segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Hades. VI e ultimo capítulo. A batalha macabra!

              Dessa vez, mais preparada para ser atacada, Ariadne em uma velocidade espantosa se desvia dos projéteis. Do ponto onde estava como que parada no espaço vazio,flutuando, ela velozmente se desloca a um outro, simplesmente com o girar do seu corpo. Com a mesma velocidade assombrosa acompanhada de uma agilidade inumana, ela executa novamente aquele tipo de giro no ar, agora para apanhar uma flecha em seu alforje e a colocar na corda retesada de seu arco e o apontar na direção de Jardel, magicamente a ponta da longa seta se incendeia, ficando em chamas. 

             Jardel agilmente salta para o lado se livrando de ser alvejado pela flecha flamejante que passa rente a ele indo cravar-se no chão do gramado orvalhado e verdejante daquele parque. 

             Ariadne solta um urro animalesco de fúria ao perceber que sua presa escapara ao seu ataque. Jardel por sua vez rola no chão ainda dando seqüência no movimento que fizera segundos atrás para se desviar da flecha de ponta incendiária da mulher- demônio. Assim que consegue atingir a inércia de tal movimento fazendo com que seu corpo pare de rolar sob a grama úmida, Jardel deitado de bruços sobre o chão e empunhando de forma firme ainda o seu rifle dispara mais um tiro para o alto, na direção do demônio feminino alado em que se metamorfoseara Ariadne horas atrás. 

             O demônio alado mais uma vez se desvia com uma velocidade semelhante a de um raio das balas disparadas por Jardel, isso ele faz repetindo o movimento de girar seu corpo no ar, deslocando-o de um ponto em que se encontra a um outro bem longe do alcance dos projéteis. Ariadne ao conseguir livra-se dos disparos dados, solta uma gargalhada de sonoridade maligna que ecoa ao longe, então olhando para baixo, na direção do chão verdejante do parque vazio, onde Jardel se encontra ainda de bruços, ela se dirigindo a ele diz-lhe: - porque insiste em me alvejar com sua arma de fogo de efeito inócuo, se já é do seu conhecimento que ela só pode me retardar por alguns poucos minutos, sendo que após isso me recuperarei e voltarei a carga com muito mais fúria e com uma sede indescritível em destruí-lo?

           Jardel não responde, ele tenta apontando o cano do rifle para Ariadne disparar na direção dela mais alguns tiros, então ele ouve um som que o deixa estarrecido, o som do click de sua arma, o rapaz aciona por mais duas vezes o gatilho e seus ouvidos captam novamente o barulho repetitivo do mesmo click que lhe aponta uma realidade dura de ser encarada, que a sua munição acabara. Mediante aquela correria toda entre a fuga que realizara junto com o falecido Cássio para escapar das fechas incendiárias de Ariadne, e agora naquele combate em campo aberto que travava contra ela, não pensara em parar para checar o quanto ainda tinha de munição.

         E agora, da pior forma possível, estando naquela situação delicada em que se encontrava, isso é, enfrentando sozinho e com poucos recursos em termos de armamento o pior inimigo de sua existência, ele descobrira que a munição da única arma que tinha consigo chegara ao fim.

        Percebendo que a munição do rifle calibre doze de Jardel acabara definitivamente e que ele não trazia mais balas para recarregá-lo, Ariadne mergulha como uma velocidade espantosa na direção do chão. Na direção de Jardel que ao constatar com aquilo que sua arma de fogo não lhe era mais útil a joga de lado e tenta levantar-se para correr dali, fora do alcance de visão do demônio com asas negras. 

       Contudo, com a velocidade e agilidade que se assemelham em muito com a de uma águia de rapina que ataca em pleno mergulho no ar a sua presa, Ariadne tal como fizera com Cássio momentos atrás, consegue deter Jardel em seu movimento de fuga, apanhando-o bem no momento em que ele consegue ficar de pé, saindo daquela posição de bruços em que se encontrava quando estava deitado ao chão. Ela o agarra com suas firmes e poderosas mãos ao chegar próximo a ele na terra em um descida rasante e de uma precisão espantosa. Ao conseguir agarrá-lo, Ariadne alça vôo de novo, levando Jardel consigo para o alto.

       Ela sobe com sua presa humana que tenta debater-se em vão tentando livrar-se de suas garras fortes e mordazes. Ao chegar até um certo ponto do espaço vazio em pleno ar há alguns poucos metros distantes do chão, Ariadne cessa com sua subida ficando a levitar tendo Jardel bem preso em suas mãos. 

       Depois de alguns minutos, Jardel percebe que sua luta em tentar se desvencilhar de Ariadne é totalmente vã e que jamais por mais que se debata conseguirá livrar-se de suas poderosas garras, ele chegando a essa sua dolorosa percepção para de lutar entregando por fim os seus pontos. 

       Segurando Jardel firmemente pelos seus braços, Ariadne o puxa para si, ela com esse movimento aproxima a face dele muito junto a sua,então diz-lhe: - Excelente e inteligente decisão a sua em parar de se debater querendo fugir de mim, por mais que lute não conseguirá livrar-se de minhas potentes mãos de força demoníaca. Você meu caro esta perdido para sempre, pois esta sob a minha total mercê. 

      Olhando friamente para sua terrível inimiga Jardel responde-lhe: - Você pode me devorar vivo demônio como já o fez dentro do campo de batalha com muitos dos soldados da luz da Ordem Sagrada a qual meu avô no passado fez e que hoje eu no presente faço parte. Mas como para cada um desses guerreiros luminosos que com seu poder maligno você derrubou, tantos outros foram levantados dentro do seio da minha família para substituí-los, com a minha morte isso se repetirá. Pois um novo guerreiro se erguerá para ficar em meu lugar com o fim de combater-te até alcançar juntamente com os outros membros da nossa Ordem Sagrada o teu extermínio definitivo, demônio maldito. 

- Mas antes de devorar você vivo, quero acabar com essa perspectiva esperançosa sua e de seus companheiros de luta. Estou cansada dessa guerra entre meus soldados das trevas contra vocês, os Santa Cruz, os soldados da luz, essa linhagem sanguínea maldita de exorcistas que há muitas décadas vem combatendo a mim e os meus adoradores, atrapalhando nossos planos de dominar o mundo dos homens submetendo-o a minha vontade. Realmente, se eu simplesmente o matar Jardel, como tua boca mesma disse, outro de sua desgraçada família se levantará e ficará em seu lugar, no entanto, se eu conseguir colocar minhas mãos na única arma existente em todo universo que tem o poder de me destruir tudo isso acaba, eu venço definitivamente essa nossa guerra. E eu estou falando do livro místico do Arcanjo São Miguel que esta em poder de sua família desde que foi dado pelos céus a custódia do seu amaldiçoado avô Antônio, meu inimigo mais voraz e por isso mesmo por mim mais odiado.  Apenas esse artefato sagrado tem a energia mística necessária para me destruir totalmente, assim como as legiões de demônios,meus seguidores que possuem os corpos das criaturas humanas que me servem. Então antes de dar cabo de sua vida misera, eu quero que me diga onde esta o livro. Afinal não acredito que você teria a coragem ou seria tolo o bastante de vir me enfrentar em um lugar desolado como esse e sozinho sem trazê-lo contigo. Até cheguei a pensar por um momento que você não o tivesse trazido, pois essa noite teve algumas oportunidades de usá-lo contra mim. No entanto, refletindo melhor, acho que você o escondeu em algum lugar desse parque para poder lançar mão deste objeto sacro, manuseando-o com o intuito de me destruir com sua força destrutiva mística, no momento certo, no instante em que seu discernimento de soldado o levasse a crer que fosse o ideal para usá-lo contra a minha energia demoníaca. Agora adorador de Cristo e devoto de Miguel, já que vai morrer mesmo e não tem mais nada a perder, diga-me em que buraco desse lugar abandonado você escondeu o livro sagrado!

    Jardel solta uma gargalhada que chega a surpreender a própria Ariadne, afinal naquelas circunstâncias que eram totalmente desfavoráveis a ele, a rainha das trevas não consegue por um momento entender o motivo da reação do seu jovem inimigo.  Assim que cessa o seu gargalhar, Jardel diz-lhe:- Você acha mesmo demônio que eu viria sozinho enfrentá-la em um lugar deserto como esse e ainda por cima sem o livro de São Miguel?Que dia que eu ou algum integrante da minha família enfrentou-a, assim como enfrentou algum sequaz seu sem carregar consigo o livro sagrado de São Miguel?Meu primo Aleksander Ariadne veio comigo e é ele que esta com o livro. 

- E onde esse maldito se encontra que até agora não o vi por aqui?

- Eu também gostaria de saber, ele simplesmente se perdeu de mim dentro desse parque, teve ter acontecido algo com ele. 

-Pois bem, vou te matar primeiro e depois vou atrás do seu primo e caçá-lo feito um animal selvagem e assim que por as minhas mãos nele, eu vou tomar o livro do seu poder para logo depois disso devorá-lo vivo. 

   Ao terminar de proferir essas suas palavras de ameaça, Ariadne mudando de posição onde pegar Jardel, leva uma de suas mãos do braço direito do jovem rapaz ao pescoço dele segurando-o firme nessa região. Enquanto que com a outra mão, ela traz o braço esquerdo dele próximo a sua própria boca, então tendo um olhar sombrio em seus olhos, ela diz finalmente a ele:- Como eu te prometi, vou começar a devorá-lo por um dos seus braços. Você vai sentir mais ou menos o que eu senti quando atirou em mim. Só que sua dor vai ser infinitamente pior, afinal a sensação de ser devorado centímetro a centímetro a partir desse seu braço em especifico, será muito mais dolorosa que aquela que eu tive quando fui mutilada por sua arma de fogo. Aproveite bem tal sensação, ela será a ultima coisa que sentirá antes de cair nos braços trevosos da morte. 

  E antes de abrir a boca para dar a primeira mordida na carne do braço esquerdo de Jardel, ela ainda olhando friamente para ele, completa perguntando-lhe:- Não vai meu caro me desejar um bom apetite?

  Então Ariadne abre bem a sua boca e quando esta na eminência de abocanhar o braço de sua presa....boooommmmm....após o som desse disparo, ela solta Jardel e ambos despencam do alto onde estavam levitando e começam a cair na direção do chão. Jardel por sorte cai em um imenso arbusto que ameniza em muito a sua queda. Já Ariadne não tem a mesma sorte e cai em cima de uma grande pedra fazendo com que ela quebre seus braços e pernas ao se chocar violentamente contra essa mesma estrutura pétrea. 

  A mulher—demônio ao levantar a sua cabeça ensangüentada se depara com um homem bem a sua frente, este esta vestido com um conjunto de couro preto, blusa e calça, por cima assim como Jardel ele usa um sobretudo aberto de cor cinza. Aquele homem que aparecera subitamente e a impedira de devorar a partir do seu braço a Jardel, aos poucos tem a sua imagem que fica mais clara ao foco de sua visão. Então ela o reconhece:- Aleksander seu maldito, assim que me recuperar de meus ferimentos eu vou atrás de você e com minhas próprias mãos vou trucidá-lo. 

 Aleksander sorrindo sarcasticamente para Ariadne balança a cabeça meneando-a negativamente e replica-lhe dizendo-lhe:- E você acha mesmo que eu vou lhe dar esse tempo de recuperação para que cumpra com sua ameaça demônio maldito do inferno?Você se esquece que hoje sou eu que carrego isso comigo!

 Ao dizer essas palavras, Aleksander retira pegando de um dos bolsos internos de seu sobretudo cinza um livro que ele faz questão de levantar bem alto para mostrá-lo a rainha das trevas. Ariadne ao contemplar com seus olhos esbugalhados a capa dura de cor amarronzada que traz gravada em sua face uma letra M de cor rubra, reconhece naquele objeto, o livro sagrado de São Miguel Arcanjo. 

- Hoje muito ferida como esta e sem tempo hábil para se recuperar de seus machucados, assim com não tendo a proteção de seus servos demoníacos para defendê-la, acredito e acho que você sente o mesmo Ariadne, que não terá como fugir e se safar do seu destino certo que é padecer pelas mãos sagradas do único poder válido que existe na face da terra, o poder de Deus Nosso Senhor. 

 Aleksander ao dizer tais palavras sente que alguém se aproxima dele, percebe que é Jardel que apesar de mostrar que tem alguns arranhões em seu rosto e braços lhe parece estar muito bem. Este coloca uma de suas mãos no ombro de Aleksander e lhe diz: - Faça o que tem que fazer e o faça agora primo!

  Sem pestanejar Aleksander quebra o lacre de cera do livro místico e abrindo-o brada olhando para os céus dizendo:- Príncipe da milícia celeste São Miguel Arcanjo eu vos invoco com todo poder da fé de seu servo Antônio Manuel de Santa Cruz e com o de minha própria fé. 

Em resposta a tal invocação, raios começam a riscar o céu nublado, de súbito milagrosamente toda a névoa é dissipada da atmosfera que cercava os três personagens presentes naquele parque abandonado. 

  Um raio cai próximo de onde os três se encontram, então justo no ponto em que ele bateu no chão surge a figura majestosa e iluminada de um anjo. O espírito angélico que por meio daquele raio ali caído surgira, traja uma brilhante armadura de cor prateada que a principio ofusca os olhos dos presentes naquele lugar que o contemplam com admiração e temor naquele momento.

  Miguel com um gesto pede para que a dupla de jovens rapazes se afastem alguns passos de onde ele esta ao que imediatamente é obedecido pelos dois. Então o arcanjo desembainha a sua espada e lentamente se aproxima da pedra onde Ariadna esta deitada imóvel, sangrando profusamente, ferida ao extremo. 

  Com um ar orgulhoso e arrogante a rainha das trevas ergue seus olhos na direção do arcanjo que vagarosamente dela se aproxima, com um tom grave de voz ela diz-lhe:- Então finalmente você veio Miguel, demorou, mas eu sabia que por mais que eu lutasse contra isso esse dia chegaria, o dia em que se manifestaria com sua presença angélica odiosa diante de mim. Só não imaginei que me depararia com você nessas condições deploráveis em que me encontro, sem poder enfrentá-lo dignamente. 

- O Senhor quebrou seus braços e suas pernas para que você não pudesse fugir antes que por meio da abertura do livro eu fosse invocado, como anteriormente no passado já aconteceu várias vezes  pérfido demônio. E para que deseja lutar ainda mais, se esta noite seus dias de batalhas hão de acabar para sempre?

-Sim Miguel, eu tenho a consciência que meus dias de fazer guerra contra o seu Deus e as suas criaturas favoritas que são os miseráveis homens terminaram. Então anjo do bem, faça o que foi enviado pelos céus a fazer e o faça depressa, sem protelação alguma. 

  Assim que Ariadne silencia a sua voz ao terminar de lhe proferir tais palavras, Miguel segura o cabo de sua espada com as suas duas mãos e olhando para o céu brada em alta voz: - Senhor meu Deus, principio e fim de todas as coisas existentes, destruí pelas minhas mãos que lhe são consagradas a esse espírito imundo que veio do fundo do Hades perder e matar os homens seus filhos e servos. Manifestai pelo fio de minha espada o seu poder divino, oh, meu amado Criador.  

  Ao terminar a sua oração a Deus, Miguel em um movimento vigoroso e rápido decepa a cabeça de Ariadne com um só golpe da lamina afiadíssima de sua espada. A cabeça do demônio alado voa longe, do seu pescoço decepado jorra um rio de sangue negro que lava o chão a sua volta. 

  Para a surpresa de Jardel e Aleksander algo inusitado ocorre naquele momento. A alguns poucos metros de altura,bem acima de suas cabeças, surge uma legião de demônios com o aspecto de soldados derrotados, tendo seus braços e pernas presos com grossas correntes. Estes marcham enfileirados em direção a um buraco que se abre no ar de onde saem labaredas enormes de um ardoroso fogo. Demônio após demônio entram dentro desse portal que se abriu milagrosamente do nada e que aparentava ser o precipício do Hades onde eles levados por uma força superior a sua vontade se atiravam. 

  Tanto Jardel quanto Aleksander compreenderam naquele mesmo instante que aqueles demônios eram os mesmos que possuíram os corpos dos membros da seita diabólica que cultuava a Ariadne e que agora com a sua morte eram expulsos por Deus do interior desses mesmos corpos precipitando-os no abismo do inferno, destruindo assim para sempre todo o poder satânico que tal seita um dia possuiu. 

  Assim que o ultimo dos demônios entra no portal, este se fecha e aquela incrível visão tem então o seu fim. 

  Miguel com o encerramento daquela visão de natureza dantesca volta seu olhar para os dois jovens primos exorcistas e com um sorriso cheio de contentamentos nos lábios diz-lhes:- Fiéis servos do Senhor alegrem seus corações porque hoje o grande mal que assolava a terra ceifando vidas inocentes não as ceifa mais. A vitória do Senhor nosso Deus foi tremenda e estupenda sobre seus inimigos que diante o seu poder não são páreos. Mais uma vez a luz divina do Cristo do Senhor expulsou as trevas demoníacas que havia nesse mundo. O que eu disse ao avô de vocês dois há muitos anos atrás se cumpriu fielmente na noite de hoje, que aquilo que ele iniciaria seria os seus descendentes que terminariam por ele, e assim se sucedeu. Vocês meus filhos levaram a bom termino a obra de seu avô Antônio combatendo o bom combate contra as forças das trevas. Ficai na paz do Senhor e que suas bênçãos caiam copiosamente sobre as suas benditas cabeças e sobre as de seus descendentes, que a família dos Santa Cruz seja eternamente abençoada divinamente,assim seja. 

  Ao terminar de dizer essas palavras confortadoras, Miguel desaparece bem diante dos olhos de Jardel e Aleksander tal como a neblina que antes os acossava havia milagrosamente sumido com a invocação ao referido anjo.  

  Vibrando com a vitória deles sobre as forças do mal, Aleksander de punhos fechados e tendo os braços erguidos exclama: - Conseguimos primo, finalmente mandamos aquela cretina e seus seguidores para os quintos do inferno, agora a alma de nosso avô assim como de nossa avó sua esposa podem descansar em paz. 

   Jardel se vira para seu primo e com um ar intrigado pergunta-lhe:- Afinal de contas Aleksander, onde diabos você andou ou se meteu esse tempo todo enquanto eu combatia sozinho aquela puta das trevas?

   Meio sem jeito e corando em suas faces Aleksander responde-lhe:- Desculpe Jardel, tentei achar alguma outra entrada na direção oposta do muro que cerca esse lugar abandonado, no entanto não consegui tal intento. Então o jeito foi tentar pular esse alto muro, quando consegui chegar do outro lado dele eu tomei um baita tombo caindo ao chão, nisso meu celular foi para casa do cacete, espatifou-se ao solo caindo de dentro de um dos bolsos internos do meu sobretudo, sendo assim se você tentou entrar em contato comigo eu não tinha como saber e lhe responder o seu chamado. Para piorar as coisas enquanto eu caminhava no meio desse matagal que se tornou com o tempo esse parque, tive uma séria crise de disenteria, com isso tive de parar em algum lugar no meio do mato para atender essa minha necessidade biológica. Quando me refiz eu ouvi de longe o som de alguns tiros, supôs que fosse você, mas por causa da neblina e escuridão demorei muito para conseguir achar a sua localização exata, felizmente quando consegui, cheguei a  tempo ainda de salvá-lo de ser devorado vivo por aquela cadela devassa. Se eu não tivesse conseguido chegar no momento exato e impedir tal desgraça, nunca me perdoaria meu primo, nunca. 

- Disenteria?Bem que eu falo para você seu babaca para não ficar comendo o tempo todo como um porco esfomeado!

- Eu estou em fase de crescimento, portando tenho de comer.  

- Fase de crescimento?Não me faça rir Aleksander, você já cresceu o que tinha de crescer, mês passado ao que eu sei foi seu vigésimo terceiro aniversário, sendo assim crescer mais que isso você sabe muito bem que não dá mais. 

- Tudo bem, estou brincando com você é só isso. 

  Por alguns momentos os dois jovens primos interrompem o seu dialogo entrando em um silencio quase que tumular. Então dentro desse silêncio eles ficam a olhar o corpo sem cabeça de Ariadne se esvaindo em sangue justo no lugar onde agora lhe falta um pedaço do pescoço além do seu próprio crânio é claro. De súbito parecendo que o lampejo de uma lembrança iluminara a sua mente, Aleksander interrompe aquele silencio entre ele e seu primo e voltando seu olhar para o rosto sério de Jardel, então lhe pergunta: Hei primo, cadê o tal do Cássio, a isca que usamos para nos aproximarmos de Ariadne, o que houve com ele?-ao ouvir tal pergunta que o fez lembra-se daquele jovem rapaz que fora mais uma de tantas vitimas inocentes daquele demônio negro que até poucas horas atrás fora Ariadne, Jardel tomando consigo um ar de desolação e inconformismo,responde-lhe a pergunta dizendo:-  A principio quando cheguei aqui eu consegui salvá-lo das garras homicidas de Ariadne, ela estava a ponto de devorá-lo vivo.  Com isso eu e o pobre Cássio sofremos um primeiro ataque por parte daquele demônio negro e conseguimos momentaneamente nos safar do efeito destrutivo dele. Mas quando Ariadne recuperada dos ferimentos que lhe causei para impedi-la de matar a Cássio voltou a carga, eu não tive desta vez como impedi-la de arrebatá-lo bem diante os meus olhos e em pouquíssimos minutos devorá-lo vivo. O esqueleto dele envolto de farrapos do que sobrou de sua roupa esta daquele outro lado, atrás daquelas seis arvores emparelhadas lado a lado. -, Jardel aponta com seu dedo indicador em direção as seis arvores por ele referidas a seu primo.

  Passando uma de suas mãos sobre seu queixo e demonstrando uma expressão também de pesar, Aleksander diz a Jardel: - Pobre diabo, eu tinha esperanças de salvá-lo a tempo antes que Ariadne fizesse dele o seu jantar desta noite. Sei que o usamos como boi de piranha, mas assim foi necessário para que pudéssemos nos aproximar dela com mais rapidez e segurança. 

- Na verdade o pobre do Cássio morreu por sua própria imprudência, como é que ele se mete no meio de um parque deserto como esse abandonado por Deus e os homens junto com uma total e completa estranha somente para dar uma foda?

  Concordando com a colocação de seu primo, Aleksander lhe responde:- é verdade primo. Isso que eu chamo de foda muito mal fadada!

  Jardel então dá um tapinha no ombro do seu primo e finalmente lhe diz:- Vamos embora daqui, a nossa missão esta mais que cumprida, lá do alto do céu nossos avós devem estar morrendo de felicidades por termos dado um bom término ao grande trabalho da vida de ambos. 

  Segurando em uma mão o seu rifle e na outra o livro sagrado de São Miguel, Aleksander se vira para acompanhar seu primo com o intuito de ambos juntos saírem daquele parque desértico onde através de suas almas Deus e o diabo travaram entre si uma sangrenta luta. Uma luta que felizmente Deus vencera para que o sangue de gente inocente não fosse mais derramado por aquela que era a rainha tétrica do Hades.

                                                           FIM. 

                              ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS. 

PS do autor: Cuidado com quem você vai a um lugar deserto e exótico para transar hoje em dia, hein?

Dedico essa saga literária a Seliny, a minha amada Psy Vampira!Eu te amo Seliny,venha me buscar!

Um comentário:

Nando Neri disse...

Que tal ser um Santo de Calça Jeans?
Quero recomendar a leitura do blog: http://santosdecalcajeans75.blogspot.com/