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A garota Satã! - A mudança forçada. - II - Parte. - Crônicas de Salém!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010.
         Bem a nossa frente, envolta em um manto branco de névoa, nos apareceu um intrigante e misterioso personagem, uma mulher trajando um longo vestido de cor tão alva quanto aquele fog da Serra do Mar que a envolvia.

         Lembro-me vagamente que um sinistro arrepio transpassou minha coluna vertebral ao deparar-me com aquela sombria visão.

         Seus cabelos negros caiam-lhe aos ombros, e esses poucos detalhes são os únicos que me lembro, pois mais que me esforce, não consigo recordar-me da feição de seu rosto, como se a memória dele estivesse presa em algum lugar na região das lembranças em meu cérebro.

         Ainda nas sombras das minhas memórias daquela funesta tarde fria de julho, recordo-me que meus pais intrigados com a figura misteriosa e solitária daquela mulher, vagando no alto da rodovia Imigrantes, resolveram parar com o propósito de perguntar-lhe se precisava de auxílio, eles deveriam ter achado que o carro dela teria quebrado próximo do ponto da pista em que estávamos trafegando naquele momento.

         Então para minha grande dor e frustração, a única coisa que ficou guardada em minha mente daqueles últimos momentos que se seguiram, foi ver um rápido dialogo entre minha mãe e a tal mulher de branco pela janela do nosso carro que tivera o seu vidro abaixado.

         Curvada do lado de fora sob a janela do passageiro do veículo estacionado em meio aquele denso nevoeiro, aquela tétrica personagem parecendo vir de um filme de horror, depois de ter encerrado aquela curta conversa com sua interlocutora, se vira para a porta de trás do carro para poder então adentrá-lo, eu me afasto para o lado para dar-lhe espaço no banco traseiro onde estava acomodado.

         Então como já dissera antes, essas cenas nebulosas são as únicas que ficaram em minha cabeça, antes de tudo inexplicavelmente se apagar a minha volta.

         Então quando consigo despertar daquilo que parece ter sido um profundo sono, me vejo de forma surpreendente em uma cama de hospital, tendo a minha frente um inspetor de policia pronto para me clivar de inúmeras perguntas, antes de me informar que meus pais haviam sido mortos de forma atroz, pois, foram encontrados em seus respectivos lugares dentro do carro em que estávamos, com seus pescoços rasgados.

         Apesar do choque, eu não pude explicar o que tinha ocorrido com eles, só pude relatar os poucos flashs das lembranças que conseguiram ainda ficarem retidas em minha comprometida memória.

         Apesar de ter-lhes falado da mulher, a policia disse-me não ter encontrado carro algum que tivesse sido danificado nas proximidades da rodovia daquele ponto em que fomos achados por eles, e muito menos havia sinais de que alguma pessoa estranha havia estado no interior do veículo conosco, ao menos foi o que a perícia da policia cientifica havia apurado.

         Apesar dos acontecimentos que nos mostravam o quadro de um crime hediondo, a policia não tinha nada à fazer para poderem ter a mínima ideia de quem tivesse cometido tal atrocidade à meus pais, não haviam marcas de digitais em nenhum centímetro do interior do volvo prateado de meu genitor, em seus corpos exumados também não existiam vestígios que pudesse fazer com que chegassem a presumir o que ou quem teria sido o autor de seus  respectivos assassinatos.

         A única coisa que tinham era a palavra de um garoto de dezoito anos desmemoriado sobre uma mulher vestida de branco, onde não haviam sinais claros nenhum de sua existência ou que tinha estado no interior de nosso veículo tornando-se assim nossa passageira de ultima hora.

         Assim por faltas de provas o caso foi tido como encerrado, numa só palavra, arquivado sem dó ou piedade.

         Em relação ao meu futuro dali por diante, nesta nova condição de órfão de pai e mãe que me encontrava, ficou decidido que eu iria morar em Salém com um casal de tios meus, ele irmão de meu falecido pai, chamado Fernando, ela atendia pelo nome de Rosalinda.

         Estes meus tios não puderam ter filhos em suas vidas, então apesar dos últimos acontecimentos de aspecto trágico e pelo fato de ser eu seu sobrinho, ficaram felizes em poderem ficar comigo, e darem seqüência em minha formação e educação, já que isso fora negado pela vida à meus pais fazerem.

         Após um período de três meses afastado da escola e de uma vida social normal, devido ao trauma a que fui acometido pela perda trágica e de forma hedionda dos meus pais, foi necessário segundo recomendações médicas, que eu aos poucos fosse retomando a normalidade das minhas atividades do dia à dia.

         Depois de doze semanas sem sair das dependências da casa dos meus tios, praticamente só vendo as ruas de Salém no dia em que vim em mudança forçada para cá, eis-me aqui, para os meus primeiros dias de aulas, mesmo que estivesse bem atrás dos outros alunos no que concerniam as disciplinas aplicadas no ano letivo, isso pouco importava, pois o que era fundamental para a minha pronta recuperação psíquica e emocional era voltar ao mundo exterior, o de verdade, repleto de pessoas e coisas diferentes, diversas, e não só ficar recluso naquele mundinho doentio que eu havia criado no quarto preparado para mim pelos meus tios afetuosos.

         Eu disse que estava para concluir o segundo colegial, agora percebendo as minhas reais dificuldades em acompanhar meus futuros colegas de classe por causa do meu comentado atraso em relação à eles, isso que falei me soou como uma piada de mau gosto.

         Mas se os médicos achavam que para sair de toda aquela depressão em que vivia, era necessário voltar ao convívio da sociedade, eu obedeceria a suas recomendações, afinal, estava difícil até para mim mesmo me suportar com o farol tão baixo com o qual eu andava, agora imagine para as únicas duas pessoas com quem convivia, no caso, meus dois pobres tios, nossa, não sei como eles conseguiram me suportar, sem nunca tê-los ouvido uma só vez sequer, se queixar do meu mau humor ou de minha postura triste e taciturna.

         Meu tio deixou-me na porta do Dante Alighieri, para depois seguir com seu opala azul claro para o seu trabalho em um escritório de contabilidade da cidade.

         Estaquei diante os portões altos feitos de aço da referida escola, respirei fundo, e me misturei à um fluxo de alunos que naquele momento adentrava os domínios daquela instituição de ensino.

         Levando minha mochila as costas que continha dentro dela todo o meu material escolar, eu busquei ainda como que levado por aquela onda compacta e densa de jovens estudantes, adentrar o pátio da escola, então procurei me informar onde ficava a secretaria do Dante, devidamente informado de sua localização, de imediato fui até lá. Depois de ter esperado sem muita paciência por alguns alunos que se espremiam diante do balcão de mogno da secretária do colégio a fim de serem atendidos por ela, quando chegou a minha vez, constatei que a saleta que compunha a secretaria era insuficiente em seu espaço para atender a entrada e saída do enorme fluxo de alunos que iam e vinham.

         Após ser informado por uma mulher corpulenta, de pele morena clara, cabelos pretos e olhos castanhos escuros, no caso a própria secretária do Dante, de qual seria minha primeira aula, me dando em seguida toda a minha programação durante todo o ano letivo, virei-me em direção a porta do recinto para abandoná-lo, ainda com dificuldade pelo aperto do lugar, e pelo já comentado entra e sai dos alunos que iam até lá.

         Ao passar pela porta, seguindo em frente a um longo corredor que dava as salas de aula, aconteceu algo de uma importância tal que abalaria mais do que já estava abalada a minha recente conturbada vida, um esbarrão, mas, não em uma pessoa qualquer, foi nela.

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

5 Comentários:

Valter Montani disse...

Meu caro amigo Elton, obrigado pelas visitas e comentários carinhosos em relação ao meu trabalho. Muito me satisfaz saber que pessoas da área como você admiram o que eu faço.
Parabéns pelos textos e pelo excelente blog que nos proporciona muito prazer ao visitar, saudações!

Kassya Mendonca disse...

intrigante tua crônica!
srsrs..mas vou deixar para comentar no final.
mas como sempre um texto primoroso!

bjus

Aмbзr Ѽ disse...

eu achei que a garota começa a fazer jus ao nome e o misterio me supreendeu ate o fim desta parte.

será que pinta romance?

abraços.

Aмbзr Ѽ disse...

vim desejar antecipadamente um feliz natal e um 2011 cheio de felicidades.
estou saindo de férias mas sempre que possivel, virei ler vc.
abraços fraternos.

http://terza-rima.blogspot.com/

Vivian disse...

Olá!!

Estou lendo as partes da história que ainda não tinha lido!
Quero saber tudo...
Abraço!

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