domingo, 19 de setembro de 2010

Dollores- V- parte- Olhares por entre a cortina!!!

****Ao virar-se para trás em meio á toda aquela chuva que descia arriada das bocas abertas das nuvens de cor de chumbo que encobriam o céu de Santos deixando-o com uma tonalidade acinzentada, Dollores e Cláudia para a sua surpresa avistam dentro de um taxi que havia estacionado rente ao meio fio da calçada onde ficava a fachada da casa onde as duas moravam, as figuras conhecidas de Tia Augustina e o jovem boxeador Aristóteles.



****Após pagarem o taxista pela corrida feita da rodoviária de Santos até aquele bairro, os dois visitantes esperados abandonam o veículo, Tia Augustina desce do taxi amparada por Aristóteles que segura para ela assim como para si mesmo, um enorme guarda chuva preto com o intuito de se proteger daquela incomoda tempestade que rapidamente aparecera e desaguara sobre o litoral santista.


****O taxi parte apressadamente, deixando aquelas quatro pessoas conhecidas debaixo daquela forte chuva em frente ao portão que ainda jazia trancado os impedindo de se refugiarem debaixo do teto daquela casa que se erguia convidativa á frente deles.


****Sem perder mais tempo, Dollores enfia a chave na fechadura do portão girando-a sobre o som de um estalido metálico, assim que consegue abri-lo, ela passa por ele, sendo seguida por Cláudia, Tia Augustina e o jovem pugilista Aristóteles.


****Em frente à porta da casa e estando protegidos pela área frontal da residência que fica coberta pelo seu telhado, finalmente o quarteto consegue se cumprimentar em meio a abraços e afagos cheios de saudades, carinho e plenos de alegria de poderem se rever novamente, mesmo que tal feliz reencontro tivesse de ocorrer dentro daquela turbulenta ocasião.


****Quando os cumprimentos são cessados por ambas as partes, Dollores faz menção de enfiar uma nova chave desta vez numa fechadura diferente, na da porta de entrada da casa onde residia com suas duas amigas, ao que é impedida por Cláudia de fazê-lo, pois esta ultima lhe recomenda que não adentrem a residência por ali, pois se assim o fizessem molhariam o tapete da sala todinho, haja vista que tanto as duas como tia Augustina e Aristóteles estavam molhados, afinal o guarda chuva que o jovem pugilista campeão empunhara minutos atrás, tinha protegido muito pouco á ele e Tia Augustina ao saírem do taxi tamanha a torrencialidade da chuva que caiu sobre suas respectivas cabeças.


****É decido em comum acordo pelas duas jovens amigas, que elas assim como seus dois visitantes vindos da capital paulista dêem á volta pela lateral da casa para poderem entrar pelos fundos penetrando no interior da residência pela porta de entrada da cozinha.


****Os quatro adentram a cozinha da casa molhando inevitavelmente o chão do recinto, pois de seus cabelos, vestes e corpos por inteiros escorrem os pingos das águas da chuva á que foram expostos quando estes estavam á céu aberto.


****Passados alguns breves momentos Tia Augustina pergunta á duas moças de onde elas estavam chegando quando foram surpreendidas por aquele aguaçal portentoso vindo dos céus.


****Ao que Cláudia ao puxar de dentro de sua blusa a embalagem que envolvia a capa de plástico duro que guardava a mídia de DVD, lhe responde que tinham ido a vídeo-locadora alugar um bom filme para que pudessem assisti-lo todos juntos mais tarde.


****Então Aristóteles pergunta de sua noiva Fátima, porque ela não se encontrava em meio ás suas duas amigas, ao que Dollores lhe responde que á tinham deixado em casa tomando banho para que pudesse recepcioná-los.


****Com isso Cláudia comenta se lembrando que com aquele atraso todo faltava ainda á ela e Dollores para tomarem banho para que juntamente com Fátima pudesse recebê-los dignamente.


****De súbito Aristóteles volta em um movimento rápido o pescoço para a direção da porta interna da cozinha que conduz á um pequeno e estreito corredor que por sua vez faz ligação com outros cômodos da casa inclusive o da sala.


****Ele parece escutar algo que as três mulheres que estão juntas á ele por algum motivo de imediato não conseguem ouvir.


****Percebendo seu comportamento e expressão facial estranhos, o trio feminino lhe pergunta o que está havendo para que haja daquela forma esquisita, como querendo apurar com seus ouvidos algo que tudo indicava não tinha sido percebido ou captado ainda pelos tímpanos delas.


****Sem responder absolutamente nada, o campeão paulista e vice-campeão brasileiro da atualidade dos pesos pesados se encaminha para a porta interna da cozinha passando por sua abertura estreita.


****Com passos bem medidos e de uma suavidade que os deixam quase que imperceptíveis á audição humana ele atravessa o pequeno corredor que é ladeado pelas portas dos três quartos onde respectivamente dormem Dollores, Cláudia e Fátima.


****Aristóteles ainda passa ao lado do banheiro, terminando seu trajeto curto na porta interna de acesso da sala que tem bem no meio de sua abertura um cortinado de pano todinho feito em tiras.


****O jovem pugilista virando sua cabeça suavemente para trás, percebe que coladas ás suas costas as três mulheres o seguem com os mesmos passos sorrateiros que ele usara para chegar até ali, ainda que elas estejam sem entender o porquê que estavam agindo daquela forma estranha.


****Aristóteles coloca o dedo indicador de sua mão direita entre seus lábios em um claro sinal que estava pedindo silêncio, ao perceber que as mulheres entenderam o que desejava delas com esse seu gesto, ele gira vagarosamente seu corpo novamente na direção da porta com o cortinado em tiras de tecido.


****Os quatro então ficam no mais absoluto silêncio, estáticos como verdadeiras estátuas ao pé da porta interna de acesso a sala da casa onde se encontram, tendo a sua presença ali camuflada pela cortina de pano em tiras, quando aos poucos estes começam á escutar um choramingo.


****Com os dedos de uma de suas mãos, Aristóteles afasta algumas tiras do cortinado de lado provocando uma pequena abertura para que possa ver o que ocorre do outro lado dele no interior da sala.


****Por cima dos largos ombros de Aristóteles praticamente se erguendo nas pontas dos seus pés, Dollores juntamente com Cláudia e sua tia Augustina contemplam surpresas a cena que se desenrola diante de seus olhos por meio daquela pequena abertura feita pelos dedos das mãos do jovem boxeador que se coloca á frente delas.


****O que elas na companhia de Aristóteles assistem é algo em que mal podem acreditar.
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Continua...
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ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.
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Leia a VI e ultima parte desta crônica clicando neste link: Dollores- VI e ultima parte- A trairagem!

2 comentários:

aline disse...

Boom texto!

Parabens. ameeei seu blog =)

Proibida disse...

demais, suspense em dobro.