terça-feira, 7 de agosto de 2012

Seliny. – III – Parte. – Os três porta vozes das sombras!!!

“Quanto de nós guardamos nas sombras, com medo do que os outros possam pensar, de julgamentos, de sermos examinados? O que poderia acontecer se nós deixássemos que a luz nos banhasse, expuséssemos nossas vulnerabilidades, permitíssemos familiaridade para subirmos no palco, mesmo que por um breve momento? O que eles veriam”?
(Ridgely Godsborough).

            Encarando seu mestre-vampiro deixando transparecer ódio no seu olhar, Seliny responde-lhe secamente a sua saudação sarcástica: - Dispenso seu sarcasmo doentio Eliodoro, você sabe que eu o odeio assim como “alguns” dos seus cupinchas aqui presentes. Eu te odeio pelo fato de você ter me transformado no monstro assassino que eu sou hoje em dia!

            Sustentando o olhar carregado de um puro e exacerbado ódio de sua mais rebelde pupila existente no mundo das trevas, dando-lhe de volta um olhar de desdém, Eliodoro responde a Seliny sem abandonar um tom de voz que parece mergulhado no mais ácido sarcasmo: - Ahhh... é assim que eu amo e desejo encontrá-la sempre minha doce Seliny, sentindo bastante ódio de mim, de todos a sua volta e de sua maldita vida de meretriz das trevas! – ao acabar de dirigir tais palavras a jovem e desafiadora vampira pertencente ao seu clã, para a surpresa de todos ali presentes assim como da própria Seliny, de súbito, Eliodoro levanta-se bruscamente de sua alta cadeira, e usando sua velocidade vampírica, avança na direção da garota-nosferatu, e antes que ela perceba o que lhe aconteceu, lhe desfere um potentíssimo tapa em sua face delicada fazendo-a cair de lado ao chão.

            Surpresa, Seliny coloca uma de suas mãos no lado da sua face que foi fortemente esbofeteada pelo seu cruel mestre. Seu ódio que já era grande de forma surpreendente parece aumentar dentro do seu peito por Eliodoro – Ah como esse maldito pode se atrever a me bater assim? Eu vou matá-lo agora mesmo! – Seliny levanta-se vagarosamente, todos a sua volta estacam no mais gritante silencio, Eliodoro que está bem a sua frente a encara com uma expressão de raiva que parece tornar a aparência do seu rosto tão dura e fria como o mais duro e frio mármore. Ele à contempla mergulhado também no mesmo inquebrantável silencio dos seus seguidores que o cercam naquele instante.

            Seliny então quebra tal silêncio fazendo emergir do mais fundo do seu peito um grito impregnado da mais nua e crua ira ensandecida. Então a jovem vampira quando faz menção de partir em retaliação para cima do seu macabro mestre, é impedida de fazê-lo quando ouve uma voz de tom autoritário erguer-se no ar daquele recinto dizendo:- Alto lá menina-vampira, pare onde está!- estacando como uma estátua bem no ponto em que se erguera e onde fora derrubada pelo tapa de Eliodoro, tanto Seliny como seu mestre vampírico e toda aquele horda de sanguessugas ali presente, têm toda a sua atenção voltada na direção da porta de face dupla e de entrada daquele grande salão.

            Por essa porta, subitamente, adentram três vampiros naquele recinto amplo atravessando-o, e quando chegam a seu outro extremo, próximo ao ponto onde está o trono de Eliodoro, eles estacam.

            Vestidos com grande opulência, trajando ternos negros e de um corte ultra-sofisticado, e tendo cabelos longos de fios aloirados, estes três nosferatus encaram toda a horda vampírica ali reunida. Seliny não deixa de se espantar com a beleza adônica de seus rostos de anjos formosos da noite.

            O mais alto deles tem olhos verdes, lábios esculturais carnudos, seu nome é Eliezer, este tem caminhando bem ao seu lado, um outro vampiro que é dono de uma estrutura corporal privilegiada, mesmo vestido de terno, é possível notar o seu biótipo físico que é semelhante à de um halterofilista, seus olhos são azuis celestes, sua feição facial parece impenetrável, seu nome é Ovídio. Um pouco atrás desses dois primeiros vem seguindo-os, aquele que parece ser o mais jovem dentre os três, seus olhos são de um cinza brilhante, sua boca é carnuda e de uma sensualidade proeminente, a aparência de seu rosto expressa uma formosura tão estonteante que parece haver só duas palavras no mundo para defini-la, “pura luxuria”. Este é conhecido entre seus irmãos imortais pelo nome de Gabriele.

            Olhando da horda dos vampiros que expressam em seus rostos uma grande surpresa por aquela invasão inusitada em seu ninho, para Eliodoro e Seliny, Eliezer com seus olhos verdes que agora se carregam de um olhar intenso e quase que fulminante, dirige-se a estes dois últimos dizendo-lhes: - Então é assim que se vive neste ninho de vampiros, com o mestre dele se digladiando com aqueles que lhe são subordinados?- então desta vez voltando e detendo de forma exclusiva e mais firme o seu olhar a Eliodoro, Eliezer sentencia: - Acho que você têm muito o que explicar meu caro Eliodoro, principalmente sobre esta cena deprimente que estamos todos nós aqui presenciando. A falta de respeito por parte dessa jovem vampira em querer te atacar, e sua falta de autoridade sobre ela em permitir com que isso aconteça, sendo você o seu mestre!

            Eliodoro parece empalidecer com a sentença proferida por Eliezer, fica claro para Seliny e todos ali presentes que, aquela inusitada visita daqueles três vampiros que mais pareciam deuses gregos, o tinham pegado de calças curtas e ainda por cima bem justas.

            Tentando disfarçar sua surpresa e incomodo, Eliodoro acaba dando um sorriso afetado, e fazendo uma mesura com uma de suas mãos, inclinando um pouco o seu tronco em uma pequena curvatura, ele responde ao alto vampiro de olhos verdes: - Que surpresa receber em minha humilde residência os porta-vozes do grande circulo dos anciões, Eliezer, Ovídio e Gabriele, o que devo tanta honra de sua nobre visita?

             -Como eu já lhe tinha dito mestre-vampiro desta casa de filhos da noite eterna, você deve algumas explicações, e certamente não a mim e sim ao grande circulo vampírico dos anciões, pois estes ficaram sabendo de certos desmandos que teoricamente têm sido realizados por nosferatus deste ninho especificamente, logo nele a qual você é responsável por manter o grupo dos seus seguidores de vampiros em harmonia de convivência com a sociedade dos homens, entretanto, como já lhe acabei de notificar, têm chegado informações preocupantes aos ouvidos da hierarquia – vampírica, e estes desejam buscar esclarecimentos em relação a elas. Por isso tudo que lhe digo, estamos aqui para avisar-lhe que semana que vêm uma comissão formada por quatro dentre os quinze anciões que existem, virá até esse ninho com o intuito de verificar qual a real veracidade ou não destas funestas informações que têm lhes chegado a sua ciência. Se comprovadas a veracidade dessas informações, uma dura punição será concedida aos vampiros deste ninho responsáveis por atos desregrados que venham a ameaçar a existência de nossa espécie no meio humano, e com toda a certeza, dentre os punidos, estará o mestre deste berço vampírico por ter permitido ou até liderado quem sabe, tais atos. Por conta disto Eliodoro aviso-lhe, sua liderança vampírica sobre este ninho e a cidade de Ares- Ville será profundamente investigada, prepare-se para construir uma boa defesa em conta própria, pois você precisará de uma!

            Expressando uma certa indignação pelas palavras proferidas por Eliezer, Eliodoro responde-lhe com a voz carregada pela surpresa que elas lhe trouxeram:- Como assim investigado?Do que realmente estou sendo acusado e quem são estes meus acusadores?- o vampiro de olhos esverdeados com uma expressão altiva simplesmente replica-lhe: - Quando esta comissão chegar a este ninho, ela mesma te informará qual o teor destas acusações, o que foi nos dado a fazer é só lhe informar do que aqui acontecerá na semana que vêm. E não adianta querer arrancar da parte dos anciões os nomes dos informantes – acusadores, isso porque é dever deles lhes proteger a identidade, até porque se tais acusações forem falsas, estes pagarão com as suas vidas por levantarem falso – testemunho contra um irmão de sua própria espécie, ainda mais contra um mestre – vampiro importante como é o seu caso meu caro Eliodoro.

            -Não tenho nada a temer, não tenho idéia do que andaram falando de mim aos anciões, mas se é algo que ponha em cheque a minha liderança sobre este ninho e sobre a cidade de Ares- Ville, é pura calunia, e tais caluniadores deverão realmente pagar com suas próprias malditas vidas por terem inventado mentiras contra o meu governo.

            Desta vez é o musculoso Ovídio que responde a Eliodoro olhando-o com uma expressão tão sinistra que faria o próprio inferno congelar de medo: -Assim esperamos que ocorra Eliodoro, os anciões não se alegram de serem obrigados a punir com a morte aqueles que pertencem a nossa espécie. Por enquanto não há acusações formais, apenas os anciões poderão proferi-las assim que começarem o julgamento de sua liderança. Mas é melhor você deixar a sua costumeira arrogância e auto-confiança de lado, pois se você tiver errado de forma grave, elas não te ajudaram nem um pouco.

            O terceiro e o mais jovem dentre aqueles vampiros visitantes, se adianta e também se dirigindo a Eliodoro faz uma menção com uma de suas mãos na direção de Seliny e pergunta-lhe: - O que estava havendo entre você e essa jovem – vampira? - olhando com desdenhosa frieza para Seliny, Eliodoro deixando transparecer doses entrecortadas de puro ódio em sua voz, responde-lhe a pergunta feita: - Muito simples meu caro Gabriele, apenas estava punindo essa minha serva por sua insubordinação a minha autoridade vampírica, nada, além disso.

            Voltando-se para Seliny Gabriele pergunta-lhe: - Isso é verdade minha doce criança? -se fosse em outra circunstância Seliny diria a verdade apenas para prejudicar a imagem de Eliodoro diante daqueles três representantes da mais alta – hierarquia vampírica, no entanto, a voz do seu subconsciente lhe dizia para que ela ficasse quieta, aquele não era o momento adequado para tentar atacar Eliodoro, até porque depois que aqueles três fossem embora, talvez tivesse que enfrentar não só a ira de seu mestre como também de toda a horda de seus cupinchas, e por mais que não os temesse, Seliny seria uma só contra todo o resto, o que lhe deixaria em grande desvantagem. Então Seliny naquele momento decidiu silenciar a respeito da verdadeira razão daquela sua briga com Eliodoro, que era o fato de sua revolta por ele a ter transformado em uma maldita sanguessuga.

            Baixando a cabeça, tendo as suas duas mãos juntas às suas costas, assim como trazendo seus olhos fechados, Seliny em um murmuro responde a pergunta de Gabriele: - Sim, meu mestre tem razão, eu o desobedeci chegando tarde a esta reunião que ele havia convocado para a noite de hoje em nosso ninho, meu Senhor.

            - Deve evitar minha criança de pecar contra teu mestre, e, sobretudo têm de aprender a controlar tua ira quando ele te impuser disciplina, por pouco não cometeste a loucura de atacá-lo, o que lhe poderia ter acarretado um grande castigo. Eu até entendo, você aparenta ter sido vampirizada recentemente, os vampiros mais jovens demoram a aprender que devem submissão perfeita aos seus mestres, desde que estes por sua vez não lhes ordenem desobedecerem as leis vampirescas impostas pelo grande circulo dos anciões. Se este não foi o caso, e você mesma me parece mostrar que não foi, a reprimenda que Eliodoro lhe impôs está de bom tamanho.

            Eliezer fazendo uma mesura a Eliodoro despede-se lhe dizendo: - Até mais ver mestre – vampiro de Ares- Ville, semana que vem os grandes anciões da nossa enorme comunidade vampírica lhe visitaram!- e com uma voz marcada pelo beijo sinistro de uma sombriedade arrepiante, ele conclui: - Então o “grande julgamento” acontecerá.

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Um comentário:

Velcan Pendragon disse...

Ah Seliny, Seliny , Seliny, assim como Lui ainda sofres com sentimentos e pensas como monstro, mais creio que como ele logo verá que o mal é somente um ponto de vista minha criança.
Monstros todos somos, porem alguns com dons e outros nem tanto.

P.S Aguardando aciosa pelo desenrolar dessa trama .

Cordialmene Velcan