quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Falando um pouco sobre mulheres!!!

            Esta manhã, ao embarcar no ônibus, deparei-me com uma mulher ao volante. Cumprimentei-a com um pouco mais de simpatia que o usual, por ser ela quem é – sempre que embarco no coletivo, desejo um "bom dia", "boa tarde" e, ao descer, "desejo "bom trabalho" ao motorista. Ela respondeu ao meu cumprimento com um sorriso simpático, quase brilhante, eu diria.

           Sentei-me no banco individual, ao lado da porta, lugar estratégico para que eu pudesse observá-la discretamente. Tipo "mignon", morena, cabelos longos pretos, mãos delicadas de unhas longas cuidadosamente manicuradas segurando o volante e trocando as marchas do veículo. E o sorriso permanente. "Se fosse proprietário de uma empresa de ônibus, só colocaria motorista do sexo feminino", pensei. E explico porque: tenho observado que elas são, geralmente, mais atenciosas com os passageiros, mais cuidadosas ao dirigir e, mais importante, mais agradável aos olhos dos passageiros. Não tenho nada contra motoristas do sexo masculino, mas prefiro as do sexo feminino.

         Brincadeiras a parte, sou de opinião que a mulher deve ser respeitada pelo ser humano que ela é, não porque galgou postos de serviço que antes era exclusivo dos homens. A jornalista Ana Paula Padrão publicou na revista Isto É, número 2194, uma reportagem sobre as mulheres empreendedoras e como esse segmento está crescendo. Cita Elisabete Miranda, que fixou-se nos EUA, abriu uma empresa e foi agraciada com o prêmio Winning Women. Esse prêmio é dado a mulheres que se destacam no mercado americano com idéias inovadoras e coragem para implantá-las — palavras da própria jornalista.

       Uma mulher amiga minha, aproveitando sua nacionalidade européia, uma vez que nasceu lá mas viveu e estudou no Brasil, depois de revezes profissionais em terras tupiniquim, guardou seus diplomas universitários, de pós-graduação e doutorado, e foi ganhar a vida no velho continente trabalhando como terapeuta.

      Citei apenas três exemplos de mulheres que, com a cara e a coragem, enfrentaram o mundo e tiveram sucesso. Mas onde ficam os milhares de brasileiras que não conseguem, por motivos mais variados que existem, alcançar esse sucesso? Que batalham aqui mesmo, neste reinado do machismo, submetendo-se à trabalhar três jornadas diárias, as vezes mais, para dar conta de casa, filhos, emprego, marido? E que não recebem o menor reconhecimento?

      Infelizmente, neste estado laico em que vivemos, ainda a mulher é submetida à tirania do sistema religioso que impõe rígidas regras morais na forma de leis arcaicas.

      Mas nem sempre foi assim. Houve época, na história da humanidade, que a mulher era respeitada, não só como ser humano que é, mas até divinizada, por ser a procriadora. Esculturas encontradas em escavações, datadas da eras pré-históricas, mostram a mulher grávida, a continuadora da espécie.

      Segundo estudiosos, essas peças eram objetos de culto, de adoração. Nada consta que elas fossem subalternas, inferiores aos homens. E assim surgiu a aurora da humanidade, sempre tendo a mulher como ser igual ao homem, táo igual que as divindades todas eram formadas sempre por um casal: Shiva e Parvati, Baal e Astarte, Amon e Mut, Isis e Osíris, Deusa Terra e Cernuros, só para exemplificar, pois o panteão é imenso. E todas eram tão atuantes como seus respectivos maridos na condução da humanidade. Para reverenciar esses deuses e deusas, haviam os sacerdotes e as sacerdotisas, sempre em pé de igualdade e, em alguns casos, elas mais atuantes ainda.

     No mundo dos humildes mortais, as mulheres tomavam as rédeas de governos tanto quanto os homens, como Cleópatra e Nefertiti, no Egito. E foi nesse mundo dos mortais que, em determinado momento, surgiu uma divindade que, segundo seus seguidores, teria tirado a mulher do nível parelho ao homem e colocado em segundo lugar, em nível inferior, culpada de diversos males que levariam o homem ao crime.

     De repente, a mulher foi coisificada juntamente com a casa, o servo, a serva, o boi, o jumento: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma do que lhe pertença”. (Êxodo 20,17)" (http://www.bibliacatolica.com.br - Biblia da CNBB). (grifo do autor)

     Começou aí o martírio, a perseguição da mulher. Como coisa, ela podia ser vendida, dada, trocada, ao bel prazer do macho dominante (o pai, o marido). A justificativa? O pecado entrou no mundo através da mulher. Foi ela quem se deixou seduzir pela serpente e comeu do fruto da árvore proibida e, o que é mais grave ainda, deu ao homem o fruto, para ele comesse também, segundo Gênesis 3, (op. cit.).

     Até hoje ela paga por esse erro. Quando nasce, o pai deve dirigir sua vida. Felizmente, isso já está mudando, e muitos pais abdicaram do poder de dominar sua filhas, permitindo que estudem, trabalhem, escolham seus próprios caminhos. Pena que ainda ficamos na situação "muitos pais", e não na situação "os pais..." - forma genérica e geral.

    Bem, a mulher conquistou seu espaço na vida profissional do século vinte, como vimos nos exemplos acima. Conquistou? Será? Em muitas empresas, a mulher ainda ganha o que o macho dominante, dono da empresa, acha que ela vale, não o quanto ela merece. E ele sempre acha que ela vale menos que o profissional que executa o mesmo serviço, as vezes sem o mesmo cuidado ou diligência. O salário até pode ser o mesmo, jamais será mais alto, pois a desculpa é que ela tem problemas mensais que alteram seu humor, sua capacidade, sua disponibilidade.

   Mais desculpas? Ela terá, fatalmente, que se afastar do serviço para atender às obrigações a que a natureza lhe confere: garantir a continuidade da espécie. Isso significará cu$to para a empresa, em forma de ausência no trabalho, queda na produção, necessidade de reposição de mão-de-obra, pagamento de salário garantido apesar de não estar produzindo, etc., etc., etc...

  Tanto essa situação é realidade que a ampliação da licença maternidade foi duramente combatida, nesta terra maravilhosa do samba e da mulher bonita, por quase a totalidade dos empresários. Não fosse a atuação firme e decidida de suas pares, nos círculos administrativos políticos, e elas ainda estariam trabalhando até o último dia da gestação, parindo seus filhos e voltando a trabalhar no primeiro dia após o parto!

   Recentemente, - dezembro de 2011 – três mulheres foram agraciadas com o prêmio Nobel,as liberianas Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee, e a iemenita Tawakkul Karman. Conforme a reportagem: "Segundo o presidente do comitê Thorbjoern Jagland, elas representam a luta pelos "direitos Humanos em Geral e das mulheres pela igualdade e paz, em particular." (www.paraiba.com.br).

   Ainda existem países que subjugam suas mulheres, obrigando-as a viverem escondidas sob roupas, dizendo que, assim, não excitarão o homem. Tudo por ordem de seres superiores, criados pelo homem (categoria sexual) exclusivamente para possibilitar o jugo do homem (ser genérico) pelo homem (ser governante).

   Mulheres pensam, decidem, analisam, mas quando têm que agir, encontram forte resistência do sexo oposto. Os representantes das leis também não as favorecem muito, não. Recentemente, um oficial da policia canadense falou que a mulher foi atacada pelo marginal estuprador porque sua roupa era provocante, ela mostrava mais do que devia do seu corpo, portanto, era culpada de ter provocado o homem. Assim sendo, o homem foi considerado "vítima" do poder de sedução da mulher, o que lhe dava total direito de atacá-la, violentá-la, estuprá-la e quaisquer outros nomes que se queira dar ao ato por ele executado. Será que a mulher não tem o direito de se vestir do jeito que se sente bem, confortável?

   O jornalista sentiu-se abandonado, pegou uma arma e descarregou as seis cápsulas nas costas da mulher que tomou a decisão – unilateral, diga-se de passagem – de reconquistar sua liberdade longe dele. Ela está morta e ele está livre, aguardando a decisão da lei.

    Apenas dois exemplos. Preciso citar mais? O da cabeleireira? É Só abrir os jornais – impressos, falados, digitalizados – e teremos milhares de exemplos! Quantas mulheres são protegidas quando têm sua integridade atingida? Quem escuta seus brados de socorro, de vítima?

   Graças a Deus, a lei mineira da legítima defesa da honra não pegou! Senão, qualquer assassino de mulher iria alegar que sua honra foi maculada depois que transou com ela, que ela procurou amor verdadeiro em outros braços ou que ela tenha recusado seu "convite" para fazê-lo feliz.

    Não vou discriminar aqui padrões de pele, pois não é meu objetivo. Tampouco vou falar das mulheres que galgaram postos políticos, militares ou científicos. Não as estou desprezando. Simplesmente, essas mulheres, ainda são seres isolados, infelizmente, que batalharam e conseguiram chegar lá. Seria pieguice de minha parte fazer loas para elas. Minha luta é pela mulher comum, aquela que batalha de sol a sol para sustentar filhos, casa e, às vezes, marido – não vou entrar em méritos deste último motivo. Mulher é, e sempre será mulher, não importa a cor de sua pele. E deve ser respeitada como tal, pois é a parte fundamental para que a espécie tenha continuidade.

    Será que, em plenas calendas do século 21, a mulher ainda tenha que ser sujeitada às vontades do macho alfa? Será que esse macho não percebeu que a mulher faz parte de sua vida, parte tão importante quanto o alimento, o ar, o sol? Que está exatamente no mesmo nível social, econômico, filosófico, que ele?

TÓTILA ARTIGAS. 

Um comentário:

Sorry i cant fly... disse...

Estamos conseguindo ocupar nossos espaços na sociedade. Não que isso seja fácil, mas a lentos passos... estamos caminhando. Um dia, quem sabe, nós mesmas "mulheres" passamos a criar e educar nossos filhos com uma mentalidade diferente da que fomos educados.
Bjlhões.