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El fenômeno.

sexta-feira, 17 de junho de 2011.
          Ele foi abençoado pelos deuses da bola, foi escolhido a dedo por essas divindades futebolísticas como um dos seus mais iluminados filhos. Existir como um príncipe invencível nos tapetes verde esmeraldas dos gramados do planeta, seria seu glorioso e marcante destino.

          Nasceu em um país tropical que segundo a canção de Ben Jor é abençoado por Deus, levantou-se nas terras da cidade maravilhosa, de onde do alto do Corcovado está Cristo o redentor de braços abertos a abarcá-lo em um grande e protetor abraço.

          Foi menino pobre, no entanto nunca conheceu a miséria, não gostava muito de estudar, sua atenção de infante era chamada de forma irresistível muito mais para aquela esfera branca, cheia de ar e revestida pelo capão, que como uma encantadora de serpentes, hipnotizava uma multidão de meninos como ele, fazendo-os encher os campos de futebol das redondezas para entregarem-se aquele esporte que fora transmutado em pura paixão religiosa.

         Crescia o menino dia após dia, assim como crescia dentro de si o anseio em exercer aquilo para qual fora destinado, que era lançar mão da sua realeza naquela grande e celebre corte do futebol da terra de Santa Cruz. Quis jogar no clube mais popular do Brasil, o “Rubro Negro da Gávea”, mas não seria lá ainda onde começaria a ensaiar suas primeiras grandes jogadas que apaixonaria quem as visse.

         Em um pequeno time cariosa onde seu patrono era um santo, o gloriosíssimo São Cristovão, esse menino então sim iniciaria uma carreira de sucesso e glamour tais, que deixaria estupefatos até os mais sublimes e poderosos anjos do céu.

        Os ventos divinais do seu bendito destino, rumo ao sucesso inevitável pelo seu talento pródigo, o carregaram para o velho continente, ele já não era mais uma criança, o tempo passará sorridente diante a sua face, e no país da “laranja mecânica”, na nação de um deus do soccer chamado Cruyff, no PSV Eindhoven, seu nome começaria a ser imortalizado.

       Contudo, Eindhoven se tornaria pequena demais para esse jovem boleiro de gols surpreendentes e de natureza audaz, mais uma vez os sopros das divindades desse esporte bretão o levariam a novas paragens, e desta feita o conduziram a belíssima e monumental Barcelona.

      Defendendo um grandioso clube Catalão, que trazia consigo o mesmo nome da cidade para onde houvera se mudado, no qual grandes jogadores, inclusive patriotas seus, no passado haviam envergado a sua camisa. Ali, ele ganharia uma lendária alcunha: “EL Fenômeno”. E desta forma seria chamado, conhecido e lembrado para todo o sempre.

      Na Espanha, a terra das grandes touradas, do horroroso embate, em que se via de um lado um homem que trazia em sua mão direita a capa e na esquerda a espada e na outra extremidade se vislumbrava uma fera bafejante de olhos vermelhos e dois chifres, um diferente espetáculo fora criado, o de assistir nas arenas esportivas lotadas de gente, aquele jovem jogador de futebol de terras tupiniquins, que parecia tratar a bola com tanto encantamento e intimidade com os pés, que ela dava a impressão de render-se a ele como se fosse sua mais apaixonada amante.

     Depois de ser artilheiro em terra hispânica e assinar perpetuamente seu nome no Hall da fama do Barcelona, o jovem fenômeno partiu para a Itália mais uma vez conduzido pelos caprichos das divindades do soccer.  E na Internazionale de Milão transformou seus torcedores em meros súditos, vitória após vitória, em cada estádio em que jogava, estendia seu reino da bola não só nos gramados, mas nos corações de todos aqueles que presenciavam sua arte incomparável de balançar as redes adversárias.

    Pela seleção canarinho disputou quatro campeonatos mundiais, conseguindo conquistar dois deles. Tornou-se o maior artilheiro de todas as copas.  A FIFA o escolheu três vezes como o melhor jogador do orbe terrestre, e as traves com suas redes o haviam elegido muito antes disso tudo, como um dos mais temíveis deuses do futebol universal em todos os tempos, a ser reverenciado e adorado por elas.

   As mãos imperiosas das entidades divinas do futebol novamente acharam por bem intervir, e assim resolveram tira-lo de Milão e conduzi-lo a Madri onde foi vestir a camisa branca do maior time da capital espanhola. Lá saboreou mais derrocadas que vitórias, mesmo fazendo parte de um time de titãs e que um dia já foi chamado de esquadrão galáctico.

  Percebendo que precisava mais uma vez mudar de ares, para se reencontrar com o sucesso perdido, esse magnífico artilheiro de gols prodigiosos resolveu retornar a Milão, mas desta feita não defenderia novamente a Internazionale e sim seu maior rival, o Milan.

 Vestindo as cores do time rossonero, “El fenômeno” também não conseguiu repetir o que fizera na trajetória inicial em sua carreira de astro das quatro linhas.  Machucou gravemente seu joelho e por essa mesma razão sendo impedido de atuar, não teve seu contrato renovado ao final da temporada com o clube milanês.

  Era hora de deixar o antigo continente e voltar para casa com o intuito de curar-se das suas feridas de anjo caído da bola. E nunca mais ele voltaria a jogar oficialmente por um time europeu.

 Voltando para o seio de sua nação, ele foi recuperar-se de sua cirurgia no joelho na casa do clube que tanto amava desde muito pequeno, o Clube de Regatas do Flamengo, o maior de todos dessa cidade fascinante, chamada Rio de Janeiro.

 Não acertando contrato algum com o time da Gávea, ele mudou-se para a capital paulistana, onde está o mais importante pólo industrial dessa nação onde um dia nasceu e foi explorado o pau-brasil.

 Desta vez vestiu o uniforme alvinegro do clube futebolístico mais popular e importante da cidade de São Paulo, um fenômeno das massas como ele próprio o era, uma instituição esportiva que sempre fora vista e amada por seus torcedores como uma verdadeira religião. Uma força da natureza chamada Corinthians. Ele seria mais um louco naquele bando de loucos. Lá conseguiu títulos e fez memoráveis gols, por um dia foi rei na terra de Pelé, fazendo dois tentos de pura magia e de contundente genialidade contra o time do Santos, conseguindo com que corintianos e santistas nunca mais se esquecessem daquela sua proeza realizada, uma proeza digna de um Ulisses legendário da pelota branca.

 Hoje “El Fenômeno” está abandonando para sempre os estádios de futebol.  E sua gente acorreu a assisti-lo pela ultima vez, vestindo-se de verde e amarelo com a intenção de homenageá-lo, de dar-lhe adeus como jogador e dizer-lhe muito obrigado por tudo.

 Obrigado, sobretudo por ter trazido a tantas almas simples, a alegria e o orgulho de fazer parte de uma terra em que, apesar da maioria das pessoas quase todo o tempo só experimentarem a bebida tórrida do sofrimento, tem em heróis como ele e em seus portentosos feitos, a possibilidade de degustar algumas vezes em suas vidas, o sentimento de estar acima das nuvens e sentir-se um colossal deus Nórdico, dono de uma natureza invencível.

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Dedico essa crônica há um dos meus maiores ídolos dentro do futebol e do Corinthians que é o meu time de coração, Ronaldo Luiz Nazário da Silva, “El Fenômeno”. 

A imagem que ilustra o texto publicado acima, é do ex-jogador de futebol conhecido mundialmente como Ronaldo Fenômeno. 

2 Comentários:

Flávia Fernanda disse...

O fenomeno em emocionou um uma copa do mundo! Não entendo de futebol mas assisti a essa copa que não lembro qual ano foi,mas curti muito rsrs
Bjks

Susy Ramone disse...

Olá meu querido!
Passei para deixar-te um grande beijo!!!!

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