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Hades. III Capítulo. Noite diabólica.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011.

          Aquela altura a neblina tinha aumentado em intensidade e os olhos de Ariadne eram duas brasas vermelhas que luziam em suas órbitas. Cássio desavisadamente mantinha por sua vez os seus fechados, enquanto recebia uma revitalizante massagem em seu tórax desnudado das mãos de tato macio dela.

         Se ele abrisse seus olhos naquele exato momento com certeza se assustaria com a mulher que agora tinha diante de si e que não lembrava em nada aquela com quem havia feito sexo a poucos momentos atrás. A expressão tétrica emprestada ao rosto de Ariadne por causa daquelas duas brasas rubras que tinham se tornado seus olhos a tornavam naquele instante uma figura simplesmente assustadora.


        Cássio gemia de prazer ao sentir os movimentos circulares dos dedos de Ariadne sobre a pele do seu peito exposto. Aos poucos seu corpo que se sentia aquecido pelo seu sangue que estava quente pelo exercício sexual que executara com sua sinistra amante, esfriava paulatinamente, sentindo assim a queda de temperatura do meio ambiente daquele parque abandonado em que se encontravam. A neblina que havia aparecido há meia hora atrás já tomava conta de todo aquele lugar, como um lençol branco translúcido que cobria a tudo.

       Sentindo o frio que o dominava bem devagarzinho arrepiando a sua cútis, Cássio resolve abrir os olhos com o objetivo de falar a Ariadne olhando em seu rosto sobre esse mesmo frio que estava aos poucos o envolvendo. Quando então o jovem rapaz ao fazer isso, toma um tremendo susto ao contemplar com suas retinas desbloqueadas pelas suas pálpebras abertas o que elas tinham a sua frente.

       Agora Cássio tem seus olhos arregalados ao ver Ariadne metamorfoseada em uma criatura horrenda. Ela naquele instante além de ter duas brasas vermelhas em suas orbitas oculares acesas, tem provindo de suas costas um par de asas negras, em sua testa há uma cruz tatuada de cabeça para baixo, sua pele agora assumiu uma cor muito branca, como o do papel mais alvo, seus lábios, porém são de um tom vinho de uma coloração vivíssima. Seus dentes que são donos agora de uma brancura incomparável brilham atingidos pela luz da lua que atravessa a neblina que empresta agora aquele parque uma aparência fantasmagórica.

     Cássio assustadíssimo dá um berro ao mesmo tempo em que levanta seu dorso e com suas mãos empurra para longe de si a Ariadne. O demônio em forma de mulher tem com o empurrão o seu corpo projetado no ar, só que instantaneamente e como se fosse em um passe de mágica, Ariadne interrompe a deslocação de sua massa corporal no espaço vazio, e em alguns segundos apenas ela fica como que suspensa do chão,flutuando a meio metro do aterrorizado Cássio.

    O jovem rapaz completamente atemorizado com aquela súbita transformação de Ariadne agora sentado ao chão contempla aquela cena que parece vir do seio do seu pesadelo mais hediondo. Ele vê aquele anjo negro feminino levitando a meio metro do solo verdejante sorrindo para ele de uma forma diabólica, de braços semi-abertos com as palmas de suas mãos viradas para o alto.

- Não era para você ter aberto tão cedo seus olhos meu querido, não antes de eu ter cravado meus dentes em teu peito e tirado com eles o primeiro pedaço de sua carne deliciosa.

- Que diabos de monstro é você?Até algumas horas atrás eu te via como uma gata de fechar o comércio!

- Sou Ariáda a rainha do Hades, conhecida também como Ariadne a filha das sombras, caçadora e predadora do gênero humano, já fazem muitos anos que eu venho me alimentando da carne humana para a minha subsistência. Sou cultuada e invocada por uma comunidade de humanos que são canibais, comunidade essa espalhada em todo o mundo. Os antepassados destes meus cultuadores modernos é que são os verdadeiros responsáveis pelo fato de eu ter vindo direto do Hades para esse seu mundo físico há muitas décadas atrás.

- Hades?Mas o que significa essa palavra?

- Hades é uma palavra que vem do grego Haídes e que significa “o lugar não visto” ou “o lugar invisível”, mas que na bíblia do seu Deus cristão é uma referencia ao inferno onde as almas dos condenados e demônios como eu vivem.

   Ao acabar de dar essa explicação do significado da palavra Hades, Ariadne baixa seus braços voltando as palmas de suas mãos para o chão, com esse movimento feito, ela pousa suavemente no gramado verdejante do parque desértico e enevoado onde ela se encontra com sua aterrorizada vitima.

  Cássio resolve com certa dificuldade pelo espanto e medo que toda aquela situação estapafúrdia lhe traz levantar-se do chão, quase ao mesmo tempo em que busca se recompor subindo a sua cueca e logo depois a sua calça de brim.

   Ariadne ao constatar toda a fragilidade e insegurança de sua presa humana o achando simplesmente patético, solta uma gargalhada de natureza diabólica e após tê-la dado volta-se a Cássio e lhe diz: - Porque preocupar-se em se recompor meu caro se nunca mais vai precisar de roupas pelo resto de sua vida?Saiba que esta vivenciando os últimos minutos e momentos de sua existência patética e inútil.

  Cássio olhando de forma amedrontada para sua predadora diabólica e ainda tremendo de frio, pergunta-lhe:- O que você realmente pretende fazer a meu respeito, depois de ter trepado feito uma puta comigo demônio do inferno?


- Já lhe disse seu humano burro e idiota que vivo de saciar-me da carne e do sangue de gente de sua espécie. A carne humana tem um sabor todo especial que seres da minha raça não conseguem encontrar em outro ser vivo aqui na terra, e sabe que sabor é esse?Pois bem eu lhe respondo, o sabor da desumanidade. Como um dia cantou um dos maiores poetas do seu rock "n" roll nacional:- A humanidade é desumana. A única coisa que ele errou na letra da canção que compôs e interpretou é achar que vocês seres humanos ainda tem alguma chance!

  Ao acabar de responder desse modo o questionamento de Cássio, Ariadne solta um som de um riso baixo e tétrico. Seus olhos em brasa brilham satanicamente por entre o branco da névoa iluminando seu rosto que é a própria feição do mal absoluto.

  Cássio por sua vez resolve fazer algo em sua defesa. Não iria entregar-se sem luta ao canibalismo daquela criatura horrível que a apenas algumas horas atrás fora a mulher bela e exuberante que o conduziu daquele café onde se encontraram, até aquele parque que por causa do seu total abandono, se tornara uma fatal armadilha armada por sua nefasta artimanha para poder no momento certo apanhá-lo nela.

  Pensando dessa forma, ele rapidamente se abaixa e apanha uma enorme pedra que esta muito próxima de si. Ao levantar-se, porém, Cássio sente uma forte deslocação de ar que vem em sua direção, e após essa sensação súbita, ele percebe uma das mãos de Ariadne envolvendo muito fortemente seu pescoço e de forma surpreendente levantá-lo do chão apenas com o uso da força dela.

  Ariadne em pé e com suas asas negras bem abertas tendo seus longos cabelos negros sendo esvoaçados por uma corrente de ar que naquele mesmo instante passava por ali, sem dificuldade alguma mantém o indefeso e pobre Cássio suspenso do chão sufocando ante o aperto que sua mão em volta de sua garganta exerce.

  Com isso enquanto sofre pela sua dificuldade que tem de respirar, Cássio solta ao chão a pedra que havia apanhado para com ela atacar a Ariadne.  

   A mão da rainha das sombras vai a cada instante apertando o pescoço de sua vitima, que suspensa do chão se debate inutilmente, sendo incapaz por ela própria de escapar da garra daquela fera insana e homicida. Não demoraria muito para que os ossos do pescoço de Cássio estalassem anunciando o seu total esmigalhamento e o quebramento dele, que lhe seria simplesmente fatal.

  Cássio sentia seus pulmões querendo explodir pela ausência de ar neles, sua visão há muito se turvara, mantinha agora os olhos fechados esperando a morte iminente. O pobre rapaz apertando as suas pálpebras faz com que lágrimas escoem de suas retinas muito por causa da pressão do estrangulamento que estava sofrendo, então estando nesse deplorável estado ele resolve dirigir uma oração aos céus:- Deus, por favor, me ajude agora!


Booommmm.

  Assim que escuta esse estrondo que mais pareceu o som de um tiro, Cássio sente seu corpo caindo indo por fim acabar se estatelando no chão.  Ele tosse ao sentir a sua garganta desbloqueada e livre dos apertos dos poderosos dedos de Ariadne. Então erguendo apenas o seu dorso, ele senta-se por uma segunda vez no gramado orvalhado com seus olhos ainda lacrimejantes, no entanto bem abertos e atentos, deste modo Cássio contempla uma cena no mínimo inusitada.

  Ele enxerga que esta de pé, bem posicionado na porta da casa em ruínas um moço de cabelos loiros e encaracolados, vestido de roupa e botas de couro de cor negra, usando por cima dessa sua vestimenta enlutada um sobretudo cinza escuro todo aberto e ainda empunhando um rifle de cano curto, donde dele saia uma fumaça mostrando que o disparo ouvido por Cássio provavelmente acabara de ser executado por meio daquela arma. Pela aparência e porte do rifle o jovem Cássio que entendia razoavelmente de armas de fogo deduzira que se tratava de uma doze. 

 Olhando um pouco mais a frente, Cássio percebe Ariadne caída a alguns metros dele, jogada contra o tronco de uma arvore com um dos seus braços destroçados de onde dele um rio de sangue jorrava. A mão que fora usada por Ariadne para suspender a Casio no ar enquanto o estrangulava impiedosamente não existia mais.  Em seu lugar o que havia era um pedaço destruído do seu antebraço. O demônio canibal gritava de dor enquanto proferia impropérios, não entendendo o que o atingira daquela forma.

 Cássio levanta-se lentamente tendo as suas pernas bambas, seu corpo parece tremer por inteiro um pouco por causa do frio e outro tanto pela horrível experiência de ter ficado sem ar para respirar sufocando nas garras de sua funesta algoz.

 Ele aproxima-se do jovem atirador loiro, seu oportuno salvador que acabara de aparecer do nada e livrá-lo da morte certa. O rapaz de roupas escuras baixa o cano do rifle que estava segurando que ainda esfumaçava ao perceber a aproximação de Cássio.  Ambos ficam frente a frente se olhando nos olhos por alguns minutos, até que Cássio sucumbe de fraqueza caindo de joelhos diante aquele desconhecido. 

 O jovem atirador se curva e segurando Cássio em um dos seus ombros com sua mão que está desocupada enquanto que com a outra segura a sua arma, aproxima-se de seu ouvido e diz-lhe: - Agora não é momento de demonstrar fraqueza amigo, você vai precisar ser forte como nunca foi antes, logo o demônio canibal vai se recuperar do tiro que lhe dei. Essa minha ação foi somente para livrá-lo daquela situação difícil em que você se encontrava, por isso, levante-se, essa noite que se mostra diabólica para nós só esta começando. 

  Com certa dificuldade e ajudado pelo seu salvador, Cássio se põe de pé, seu pescoço ainda dói por ter sofrido aquele horrível esganamento pela mão de aperto implacável da senhora dos infernos.  Ele ainda tem as pernas trêmulas e sua respiração segue um ritmo acelerado, tudo fruto do enorme estresse que sofrera.  Enquanto caminha sofridamente se apoiando nos ombros do atirador ariano, com o intuito de sair o mais rápido possível daquele lugar inóspito onde um predador devorador da espécie humana é ali um perigo iminente, tanto Cássio como o jovem rapaz que o salvou estacam nesse seu referido caminhar quando ambos ouvem atrás de si uma voz feminina dizer-lhes:- Aonde os queridinhos da mamãe vão sem lhe pedir a benção?

  Olhando para trás os dois jovens rapazes ficam boquiabertos ao constatarem com seus próprios olhos uma cena ameaçadora. Eles vêem Ariadne com a mão que antes fora destroçada pelo tiro do rifle, totalmente restaurada.

   Ela tem seu par de asas negras bem abertas, seus olhos fuzilam puro ódio em forma de duas brasas vermelhíssimas que tomam conta de suas orbitas. Sua expressão facial é o retrato vivo da mais ardente ira. E para a surpresa da dupla e seu total alarde o demônio canibal tem agora consigo apontando em sua direção, um arco com sua corda bem esticada e tensionada tendo nela uma flecha que tem sua ponta em chamas.

   E pelo riso demoníaco e sarcástico que Ariadne tinha em seus lábios ela parecia que sabia muito bem usar aquela arma que para surpresa dos dois moços lhes pareceu que surgira do nada.

  Sem pestanejar o jovem atirador de cabelos platinados vira-se para Cássio e recomenda-lhe: - Corra rapaz, agoooraaa!

  Se desvencilhando um do outro a dupla corre na direção de umas arvores que tem atrás de si um mato razoavelmente alto, a adrenalina solta em seu sangue pelo que acabara de ver faz com que Cássio esquecesse de suas dores e infortúnios suplantando-os, fazendo-o correr desesperadamente para salvar a sua própria vida.

  Tanto Cássio como o atirador loiro atravessam a cortina branca e extensa formada no ar pela neblina com suas pernas ligeiras, tanto um como o outro tentam escapar da flecha em chamas atirada por Ariadne de seu enorme arco, a seta flamejante corta o vazio zunindo tetricamente, trazendo naquele som o anuncio certo da chegada da morte.

   A corrida para escapar do alvejamento certo por parte do demônio de asas negras e seu arco com flechas, termina quando a dupla de rapazes em desespero consegue alcançar aquele grupo de seis arvores que ficavam uma do lado da outra. A flecha passa zunindo poucos centímetros do ombro esquerdo de Cássio indo parar fincada no tronco da arvore que ele a esmo escolhera para abrigar-se atrás dela.

 Cássio esconde-se atrás do corpo de madeira da frondosa arvore ficando de joelhos tentando ocultar-se ao máximo da visão predadora de Ariadne.  Olhando para o tronco da arvore que era vizinha a sua, ele vislumbra o seu jovem salvador de ultima hora, o atirador aloirado, também de joelhos a seu exemplo, segurando com firmeza o rifle que empunhava,tentando também proteger-se do assédio mortal da flecha da mulher demônio.

  Então Cássio desvia o olhar do jovem atirador sobressaltado pela voz de Ariane que em um ponto meio que distante do grupo de arvores em que os dois tinham se refugiado para protegerem-se de seus ataques, levanta-se no ar reboando feito um trovão dizendo-lhes:- Então vocês não querem facilitar o meu jantar de hoje não é mesmo?É caça que ambos querem então é caça que terão. Enquanto a você Jardel, meu loiro lindo, que ótima surpresa o meu caça-demônios favoritos me proporcionou nessa noite que esta muitíssimo propicia para uma boa caçada. Prometo que quando chegar a sua vez em ser degustado, lhe darei atenção especial, afinal a carne de um exorcista é muito mais saborosa do que de uma pessoa comum.

  Depois de pronunciar essas palavras, Ariadne solta uma risada zombeteira e complementa por fim de forma extremamente ameaçadora: - Ah e não pense que vou esquecer o que fez ao meu braço, caro exorcista, eu vou começar a devorá-lo justamente pelo seu, com isso nunca mais poderá atirar em um demônio novamente com uma dessas suas armas ineficazes!

  Dito isso Ariadne se cala, tudo a volta dos dois rapazes escondidos atrás das arvores mergulha em um profundo silencio alarmante. Cássio se volta para o jovem atirador que se encontra ainda agachado oculto pelo tronco da arvore, então lhe pergunta:- Esse exorcista chamado Jardel a que ela se referiu é você não é?- o jovem atirador virando a sua face na direção da arvore vizinha a sua, lança um olhar frio a Cássio e responde-lhe a pergunta:- Sim sou eu mesmo, meu nome é Jardel Santa cruz, faço parte de uma família de exorcistas não sacerdotais que tem como missão caçar demônios por onde eles estiverem agindo.

- Como assim exorcistas não sacerdotais?

- Exorcistas que não são sacerdotes da Igreja Católica. Agimos por conta própria.

- Cara que loucura toda é essa que eu não estou conseguindo entender nada?O que é tudo isso afinal, você e essa louca que esta além dessas arvores querendo nos comer vivos?

- Qual seu nome mesmo amigo, agora que conhece o meu nada mais justo que eu conheça o seu!

- Meu nome é Cássio!

- Prazer Cássio, pena termos que nos conhecer em circunstancias tão desagradáveis, mas saíamos dessa posição de joelhos e sentemo-nos e nos encostemos a essas arvores, fique o mais confortável que você puder, as minhas explicações irão ser um pouco longas. Mas com muita paciência tenho certeza que tudo poderá ser entendido.

- É, mas e se o demônio canibal resolver nos atacar enquanto você me dá essas explicações?

   Jardel após sair da posição de joelhos em que se encontrava sentando-se no chão e se encostado no tronco de sua arvore, responde calmamente a pergunta de Cássio: - Não se preocupe, Ariadne teve que dispensar muito de sua energia mística para restaurar o seu braço juntamente com sua mão que foram destruídos pelo tirambaço que lhe dei, sendo assim temos algum tempo até que se recupere em toda a sua plenitude de força e poder para nos dirigir um novo ataque!

   Seguindo o exemplo de Jardel, Cássio vira seu corpo apoiando suas mãos no chão até sentar-se sobre a relva e firmar as suas costas sobre o tronco do carvalho que até ali se tornara seu abrigo de proteção para manter-se vivo diante a criatura diabólica que até aquele momento dera uma trégua em seus ataques.

- Tudo bem Jardel, sou todo ouvidos, depois do que vivenciei até aqui, duvido que algo em sua história vá me assustar ou surpreender.

- Pois bem, vamos a minha história então. No fim da década de 1950 meu avô, Antônio Manuel de Santa Cruz era um jovem sacerdote na Igreja São Miguel Arcanjo na cidade de Lisboa em Portugal. Faziamuito pouco tempo que ele havia sido sagrado sacerdote católico. No alto dos seus vinte anos ele se sentia muito feliz em realizar seu grande sonho, se tornar um pastor do rebanho do Deus vivo. Tudo corria tranquilamente bem, até ele então completar seus vinte e um anos e em uma noite ele ter um sonho bastante conturbado. Na verdade era mais que um sonho, era uma revelação divina. O próprio padroeiro de sua paróquia o arcanjo São Miguel lhe pareceu nesse mesmo sonho, onde lhe fez revelações no mínimo perturbadoras. O Arcanjo Miguel levou meu avô através desse sonho há um prédio de três andares, ambos, homem e anjo ficaram suspensos no ar, seus respectivos corpos pareciam não ter peso, as leis da física não estava em funcionamento ali naquele instante. O anjo tinha uma longa cabeleira escura, olhar profundo dono de olhos negros como o breu e pele alva.  Semblante belíssimo, no entanto tinha uma feição bem séria, muito compenetrada. Vestia-se com uma couraça de aço revestida de couro, por baixo tinha uma malha de ferro cinza, em sua cintura havia um cinturão e uma espada posta na bainha. Sua voz tinha um som semelhante como o rumorejar de muitas águas.

Do alto da abóbada do prédio onde flutuavam suspensos no ar, o anjo apontou para baixo, então meu avô viu que aos pés deles havia um imenso grupo de aproximadamente cem pessoas reunidas. Esses indivíduos estavam trajados com túnicas negras e tinham suas cabeças cobertas com capuzes, sendo assim era impossível contemplar as feições dos seus rostos. O príncipe da milícia celeste olhando com olhar grave a meu então jovem avô, disse-lhe:- Antônio, eu Miguel, general supremo dos exércitos celestiais venho até você enviado por parte do Senhor nosso Deus. O que você com seus próprios olhos contempla é uma reunião entre os filhos das sombras. Eles estão para praticar um ato abominável aos olhos do Senhor dos exércitos, pois pretendem abrir os portões do Hades e trazer para este mundo de vocês criaturas humanas um demônio cruel e assassino. O nome desse demônio é Ariada, no entanto ficará conhecida também como Ariadne. Esse espírito imundo virá na forma de uma mulher sedutora e belíssima, e prometerá poder, dinheiro e grande influencia política a esses seus seguidores desde que a permitam comer da carne humana.  Esse anjo caído é antropófago, pois assumindo a mesma condição do gênero humano se alimentará da sua carne. E o que é pior é que liberará com sua chegada uma legião de outros demônios canibais que varrerão a terra com um imenso rio vermelho de sangue. Para que os bons e justos de coração não sejam extintos da terra, o Senhor nosso Deus te envia para que você alerte a sua Igreja santa desse iminente perigo e o Papa possa criar um exército de padres exorcistas que possam caçar e destruir essas criaturas do mal em todo orbe terrestre, até que chegue o dia que consigam por as mãos em Ariadne e acabar com ela totalmente e com sua destruição conseguirão a aniquilação de sua horda seguidora de demônios. Pois morta a pastora as suas ovelhas ficaram perdidas e entregues a boca do chacal. Assim que você acordar desse sonho procure seus superiores, milhões de fiéis dependem de que a sua Igreja tome um posicionamento em relação a essa investida das forças do inferno. Nada tema Antônio, eu estarei juntamente com minhas legiões de anjos, guerreiros celestiais vindos da parte do Senhor Deus sempre ao teu lado, ajudando-te a guerrear contra os poderes de Ariadne a rainha sombria do Hades. Agora acorde fiel Antônio, não quero que teus olhos puros presenciem o que esta para acontecer nessa reunião funesta, apenas mostrei a você parte dela para que soubesse que o que te passei é a mais pura verdade. Fique na paz do Senhor das hostes celestiais e seja firme e corajoso na missão que por ele lhe foi confiada.

Assim que proferiu essas palavras de despedida ao meu avô, Miguel move a palma de sua mão aberta passando-a a frente do seu rosto angelical, e o sonho se desfaz fazendo com que meu avô despertasse daquele surpreendente aviso revelativo.

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS. 

1 Comentário:

Velcan Pendragon disse...

O.O MINHADEUSA que reviravolta,esta certa de que Ariadne a quem tive uma certa simpatia faria seu " lanchinho", mas não consegui parar de ler, consegui sentir todo os sofrimento de Cássio, ao correr pelo parque mal posso esperar para a próxima parte,parabéns por essa mais linda obra, sempre admirei e irie admirar teu trabalho.
Beijos
(Velcan Pendragon.Ester and Seliny)

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