quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Lua de sangue!- O encontro marcado na Champ de Mars.- IV- parte.

****O encontro marcado para o embate entre os dois homens-lupinos foi o Champ de Mars uma das maiores áreas verdes de Paris, e também uma das mais famosas localizações da capital francesa, haja vista que os jardins que compõe esse terreno ficam entre a École Militaire e a icônica Torre Eiffel.

****Morando juntamente com sua irmã ao sul da Champ de Mars em um luxuoso prédio localizado na Avenida Suffren, Gabriel não demoraria em chegar com seu carro que naquele momento dirigia até o ponto de encontro marcado por Santiago, o homem que o havia transformado no atual grande terror das ruas de Paris.

****A imprensa francesa que nos últimos meses estava dando destaque às mortes misteriosas falava quase sem cessar de um assassino que provavelmente não era humano a julgar pelas mutilações verificadas pela policia parisiense nos corpos encontrados das vitimas.

****O Instituto Nacional de policia cientifica da frança a INPS em suas investigações nos restos mortais das pessoas assassinadas verificaram marcas latentes de dentes e garras dilacerantes que só poderiam ter sido feitas por um animal de grandíssimo porte.

****A questão que inquietava tanto autoridades nos segmentos político quanto policial era de qual seria sua espécie, sendo que outra pergunta que igualmente tomava a preocupação de todos, era onde essa provável besta após suas práticas predadoras se escondia em uma cidade como Paris!

****Saindo da Avenida de Suffreen e se dirigindo a Avenida Charles Floquet, Gabriel guia seu automóvel tomado por um sentimento de anciosidade que nunca experimentara antes em toda a sua vida, ele olha de dentro de seu veículo para o céu parisiense que ainda está encoberto por nuvens escuras que ocultam atrás de si a face reluzente da lua cheia, neste momento ele pensa na urgência de encontrar a Santiago antes que ela reapareça novamente trazendo consigo a maldição lupina. Ambos os lobisomens precisam confrontar-se antes da transformação.

****Da Charles Floquet Gabriel alcança a Abée Thomy Thierry de onde se desloca através de uma travessa até ganhar finalmente a Champ de Mars.

****Uma vez fora do seu carro, vestido elegantemente com um sobretudo negro, ele caminha a passos pesados com a sua respiração tensa pelo seu nervosismo, ela que sai de suas narinas e boca esfumaçada por causa do frio intenso que naquela noite açoita Paris com seu látego de gelo.

****Os gramados ladeados em suas laterais por magníficas arvores ornamentais da Champ de Mars estão vazios, o que absolutamente não seria normal em tempo algum, por ser essa extraordinária área verde um dos principais locais turísticos da cidade Luz, no entanto, o medo dos cidadões parisienses e de turistas provenientes do mundo inteiro era estarrecedor por causa dos ataques hediondos daquele que a mídia francesa havia batizado de “Le monstre de Paris”.

****Sendo desde modo, aquela solidão surreal que preenchia os suntuosos jardins daquela localidade era totalmente explicável mediante as atuais circunstâncias.

****E Gabriel contemplando tal situação com seus próprios olhos entendera agora o porquê da escolha por parte de seu antagonista pela Champ de Mars para local daquele que com toda a certeza seria o embate definitivo e mortal entre eles, a solidão vazia daquele verdejante parque fazia dele o lugar perfeito para tal intento, um lugar desprovido de testemunhas inconvenientes.

****Subitamente o silêncio que cerca Gabriel por todos os lados naquele seu caminhar solitário sobre a relva esverdeada é quebrada pelo toque do seu celular que agora trazia com ele em um dos bolsos internos de seu sobretudo de tecido escuro. Reconhecendo de imediato o numero telefônico mostrado pelo identificador de chamadas de seu aparelho no visor de cristal liquido do mesmo, ele atende a chamada exclamando:- Eu tinha absoluta certeza que assim que conseguisse por os pés nos jardins deste maldito lugar você me ligaria irmãzinha!

****Do outro lado do aparelho telefônico móvel a voz angustiada de Gabriela reverbera mostrando todo o reflexo emocional de sua preocupação, ela replica ante a frase afirmativa do irmão: - Eu estou preocupada Gabriel, jamais deveria ter permitido que você fosse sozinho se encontrar com esse monstro assassino, agora fico aqui sozinha em casa pensando no que pode lhe ocorrer de mal com o meu coração nas mãos!

- E se você tivesse vindo até aqui Gabriela o que poderia fazer para me ajudar?Deixe por minha conta irmãzinha, se estivesse comigo tenha a certeza que só exporia a tua vida em risco sem a menor necessidade. Saiba que para enfrentar um lobisomem de igual para igual somente um outro lobisomem. Uma humana frágil e indefesa como no seu caso, apenas seria mais uma vitima fácil nas garras afiadas de Santiago e isso se ocorresse de eu falhar em matá-lo, sendo que se algo te acontecesse de ruim por minha exclusiva culpa, nem mesmo morto eu me perdoaria!

- Mas tem certeza Gabriel que não há nada absolutamente que eu possa fazer para lhe ajudar?

- Bom a não ser que tenha uma arma com o pente cheio de balas de prata irmãzinha, realmente não há nada que possa fazer por mim nessas circunstâncias!- Responde sarcasticamente Gabriel a pergunta de sua irmã, essa inconformada com o tom brincalhão da resposta replica-lhe:- Nem em momentos difíceis como nesses, você dá um tempo nessas suas brincadeiras sem graça e fora de hora, eu estou falando sério contigo seu moleque sem juízo!

- Veja, eu não estou brincando totalmente irmã, só uma maneira de um humano enfrentar um lobisomem, e é o alvejando com balas de prata!

- Balas de prata, você tem plena certeza disso?

- Lógico que tenho, ou você acha que não tomei o cuidado de estudar tudo o que diz respeito às coisas da minha espécie?No entanto mesmo essa tentativa seria perigosíssima, pois uma vez errado o alvo o atirador seria em questões de poucos minutos feito em pedaços, por isso nem pense nessa hipótese, até porque você me conhece muito bem e sabe que eu só estava mais uma vez brincando com a minha irmãzinha querida.

****Percebendo que Gabriel não permitiria seu envolvimento naquela situação perigosa, Gabriela suspira mostrando transtorno e inconformismo com aquilo tudo que estava ocorrendo.

****Ambos ficam por algum tempo em silêncio, as mãos apertando os seus respectivos celulares, como que desejando que aquele aperto fosse o de um abraço forte, aquela espécie de abraço capaz de exorcizar todo o temor que naquele momento dominava seus corações de irmãos que se amavam muito, o temor que envolvia o sentimento de que talvez, após aquela funesta noite, nunca mais voltassem a se ver novamente.

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

“Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada”.
(Fernando Pessoa).

3 comentários:

Aмbзr Ѽ disse...

é tudo uma questao de espera até os detalhes - sangrentos, eu espero, dessa batalha que se inicia. como eu disse é muito para um final. paris como plano de fundo ficou otimo.

Amadeu Paes disse...

Comovente este capítulo, mas estamos ansiosos com o embate que se aviziha.

Valéria Russo disse...

elton, elton.../
to nervosa...
vou ao próximo texto..
bjuivos.