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Dollores - VI- e ultima parte- A trairagem!!!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010.
*****E não é para menos, o quarteto encoberto pelo cortinado de pano em tiras, vêem Fátima enrolada em uma toalha com um vaso nas mãos ameaçando atirá-lo em cima de Arlindo Casanova, este por sua vez parece lançar para ela um olhar alucinado de cobiça que acompanha a sua atitude de tentar acercar-se da moça, que parece tentar se defender do ataque do irreconhecível namorado de Dollores.



*****Arlindo e Fátima fazem um movimento giratório em torno da mesinha de centro da sala, um movimento na verdade inconsciente de ambos e que é provocado pelo fato dele tentar tomar o vaso que por sua vez a moçoila empunha para se defender de seu assédio de tarado descontrolado.


*****Então para o aumento da estupefação e da surpresa de quem acompanha a cena daquele acontecimento inusitado por ser totalmente inesperado, começa entre Arlindo e Fátima um diálogo no mínimo chocante para quem os ouve.


*****Fátima extremamente nervosa e para quem á conhece, sabe que quando fica naquele estado emocional a moça quase que perde a sua voz sobrando do som dela um verdadeiro fiapo, pergunta extremamente abalada para Arlindo porque o rapaz está procedendo daquela forma tão fora de propósito com ela.


*****Este por sua vez para responder a Fátima, parece cessar os seus movimentos de tentar dar a volta sobre a mesa de centro para tentar desarmá-la do vaso que a jovem moçoila ainda segura firmemente para tentar contê-lo de seu despudorado assédio á sua pessoa.


*****Arlindo em meio á um sorriso sínico e falando em um tom de voz totalmente malicioso lhe responde dizendo-lhe que sempre admirara a sua beleza de sensualidade extrema, que por diversas ocasiões quando estivera naquela casa para estar com Dollores, não conseguia por mais que se esforçasse tirar os olhos dela, de Fátima, pois tudo na moça parecia mexer com sua cabeça de homem, a aparência magnífica de seus cabelos e rosto, o formato e brancura perfeitos de seus dentes que faziam dela dona de um belíssimo e estonteante sorriso.


*****Além de seu corpo que era senhor de um desenho escultural fantástico, fazendo de Fátima segundo suas palavras, uma obra prima de perfeição estética feminina projetada pelos próprios deuses luxuriosos da beleza.


*****Arlindo ainda lhe diz conseguindo conservar todo aquele cinismo e malicia sórdida em seu sorriso assim como ao seu timbre de voz que, ao conhecer Dollores quando este foi à farmácia em que ela trabalhava para comprar um remédio para poder se curar do mal da gripe que o atormentava naquela época, nuca tinha visto uma mulher tão bonita e de uma sensualidade tão provocativa quanto ela.


*****Tinha na realidade a achado um fruto delicioso á ser colhido e experimentado em sua boca que sempre soube apreciar o sumo gostoso da beleza feminina.


*****Então depois que começara o seu relacionamento romântico com Dollores e por conseqüência disso, fora apresentado mais tarde às duas amigas que moravam com ela, no momento em que os seus olhos bateram em Fátima, ele não acreditava no que estes lhe mostravam, afinal o safardana para a sua total surpresa, em sua opinião havia descoberto na referida jovem moça, uma beleza ainda superior que tinha contemplado em sua mais nova namorada.


*****Fora cobiça á primeira vista, Arlindo queria deixar bem claro naquele momento para Fátima que, ele não era homem de se apaixonar por mulher alguma nesta sua vida, então o termo certo que lhe cabia naquela situação não era o usual e conhecido “paixão á primeira vista”, e sim aquele á qual acabara de enunciar, “cobiça á primeira vista”.


*****Surpresa pelo que tinha acabado de ouvir da parte de Arlindo Casanova e com a voz embargada pelo choro e nervosismo Fátima lhe indaga o seguinte, se ele não era homem de se apaixonar por uma mulher, o que estava fazendo namorando seriamente com sua prima Dollores a tal ponto de querer naquele mesmo dia ser apresentado á família dela como seu mais novo namorado?


*****Arlindo simplesmente lhe responde que como havia lhe explicado antes, quando vira pela primeira vez a Dollores tinha ficado muitíssimo fascinado por ela, e um desejo profundo de levá-la para a cama havia se apossado dele.


*****Só que em muito pouco tempo, depois de alguns encontros e conversar por telefone com Dollores, o moço descobrira que a bela garota vinda da capital paulista tinha sido educada de forma muito rígida, sobre parâmetros religiosos bastante austeros, por conseguinte ela não era nem de longe parecida com a maioria das moças que conhecia.


*****Arlindo havia chegado à conclusão que só atingiria seu intuito de seduzi-la lascivamente, se namorasse com ela fazendo-a se apaixonar perdidamente por sua persona, uma vez que tivesse em suas mãos o coração de Dollores, este conseguiria o que bem quisesse da inocente e ingênua moça.


*****Logicamente que depois que conseguisse levá-la para debaixo dos seus lençóis, daria no dia seguinte um grande chute em seu belíssimo e instigante traseiro.


*****Então para chegar ao que tanto desejava, realizar aquele teatrinho para a família da namorada se fazendo passar por um bom moço fazia parte de seus planos de sedução para envolver com eficácia á Dollores.


*****No entanto, permanecer com aquela farsa tinha com o passar do tempo ganhado um outro e novo atrativo, além de querer possuir Dollores, Arlindo vinha criando em seu coração também o desejo de apossar-se sexualmente da própria Fátima.


*****Com isso mataria dois coelhos com uma cajadada só, ou melhor, duas coelhas belíssimas e desejáveis com uma cajadada só. E por coincidência as duas coelhinhas eram primas.


*****Por fim Arlindo conclui que está acostumado á fazer em sua vida este tipo de coisa, que desde a sua mais tenra idade conseguira levar qualquer mulher que quisesse para a sua cama, isto das mais puritanas até ás mais safardanas. E que com toda a certeza não seria diferente com ela Fátima e sua prima que bancava a santinha, a “certinha” da Dollores.


*****Então ao proferir tais palavras conclusivas, Arlindo Casanova aponta o indicador de uma de suas mãos para Fátima dizendo-lhe de forma autoritária que diferentemente de sua prima Dollores, com ela em especial, não usaria de sedução de forma alguma, que simplesmente exigiria que esta se entregasse por livre e espontânea vontade em seus braços, e que se assim a moça não o fizesse, mesmo a muito contragosto dele, seria obrigado á tomá-la para si usando a força bruta, por isso seria muito melhor para ambos que a coisa acontecesse sem que extremos precisa-se ser tomados.


*****Deste modo aquele Casanova brasileiro revelava com aquelas suas palavras, que nem sempre tivera usado de sedução e sutileza para possuir sexualmente aquela multidão de mulheres que desde muito cedo houveram passado em sua existência até aquele momento, mas que muitas delas foram forçadas á ceder ás suas vontades depravadas sucumbindo ao emprego da força física bruta masculina daquele covarde e violento rapaz.


*****Agora estendendo as suas duas mãos com as palmas delas viradas para cima, Arlindo pede a Fátima que lhe entregue o vaso e venha até ele, pede-lhe também que pare com aquele choro todo, e de forma sórdida recomenda-lhe que relaxe e com a situação prazerosa que este lhe estava oferecendo que simplesmente ela por sua vez, gozasse.


*****Arlindo lembra ainda á assustada e enervada Fátima, que estava caindo o mundo lá fora com aquela tempestade súbita, e que com toda a certeza sua prima Dollores e sua amiga Cláudia tinham ficado presas em algum lugar esperando a chuva passar, enquanto que por sua vez, sua mãe Augustina e seu namoradinho pugilista, o famoso Aristóteles, teriam dificuldades em chegar até ali mesmo de taxi, haja vista que quando chove muito por aquelas redondezas na cidade de Santos, as ruas ficam imensamentes alagadas dificultando em muito o tráfego com carros.


*****Deste modo Arlindo conclui que eles teriam um tempo mais que razoável para fazer uma “brincadeira” juntinhos antes de todos chegarem para aquele que seria um almoço familiar, onde seu namoro com Dollores seria oficializado perante a mulher que a criara,aquela que sendo deste modo era praticamente a sua mãe, a tão comentada tia Augustina.


*****Ainda com as palmas das suas mãos voltadas para cima, Arlindo caminha na direção de Fátima fazendo-a recuar ficando praticamente acuada a uma das paredes da sala que tem atrás de si, segurando com lágrimas nos olhos e tremula de tanto nervosismo ainda o vaso que pegara para se defender de Arlindo.


*****Então de súbito depois de ter ouvido o que considerara o bastante, Aristóteles atravessa a porta interna da sala passando por entre as tiras do cortinado de tecido que encobre a sua abertura sendo seguido de perto por Dollores, tia Augustina e sua irmã Cláudia.


*****Surpreso com a aparição daquelas quatro pessoas dos quais duas delas ainda lhe era desconhecidas, é Arlindo que agora faz um movimento de recuo mostrando em sua face uma expressão assustada, como que não esperando aquela aparição inusitada e bem fora de hora daquele quarteto composto por um rapaz que mais parecia um guarda roupa de tão enorme que era fisicamente, acompanhado por Dollores a sua namorada, sua amiga Cláudia que por sua vez tinha ao seu lado uma senhora que trazia em sua feição carrancuda e muitíssimo séria, a imagem do puro descontentamento.


*****Dollores com lágrimas abundantes descendo de suas faces e lançando um olhar de puro desapontamento misturado á estupefação, se aproxima de Arlindo dizendo-lhe que nunca esperaria isso dele, afinal tinha confiado no seu amor e nas suas boas intenções.


*****Assim que Fátima vislumbra a imagem de seu namorado que atravessara a cortina da porta da sala vindo a frente das três mulheres, ela solta rapidamente o vaso fazendo-o se espatifar ao chão indo correr na direção de Aristóteles abraçando-o fortemente e cai em um choro convulsionado marcado por soluços muito fortes.


*****Aristóteles por alguns segundos á recebe em seus braços e acaricia seus cabelos em um terno afago querendo com isso consolá-la e transmitir-lhe segurança e confiança que nenhum mal lhe seria feito, que agora ele estava ali, bem perto dela para protegê-la.


*****Então ele a solta fazendo-a se dirigir aos braços de sua mãe, Augustina, esta ultima por sua vez ampara sua filha amada recebendo-a junto ao seu peito em um forte e amoroso abraço.


*****Aristóteles com uma de suas mãos toca suavemente no ombro de Dollores e num movimento de cabeça para o lado faz um sinal que se afaste. A moça entendendo o que o amigo lhe pede através deste seu gesto, deixa aquele ponto da sala indo juntar-se ás outras três mulheres que estão na outra extremidade daquele mesmo recinto.


*****O jovem pugilista é quem se aproxima agora de Arlindo que trêmulo e ainda surpreso olha com seus olhos esbugalhados para a aproximação daquele gigante que mais parecia um amontoado de músculos bem definidos em forma de homem.


*****Aristóteles dirige á Arlindo um sorriso que demonstra a mistura de sarcasmo e ódio, e diz-lhe em palavras bem medidas e compassadas que, ele Arlindo tinha se equivocado ao pensar que aquela família era feito de açúcar, sendo deste modo não seria uma chuva por mais forte que tenha sido aquela que iriam pará-los ou atrasá-los ao extremo para o compromisso que tinham firmado naquele dia, pois todos ali excluindo o próprio Arlindo vinham de uma cidade que chovia tanto que era denominada a “terra da garoa”, sendo assim estavam acostumados a se virarem em situações difíceis como aquela de enfrentar grandes temporais.


                  Conclusão.


*****O que era para ter sido um grande e alegre almoço em família tornou-se ao contrário um evento bastante desagradável para Dollores e seus parentes, principalmente para seu namorado Arlindo Casanova que naquele dia tomou a pior surra de sua vida, tão espancado que foi por Aristóteles pelo fato do jovem santista safardana ter tentado abusar sexualmente de sua amada Fátima e pela extrema má caratice que vinha usando tão descaradamente com Dollores vindo só á namorá-la segundo as suas próprias palavras, com a única e sórdida intenção de levá-la para a cama.


*****Depois de ter saído da Beneficência Portuguesa, um conhecido hospital de Santos após receber alta, nunca mais alguém naquela cidade viu ou ouviu falar novamente de Arlindo Casanova.


*****Enquanto a família de Dollores, a sua tia Augustina resolvera que ela e sua prima Fátima e sua amiga Cláudia, retornariam a São Paulo capital, pois nem ela e nem seu futuro genro, o jovem Aristóteles nunca gostaram da idéia das três moças irem morar sozinhas em outra cidade, só permitindo tal coisa por causa da insistência das moçoilas em questão que alegaram que as oportunidades de emprego na baixada santista estavam melhores do que na capital paulistana naquela época em que ainda moravam por lá.


*****Agora dentro do ônibus que sobe a Serra do Mar em direção a grande metrópole São Paulo, Dollores se enche de questionamentos enquanto relembra tudo que lhe acontecera no seu funesto caso de amor com Arlindo Casanova, sobre onde errara mais uma vez vindo a ser vitima de um outro homem canalha que como ele aparecera em sua vida novamente.


*****Acompanhada por sua família nesta viagem, ela mesmo ferida por dentro por tudo que Arlindo lhe fizera, não deixava de sentir um certo conforto, afinal Dollores sabia que estava retornando para a sua verdadeira casa.


*****Um ano depois do ocorrido, e já readaptada a vida em São Paulo, Dollores vai junto com sua prima Fátima que casara com Aristóteles a um treino dele na academia de luta onde este ultimo fora revelado para o boxe brasileiro.


*****Neste treino ela conheceu o sparring de Aristóteles, um jovem rapaz chamado Gumercindo mão de onça, um promissor boxeador da nobre arte.


*****Foi paixão a primeira vista de ambas as partes, com ele Dollores finalmente depois de seus dois últimos relacionamentos fracassados, achou a verdadeira felicidade ao lado de um homem.


*****O jovem casal depois de um determinado tempo chegou a se unir em matrimonio e tiveram lindos e sadios filhos.


*****Por vezes a busca do verdadeiro amor nos leva a um caminho bastante espinhoso, mas a estória de Dollores e sua perseverança em achá-lo ainda que com um pouco de hesitação e porque não dizer com um certo medo de se machucar ao se deparar com tal sentimento, nos ensina que por mais decepções e desilusões que tivermos ou tenhamos ao longo de nossa vidas com o relacionamento romântico, não se deve passar pelas nossas cabeças a idéia da desistência em encontrá-lo, pois mesmo andando em dentro de um túnel escuro, nos caberá sempre acreditar que no final dele veremos a luz do amor brilhando refulgente para quem deseja ser iluminado por ele.


                               FIM.


ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

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