segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um motel chamado Luxúria!

          Está para fazer exato um mês na semana que vem que estou trabalhando longe de casa, que por pura necessidade de precisar trabalhar arrumei um emprego fora do estado de São Paulo, mais precisamente no estado do Maranhão.

        Com isso ficamos temporariamente distantes um do outro, e te confesso que tem sido difícil suportar essa saudade que me toma o peito por causa da sua ausência ao meu lado.

         Após ter chegado à noite em casa depois de um dia duríssimo de trabalho, tomei um banho, me vesti, e logo depois de ter jantado, fui para meu quarto e me sentei diante da minha escrivaninha, pois movido por essa saudade tua senti uma irresistível vontade de lhe escrever uma carta.

        E agora aqui estou eu tentando passar para o papel os sentimentos de pura paixão e desejo que tanto nutro em minha alma e corpo por essa mulher que tu és, minha querida.

      Enquanto estava embaixo do chuveiro sentindo a água quente descer sobre meu corpo como que o massageando deliciosamente, levando com ela ralo a baixo todo o pó da rua e toda tensão em meus músculos, comecei a me lembrar da última vez em que fizemos amor, isso aconteceu-nos poucos dias que antecederam a minha mudança para o Maranhão.

       Lembro-me de ter recebido um e-mail seu convidando-me para um encontro. Lendo o conteúdo de tal convite pude perceber que se tratava de mais uma de suas deliciosas peripécias sexuais, afinal o local do nosso encontro seria um motel. ”A cópia da chave já está em seu nome. Entre sem bater...” finalizava.

       Apenas não conseguia entender porque escolhestes aquele motel barato dessa vez para que pudéssemos nele nos amar.  Contudo, por ter ficado excitadíssimo pela natureza do seu convite, resolvi não questionar o porquê desta sua escolha e o aceitei prontamente.

    Caminhando já pelo corredor que levava aos quartos do referido motel, ao passar pelas portas dos aposentos que se seguiam um depois do outro daquele estabelecimento onde a libertinagem sexual escolheu para fazer sua morada, eu podia escutar gemidos, suspiros e até gritos dos amantes que em cima de camas, estavam ocultos atrás delas.

    Chegando a porta que dava acesso ao “nosso” quarto, enfiei a chave na fechadura. Abri e, tentando me acostumar a penumbra, me deparo com uma visão estonteante, vejo-te estirada em cima de travesseiros revestidos de fronhas brancas bem no meio da cama que por sua vez, está forrada com lençóis de um cetim vermelho, produção tua, como soube depois.

   Dando alguns passos á frente para poder enxergar mais claramente aquela cena que meus olhos estupefatos quase que não acreditam que estão vendo, fico como imobilizado diante de tal imagem de beleza surreal.

   E isso não é para menos, pois eles me fazem vê-la vestida com uma camisolinha curta e de uma transparência inacreditável, que me faz enxergar todos os atributos de teu corpo magnífico.

    Com uma de suas mãos me faz um sinal com seu dedo indicador, naquele gesto característico de quando uma pessoa chama outra para ir até ela, tal gesto é acompanhado por um sorriso zombeteiro e cheio de malícia...

   Não resistindo nem por um segundo a mais aquela sua armadilha de fêmea predadora da minha alma masculina, com sofreguidão e pressa vou retirando peça por peça do meu vestuário até ficar totalmente nu em pé diante da cama onde estás deitada.

   Sem querer perder tempo atiro-me na direção de onde estás subindo com meu corpo desnudo em cima do teu. Aposso-me dos teus lábios em um beijo tomado pelo fogo de um desejo sexual incontrolável. Nossas línguas brincam uma com a outra dentro de nossas bocas em um ósculo selvagem e impregnado de um espírito lascivo que mergulha de cabeça no queimar de uma louca paixão.

   Com a fúria de um garanhão selvagem que deseja possuir logo a sua fêmea que o enlouqueceu por ser ela uma égua no cio, arranco com as minhas próprias mãos a tua fina e transparente camisolinha, deixando-te nua por inteira.

  Experimento com minha boca febril pelo calor da excitação sensual que tu me expuseste, os teus seios belos, redondos, cheios e tesos pela vontade ardente que também nutres por mim.

 Nossos gemidos e suspiros enchem o quarto de luxuria, nossos corpos descontrolados levados por abraços, apertões e carícias febris fazem com que desforremos a cama de seus lençóis de cetim vermelho, fazendo-a arder na fogueira de nossos desejos da mais pura tara.

 Invado a fortaleza de teu corpo penetrando-a com a impetuosidade de um amante viril e de masculinidade incontestável. Faço-te com isso deixar teus gemidos e suspiros ainda moderados, substituindo-os por gritos que expressam o mais colossal e puro prazer que porventura já sentiste até aquele momento em tua vida.

 Nossas narinas abertas fazem chegar até as nossas almas o cheiro do corpo um do outro produzido pelo nosso suor que escorre em cântaros pelos nossos poros dilatados fazendo-as estremecer de um sentimento prazeroso incomensurável.

 Por fim em um grito conjunto, em uma só palavra, uníssono, quedamos nossos corpos fatigados sobre o colchão da cama após experimentarmos um orgasmo de uma sensação única, tamanho o prazer brutal e envolvente que nos causou. 

  Depois de recompostos e estando debaixo do chuveiro onde tomamos um delicioso banho juntos, fiz-lhe a pergunta que não queria calar de forma alguma dentro de mim, porque a escolha daquele motel de beira de estrada de quinta categoria?

  Sorrindo com aquela malicia que lhe é peculiar, me respondeu que tinha a fantasia de ao menos uma vez na vida de fazer amor com o companheiro que estivesse se relacionando, em um desses motéis baratos de beira de estrada, que em viagens de carro que já houvera feito em sua vida adulta ao vislumbrá-los na passagem por eles acabou nutrindo em dentro de sua alma feminina tal fantasia.

  E para completar me perguntou se eu me lembrava do nome do motel em questão em que naquele exato momento estávamos. Para minha surpresa percebi que havia esquecido o nome daquele ninho de amantes pouco exigentes com o lugar onde fariam amor, e isso talvez tivesse ocorrido pela insignificância do lugar em relação a outros, muito mais conceituados que ele.

 Perguntei-lhe então qual era mesmo o nome daquele motelzinho, respondeu-me dizendo que se chamava Luxúria, tal detalhe em seu nome é que fizera com que o escolhesse dentre muitos outros que havia pelas estradas da vida.

  Disse-lhe que não havia entendido o motivo da escolha por causa de tal nome que me sugeria pura breguice por parte de quem o batizou com ele. Após um beijo que me deu respondeste-me com um largo sorriso:- É simples a explicação para esta minha escolha meu doce querido, luxúria é a palavra que expressa melhor o sentimento que lhe tenho!

 Termino essa carta querida, comovido pelas lembranças de momentos tão preciosos e inesquecíveis que passei ao teu lado, naquela tarde dentro daquele pequeno motel que se antes me parecia “um pulgueiro”, hoje me parece o paraíso celeste porque simplesmente tu estiveste lá comigo.

 Semana que vem mataremos essa nossa saudade, pois pegarei alguns dias de folga e sendo assim retornarei para a nossa cidade, onde quem sabe possamos revisitar aquele ordinário mais inesquecível motel de beira de estrada chamado Luxúria.Ou quem sabe me surpreenderá  com outra fantasia?

                       ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.


“Na minha luxúria não há fundo: as vossas mulheres, as vossas filhas, as vossas matronas, as vossas virgens, não poderão encher a cisterna da minha sensualidade, os meus desejos são capazes de transpor os obstáculos que queiram opor-se à sua vontade.”
Willian Shaskepeare- (Macbeth).

Leitura critica e revisão textual realizado pela escritora Edna Lopes.
Leia a autora Edna Lopes!

4 comentários:

MARILENE disse...

Magnífico! Um caminhar mágico até o prazer, com um fundo musical chamado AMOR.

Anonymous disse...

Um ruído gutural e profundo (como o de uma fêmea no cio, rompe o silencio quando te sinto em mim...
As tuas mãos deslizam no meu corpo e os teus dedos procuram secretos prazeres...
Gotas de paixão derramam-se em gemidos incontidos e os meus lábios bebem do cálice da vida...
E seu liquido quente, doce, perfumado, desce pela minha garganta, matando a sede de ti, e depois de saciados, (êxtase pleno), recebo muitos beijos por todo meu corpo que ainda trêmulo, e você me diz bem baixinho: amo-te doce menina.

Nossos Encontros disse...

Quantas fantasias são sufocadas, por covardia ou pelos pseudos pudores!com retoques sucessivos aguça-se o ardente desejo do prazer.Os palavristas, não praticam fogem de sí mesmo, roubam-se... os praticantes degustam-se!!!! bem "ANJO", você não limita-se a poesia, estás a caminho de um exímio roterista. BOA SORTE!!!!

Jackie Freitas disse...

Olá Elton, querido!
Sei bem o que é ficar longe de quem se ama, carregando nas lembranças momentos de ardor e paixão. A surpresa foi ótima e muito criativa, tanto que te fez escrever sobre isso! Mas, em breve vocês poderão reviver esses momentos e criarem outros fantásticos para ficarem guardados nas lembranças...e revividos, mesmo que em sonhos, sempre que possível!
Parabéns, meu amigo!
Grande beijo,
Jackie