quinta-feira, 8 de março de 2012

O sagrado feminino. - O sagrado feminino no filme Avatar!


"...Pandora (a lua dos seres azuis) representa o Sagrado Feminino. O respeito e a veneração da Natureza, o respeito à vida e o entendimento da morte, a comunhão entre todos, o ser natural (e selvagem quer dizer isto)..."

            Há alguns dias eu venho sentindo a necessidade de falar sobre o Sagrado Feminino de uma forma mais ampla. Eu costumo não atuar  numa linha só, e talvez você também seja assim. O que quero dizer com isto é que eu trabalho em vários níveis dentro do meu caminho espiritual. Isto significa que posso em muitos momentos estar completamente absorvida e dissertando sobre o ser Bruxa - e tudo o que isto pode implicar – e, em outros momentos, posso estar mais focada na parte social de meu trabalho, o que me leva a falar mais sobre o patriarcado e seus danos, por exemplo.

            Esta semana criei no blog Metamorfose uma seção que indica as datas de homenagem e celebrações de Deusas e Deuses, algo bem pagão e politeísta, que eu também sou. A maioria, se não todas as religiões pagãs, tem como base a Deusa, o Sagrado Feminino. Podemos vê-lo na religião católica, por exemplo? Em parte, diria eu, uma parte pequena e mutilada que deixa a desejar. Porque o Sagrado Feminino precisa ser visto, sentido e respeitado por inteiro. Ele é abrangente e não compartimentado. Ele é fluxo e não controle, como o patriarcado.

            Chego agora em Avatar. Assisti ao filme esta semana. Precisava escrever sobre ele, sobre o quanto me tocou, sobre a sua importante e urgente mensagem. Como disse, já pensava em escrever sobre o Sagrado Feminino, e quando estava tentando decidir qual artigo escreveria primeiro, percebi que poderia escrever um só artigo.
         
            Sem falar da belíssima fotografia do filme e de seu ritmo perfeito, me sensibilizou profundamente a valorização do Sagrado Feminino e a condenação de um patriarcado desumano e hostil.
         
           Quando assisti ao diretor James Cameron receber o Globo de Ouro por melhor filme dizer que Avatar mostrava que tudo está ligado, eu fiquei ligada. “Opa, este filme parece ter algo importante a acrescentar”, pensei eu. E realmente, me deslumbrei com a força do Sagrado Feminino no filme. Avatar demonstra  o que a Deusa  é, a Sua essência, o Seu significado.
           
           Pandora (a lua dos seres azuis) representa a essência da Deusa. O respeito e a veneração da Natureza, o respeito à vida e o entendimento da morte, a comunhão entre todos, o ser natural (e selvagem quer dizer isto!), a cura pela Natureza, a valorização de todas as formas de vida, o entendimento acerca da rede de energia, tudo isto é o povo dos seres azuis, tudo isto é o Sagrado Feminino, tudo isto é a Deusa.
           
             Do outro lado, do lado vilão, encontramos o capitão e seus soldados, representantes do patriarcado que se baseia no ego, na disputa, na satisfação única e pessoal, na violência, no desrespeito, na ganância, na crueldade. E como eu me revoltava ao ver tanta maldade, tanto egocentrismo e tanta doença, doença da alma, a alma partida e dividida! Aqui não encontramos o polo oposto e complementar do Sagrado Feminino, pois sua polaridade complementar é o Sagrado Masculino, tão bem representado pelo herói do filme.
         
            O patriarcado, é bom lembrar e até mesmo avisar, não é dos homens enquanto o Sagrado Feminino é apenas das mulheres. Ele é um modelo cultural e social, que infelizmente ainda domina o nosso mundo atual, mesmo que muitas vezes disfarçado, deturpando e usurpando a sacralidade também do masculino.
         
            Achei muito interessante no filme o fato de suas mulheres ”civilizadas” mesmo fazendo parte do esquema patriarcal, conseguirem acordar para a força de seu próprio Sagrado Feminino. Enquanto que o herói do filme uma vez tocado pelo Sagrado Feminino consegue despertar o seu Sagrado Masculino.
         
            O Sagrado Feminino faz parte de homens e mulheres que estejam prontos para senti-lo em si próprios, no outro e no mundo. Pois a força da Deusa, da essência feminina, permeia tudo! É uma rede que dá sentido a tudo. É a Natureza, sou eu, sou você. Não é simplesmente um sistema político e social, como o patriarcado. O Sagrado Feminino é uma força da vida, da existência, que sim, foi reprimida e ocultada pelo patriarcado, mas que nunca deixou de existir. É deste Sagrado Feminino que precisamos com urgência no mundo atual, para nos equlibrarmos, equilibrarmos nossas vidas, equilibrarmos o mundo!

ANNA LEÃO. 

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