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Seliny. – II Parte. – Caminhando sobre as sombras das inquietações!!!

quarta-feira, 27 de junho de 2012.
“A natureza nunca vai punir o predador por conseguir pegar a presa, e de maneira alguma punirá a presa por conseguir driblar o predador”. – (Cello Vieira).


            Segurando a mão do seu interlocutor misterioso, Seliny é levantada do chão por ele, que agora têm o seu rosto melhor iluminado pela luz prateada da lua que brilha silenciosa nos céus frios de Ares Ville.

             Ficando de pé e de frente para aquele rapaz que lhe aparecera do meio da penumbra em dentro daquele beco que se metera quase sem perceber, através do desespero que se encontrara, Seliny têm os seus olhos que se encontram com os olhos castanhos claros dele, e ela percebe algo perturbador, são suas pernas que bambeiam com o encontro inusitado daquele olhar.

            - Não fique assustada, não sou nenhum marginal que está a fim de lhe fazer algum mal, eu apenas estava fumando meu cigarro escondido nas sombras, quando percebi o momento em que você chegou envolvida por esse seu choro desesperado. Daí eu pensei que poderia lhe ajudar em algo.

             - Você é sempre tão solicito com mocinhas que aparecem em seu caminho aparentando estar com algum tipo de problema?

             - Na verdade quase sempre, principalmente se uma dessas mocinhas for tão bonita como você!

             Sorrindo com desdém ao ouvir a resposta do rapaz, Seliny lhe diz:- Nossa... você estava indo tão bem, tinha que estragar tudo com uma cantada barata como essa. – Percebendo que tinha trocado os pés pelas mãos, o moço tenta consertar a situação dizendo-lhe: - Tudo bem... foi mal, vamos fazer o seguinte, que tal se começarmos tudo de novo, se voltarmos ao ponto de partida, assim você me daria uma nova chance de me redimir, o que acha?

              - Não costumo dar uma segunda chance a ninguém, muito menos a paqueradores baratos que se aproveitam de uma situação como essa em que encontram uma garota em um momento de fragilidade como esse o meu, para dar uma cantada e se dar bem. Odeio Don Juans, mesmo quando aparentam querer ajudar, no fundo, no fundo, só querem tirar é uma casquinha da sua mais nova conquista. – Ao acabar de dizer isso, Seliny se afasta do rapaz lhe dando as costas, e se dirigindo para a única saída daquele beco escuro, fedorento e frio em que ambos se encontravam.

             O jovem não acreditando na intolerância daquela garota que há poucos minutos atrás parecia tão desesperada e que só tentara ajudar ao se aproximar dela, lhe grita enquanto a vê se afastando de si a passos apressados:- Ah, muito obrigado pela sua consideração e agradecimento por eu só querer ajudá-la,viu?A propósito, o meu nome é Miguel, e qual é o seu?

             Antes de passar pela saída daquele lugar sombrio abandonando-o, Seliny para e se volta rapidamente para responder a indagação do rapaz: - Meu nome é Seliny, e saiba que não estou sendo má agradecida em dar as minhas costas a você, estou na verdade lhe prestando é um favor. Boa noite Don Juan, e cuidado, não é salutar andar sozinho pelos becos sem saídas de Ares Ville, você pode acabar sem querer se deparando com situações que fariam a sua mente perder a sua própria sanidade.

            Ao terminar de proferir essas palavras finais, Seliny se retira daquele beco penetrando na escuridão fria e que parece dominar toda a cidade de uma forma implacável. Miguel olhando para a bituca de cigarro que havia jogado no chão próximo de si após ter percebido Seliny chegar ali chorando, o chuta na direção da sarjeta ao mesmo tempo em que murmura para ele mesmo:- garotas, você tenta ajudá-las, e só porque solta um gracejo em má hora, elas te julgam duramente.

            Seliny limpando a sua boca um pouco ainda suja de sangue, se pergunta o porquê o rapaz não havia notado a presença do estranho liquido vermelho que escorria bizarramente de seus lábios. Deveria ser por causa da penumbra que envolvia o ambiente daquele beco escuro e que provavelmente não deixava as pessoas enxergarem esse tipo de detalhe, essa fora a conclusão que chegara para explicar tal fato. Ela mesma só conseguiu contemplar o rosto do rapaz com clareza, graças a sua visão de vampira que conseguia atravessar o breu mais intenso.

            Agora, o que realmente perturbava Seliny era o efeito que a presença daquele rapaz produzira sobre si, um efeito que nenhum outro representante do sexo masculino havia provocado antes em toda a sua vida nela, mesmo quando ainda era uma mortal aquilo nunca lhe tinha acontecido.

            Assim que ouviu a sua voz era como se uma luz reconfortante houvesse penetrado de súbito em seu peito libertando-a daqueles sentimentos alicerçados no mais puro desespero e que a dominavam horas atrás, e depois quando sentiu o calor do toque da sua mão ao ser levantada por ele e que a levou quando ficou de pé a ficar frente a frente com aquele seu olhar de cor castanho, tudo isso, a conduziu a ter as suas pernas trêmulas e seu coração ribombando fortemente dentro do seu seio.

            Agora Seliny se perguntava quem era aquele enigmático rapaz que conseguira de forma inédita provocar aquelas emoções dentro do seu coração, ainda agora que nem humano ele era mais. Apenas uma informação ela tinha dele, sabia o seu nome, pois o moço o dissera antes dela o ter abandonado dentro daquele beco escuro e sem saída. Miguel. Um belo nome ela o achou.

            De qualquer forma, Seliny tinha a consciência que tinha de esquecer aquele encontro inusitado, para ela não havia outra medida a ser tomada do que apagar da sua memória aquele rapaz galanteador que balançara de forma surpreendente o seu coração de filha das trevas. Afinal, desde que há alguns poucos meses atrás se transformara em um monstro sanguessuga, coisas normais de uma existência humana como era o caso do amor, tinham deixado para sempre de ser uma possibilidade para essa sua nova espécie de vida que contra a sua vontade tivera que abraçar.

           Infelizmente todos os seus sonhos de menina estavam destruídos, ela agora assim como nunca mais, poderia querer para si concretizá-los. Sonhos como conhecer um belo rapaz e se apaixonar por ele, futuramente pensar em se casar e ter filhos com esse seu companheiro escolhido pelo seu coraçãozinho enamorado, tais coisas, Seliny sabia que deveria esquecer para todo o sempre. Afinal tais anseios pertencem aos humanos, e mais do que ninguém, ela sabia que não havia mais nada de humano dentro de si própria.

           Seliny também sabia que precisa apertar o passo, ela está há horas fora de casa, e seu maldito mestre deveria estar se perguntando por onde sua pupila andaria nesse longo espaço de tempo em que esteve ausente. Ela sabia que o monstro que a havia transformado em uma nosferatu a estava esperando cercado pela horda vampírica de seus seguidores.

            E se tinha uma coisa que Eliodoro não gostava muito era de esperar por algo ou alguém, tudo parecia ter de correr de forma imediata para ele. E se assim não fosse, alguém iria pagar muito caro por isso.

            Diferentemente dos demais vampiros do clã de Eliodoro, Seliny não o temia, entretanto, a jovem garota não queria armar uma discussão com seu mestre, justamente naquela noite que fora tão infernal para ela. Afinal Seliny tinha feito aquilo que havia prometido a si própria que nunca mais faria outra vez, a de por sangue humano novamente em sua boca. Ela havia jurado diante de Eliodoro e seus irmãos das trevas que não seria como eles, assassinos frios e desumanos que não tinham respeito algum pela vida humana, tratando-a como mero alimento, considerando as pessoas como se fossem um simples gado para alimentar a sua fome vampiresca.

            As gargalhadas de desdém de Eliodoro e seus sequazes quando a ouviram proferir tal juramente diante deles, ainda ardiam em sua mente, isso fazia Seliny os odiar mais que já os odiava, assim como agora acontecia de sentir ódio de si mesma por ter fraquejado e descumprido com seu juramento feito.

            Ela ainda não sabia como, mas tinha de dar um jeito, de alguma forma Seliny teria que aprender a dominar a sua sede por sangue humano, e quando tal sede gritasse alto no mais profundo do seu ser, a vampira teria que matá-la com uma outra coisa, um substituto, algo quase similar, talvez sangue de animais, algum espécime ou ser que não fosse humano. Isso seria uma incrível solução para que em seu coração Seliny não se sentisse tão desumana, um ser sem alma, um monstro pérfido e criminoso.

            Agora não era hora para pensar em tal problema, ela tinha que chegar o mais rápido possível ao grande casarão, no lugar onde com toda a certeza Eliodoro já questionava com os seus a respeito de seu misterioso paradeiro. Quando lá chegasse, Seliny sabia que teria que lhe dar satisfações, ela odiava esse tipo de coisa, mas era a lei e a regra dentro daquele ninho de vampiros, Eliodoro era o grã-mestre e todos lhe deviam satisfação de suas vidas imortais, e ninguém por mais poderoso e astuto que fosse, estava livre de tal obrigação.

            Assim que vislumbra os portões negros do enorme casarão onde mora e que fica situado em um bairro afastado de Ares Ville, de uma forma apressada Seliny atravessa a rua escura e logo depois que sobe a calçada alcançando-os, ela estaca diante deles, então levantando uma de suas mãos, a garota-vampira faz um movimento circular no ar tendo a palma de sua mão estendida para frente.

            Então de uma forma surpreendente os portões se abrem sozinhos, magicamente. Seliny passa através deles ganhando assim os jardins da grande casa, ela ainda escuta quando os mesmos portões se fecham às suas costas movidos por um poder invisível.

            Seliny ainda andando de forma apressada sobe uma escada feita de mármore negro que leva a porta de entrada daquele enorme e antiqüíssimo casarão. Ao passar por essa grande porta de face dupla, ela ganha um longo corredor que dá acesso a uma outra porta do mesmo tipo. Ela sabe que atrás dela Eliodoro e o seu clã vampírico a esperam ansiosamente.

             Ela abre a porta e a atravessa, entrando em uma sala ampla e iluminada por um enorme lustre que ficava dependurado no meio do alto teto daquele antiga e sombria construção, fixadas às paredes havia também pequenas luminárias , essas tinham um designer no mínimo bizarro, pois as lampadazinhas acesas eram acopladas a garras destorcidas feitas de metal cinza-escuro. As paredes brancas combinavam com o tapete de pelúcia também de cor branca.

             Andando sobre ele, Seliny caminha decidida para o outro extremo daquela grandíssima sala, onde sentado em uma cadeira amarronzada que mais parecia um trono pelo seu alto encosto, estava Eliodoro cercado por um numeroso grupo de vampiros que têm a sua atenção tomada pela súbita e inesperada invasão da jovem nosferatu.

             Assim que Eliodoro tem a sua rebelde pupila estacada bem a sua frente, ele sarcasticamente a saúda: - Bem vinda Seliny, a minha mais amável discípula finalmente chegou!

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS. 

Apenas com teu amor vampira, eu consigo me sentir tão imortal:

Evanescence – My Immortal!!!

leia a terceira parte desta saga - literária, clicando aqui:  Seliny. – III – Parte. – Os três porta – vozes das sombras!!! 

1 Comentário:

Velcan Pendragon disse...

Pobre Seliny que morreu sem ter um final , rsrs (morreu apenas neste blog ok )
Saudades dos teus textos mais obscuros , kisses

Seliny

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