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Eu só sou o cara...

quarta-feira, 4 de maio de 2011.
      Meus cabelos estão compridos e minha barba está enorme e eu sou apenas o cara que escreve poesias no balcão de atendimento da Biblioteca. Hey baby, me conta qual é o seu segredo mais íntimo, pois tendo esse tipo de informação fica mais fácil chegar ao recôndito mais secreto de sua alma feminina.

     Zero a zero e esse placar não pode continuar assim, quem vai inaugurá-lo em sua contagem, serei eu ou tu querida? No entanto, só tenho conhecimento de uma coisa, esse lugar continua sagrado, pois nas prateleiras estão acomodados os escritos de deuses profanos disfarçados em homens. Sagrado mas mesmo assim há fezes de pombos infectando com uma doença letal o andar de cima.

    Dez a um minha menina e agora estamos nos minutos derradeiros desse jogo de regras mortais. E perceba só esse simples detalhe, com os números desse placar no estado como se apresentam, o resultado favorável já lhe pertence de forma definitiva, sendo deste modo, o golpe de misericórdia há ser desferido vai ser todo meu.

   A dez pragas do Egito não me intimidam como antigamente o faziam, pois a arte me libertou dos medos seculares que plantaram em meu coração. Ah, meu amor, não precisa fazer essa cara de quem tem medo de mim, eu só sou o cara que escreve poesias no balcão de atendimento da Biblioteca.

  Aqui os poetas se encontram e se desencontram todos os dias entre as estantes cheias de livros que falam de flores, poesia, vida, sexo e dor. Embora não pareça, aqui há vida!

  Eu ouço ecoando nas sacras paredes deste lugar os gritos orgásticos de Drummond, minhas narinas atentas conseguem sentir o cheiro do haxixe fumado por Rimbaud passando através delas. Conceda-me com um beijo seu, um pouco desse ácido de natureza lírica que trazes no dorso espasmódico de sua língua, oh, minha acalentada flor.

 A bibliotecária passa pelo corredor com lágrimas a lhe rolar em suas faces, seu coração flechado pelo arco do cupido não anseia enxergar outra coisa que deixe de significar a aurora de um novo amor nunca antes vivido por ela.

 Fique tranquila. Nesse instante, baby, talvez alguém saia ainda vivo daqui. Infelizmente o mal se avizinha e o fim do mundo pode vir de qualquer lugar, até da excessiva quentura e da gordura do pastel que ao ser digerido todos os dias, quem sabe chegará a causar uma úlcera que devorará lentamente os frágeis estômagos.

 Não fique horrorizada com as loucuras que lhe digo, ah, isso eu lhe peço, minha ingênua garotinha, afinal eu só sou o cara que escreve poesias no balcão de atendimento da Biblioteca.

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Leitura critica e revisão de texto feito pela escritora Edna Lopes.

4 Comentários:

Nossos Encontros disse...

L!ndo! este texto, "ANJO"... te retatastes bem! és o "ANJO", que lanças flechas cupidiais, corações, te utilizando de teus escritos; cada vez mais inspirados. Viu??? estou aprendendo a ler os poetas, mas, só os bons.

Anonymous disse...

Então sou a mulher de tua vida; Sou eu quem tu escolheste para ser mãe de teu filho, segundo você esse texto é para mim. Se estiver errada me corrija.

sua sempre:S2

Velcan Pendragon disse...

Muito interessante este texto, a forma como joga com as palavras a narrativa adorável, esse jogo meio sensual as escondidas , bem já sou uma fã de seus contos e poemas
beijos
Velcan Pendragon

Anonymous disse...

ES tu quem meu corpo deseja, porque a alma já havia lhe escolhido há anos..bjs com muito tesão,de lingua atrevida como eu rsrs.S2

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