhos e me virar na direção do som daquela voz tão querida, me deparei com teu lindo sorriso que, desde a minha infância, me fez escrava. Não sabia que estavas no sítio, mas, senti que ao tornar a ver-te, foi como se o amor que esquecera em algum ponto de minha existência retornasse. Emocionada, abracei-te, sentindo lágrimas da alegria a escorrer em minha face, redimida por aquele momento mágico.

            Hoje, somos um casal que aprendeu a resgatar e cultivar o amor nascido na infância. Um amor que nos ensinou que, nem o tempo, nem o espaço, nem a distância, nem as dificuldades da vida, podem destruí-lo, quando ele é puro, forte e verdadeiro.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

2 Comentários:

Kassya Mendonca disse...

Sim o amor quando é puro, inocente e verdadeiro; não pode ser destruído; pois este amor supera outros amores ou a distância e permanece no coração, como a Fênix; renasce das cinzas para o esplendor com um simpes olhar, com um simples "olá", o amor estava lá vivo e forte, esperando somente a oportunidade de florescer, de ser resgatado para ser vivido.

Linda desertação, envolvente!
Beijos!

Elizabeth disse...

Parabéns, Texto encantador, o amor sempre esteve lá...

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