segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Seliny. – V – Parte. – Encontro inusitado!!!

                      A desilusão é a visita da verdade.
                               (Chico Xavier).

            Os dois vampiros atravessam o jardim do imenso terreno do casarão onde habitam as mais terríveis criaturas existentes naquela região, os nosferatus de Ares – Ville. Cansada de ser praticamente arrastada pelo braço que lhe é segurado pelo vampiro quadricentenário conhecido como Gustave, Seliny se desvencilha do aperto de sua mão com um só puxão.

            - Pare Gustave, para onde estamos indo com tanta pressa sendo que não temos um lugar sequer para ficarmos ao menos essa noite?

            Olhando com uma expressão carregada de seriedade para a jovem vampira que com tais palavras lhe indaga, Gustave a responde: - Tenho uma propriedade antiga que fica localizada no centro de Ares – Ville, um imenso sobrado onde poderemos ficar tranqüilos para pensar e planejar. Eu poderia estar morando lá sozinho, mas a experiência de muitos anos vividos me ensinou que é mais seguro para gente de nossa espécie viver agrupada, em uma sociedade organizada como aquela que chamamos de “ninho”. Mas eu conservei tal propriedade que herdei a séculos de minha família quando precisasse dispor dela e agora esse momento chegou. Atualmente ela fica aos cuidados de um caseiro que trabalha para mim há muito pouco tempo, ele não é vampiro, portanto não sabe que eu sou um e não deverá saber que você também o é, por isso comporte-se e resista a tentação de sugar-lhe o sangue, afinal bons caseiros como ele são difíceis de achar hoje em dia, por isso matá-lo seria um desperdício desnecessário. Agora vamos depressa, estou muito desconfiado pelo fato de um carniceiro – vingativo como Eliodoro ter-nos deixado ir assim em paz, depois de nós dois termos o confrontado publicamente como fizemos há pouco. Não ficarei espantado se ele não acabar enviando sem que a maioria dos vampiros do ninho o saiba, alguns dos seus cupinchas mais fiéis atrás de nós com o intuito de nos eliminar.

            - O bom nisso tudo é que não terei mais que me subordinar à autoridade de Eliodoro e de quebra estarei livre para sempre deste ninho de vampiros malditos!

            - É mais logo teremos que achar um outro ninho em uma das cidades vizinhas, para que possamos nos proteger em seu seio, lembre-se do que acabei de lhe dizer, seres de nossa raça só estão realmente seguros quando vivem em família, onde uns protegem os outros contra inimigos que se tenha em comum, isto é fato.

            - Bom Gustave, aqui a pouco vai amanhecer e precisaremos de um lugar seguro que nos proteja dos raios letais do sol, e eu não sei quanto a você, mas eu não estou a fim de virar torresmo, por isso, é melhor irmos o quanto antes para essa sua propriedade!

            Sem dizer mais nenhuma palavra, Gustave vira-se na direção do alto portão daquela propriedade vampírica e caminha em sua direção sendo seguido de perto por Seliny. Ao aproximarem-se daquela estrutura de ferro – enegrecido, o portão de face dupla emitiu um estalido seguido de um rugir metálico, e com isso abre-se magicamente como se mãos invisíveis o tivessem aberto para que aquele casal de vampiros passe através dele e ganhem as ruas estreitas de Ares- Ville.

            Naquela altura da madrugada, as luzes dos postes esmaecidas emprestam a cidade uma aparência fantasmagórica, ao transporem o portão que dá acesso a propriedade pertencente aos vampiros do “ninho” a qual recentemente faziam parte, ganhando as ruas, Gustave e Seliny caminham lado a lado em silêncio, com pés ligeiros atravessam a rua que se alonga estreitamente e transversalmente em frente à fachada daquele antiqüíssimo imóvel.

            Alcançando a calçada do outro lado, ambos caminham por ela em direção reta, o frio fortíssimo que corre pelo ar fustigaria dolorosamente a seres humanos normais, mas não há mortos – vivos como eles que não sentiam incômodos naturais como era dado aos homens sentirem.

            Sendo assim, por causa desse mesmo frio e o fato de ser já altíssima madrugada, as ruas e ruelas de Ares – Villes se faziam desertas. Apenas se podia ouvir a pequenos intervalos de tempo os uivos dos cães vindo de dentro dos quintais das casas dos munícipes da cidade ou mesmo dos vira-latas que circulavam vadios por ruas e alamedas.

            Quando já haviam caminhado aproximadamente uns cinqüenta metros de distância do grande casarão, de súbito, Gustave estica o seu braço impedindo com que Seliny continue a dar as suas passadas em frente.

             - O que há Gustave?

             - Alguém está nos seguindo e pelos sons dos passos e odor do cheiro não são humanos!

             Ao acabar de responder desta forma a Seliny, Gustave retrai o braço esticado, vira-se para trás, e olha fixamente para o fundo da rua que se alonga e se perde no escuro que a noite carrega com ela, e as luzes deficientes dos postes não conseguem iluminar.

             Por conta disso, um ser humano normal teria dificuldade de enxergar o que poderia haver no meio daquela obscuridade toda, mas não Gustave, um antigo e poderoso predador que tinha olhos de lince, ou melhor dizendo, olhos aguçados de um vampiro.

            - Tudo bem, eu já consegui escutar os seus passos, sentir o cheiro inconfundível de seus corpos e agora posso ver suas sombras moverem-se mesmo que de longe, apareçam, manifestem-se agora mesmo!

            Então para a surpresa de Seliny, do nada, quatro vampiros se materializam bem diante do seu par de olhos arregalados.

            - Noite agradável para uma descontrainte caminhada não é, meu caro Gustave?- assim diz um vampiro de extensa cabeleira negra que lhe ultrapassa os ombros largos, em seus lábios finos ele detém um sorriso sarcástico, porém muito branco e magneticamente atraente.

            Acompanhando-o estão postados ao seu lado mais três vampiros, sendo um do sexo masculino e outros dois do sexo feminino.

           - Yago, Ferrer, Alexandra e Cibele. Deixe-me adivinhar o porquê nos seguem furtivamente. Ah já sei, nosso mestre encantador e de coração muito bondoso enviarão vocês à nós para nos dar um presente inesquecível, a morte embrulhada em um papel multicolor!

           - Era bom demais para ser verdade, aquele maldito vampiro vingativo jamais iria nos deixar ir em paz depois que nos recusamos a obedecê-lo e segui-lo em seus delírios!E nós já deveríamos saber disso Gustave. – Seliny ao ter o mesmo entendimento do que Gustave acerca do motivo da inusitada aparição daqueles quatro vampiros, ao acabar de dizer essas palavras, arreganha-lhes os dentes de presas pontiagudas de forma ameaçadora.

           - Calma jovem vampira, tanto você quanto o nosso caro amigo Gustave estão interpretando muito mal o real motivo de nós estarmos aqui diante dos seus olhos!- Yago o vampiro de cabelos negros e compridos dirigi essas palavras a Seliny projetando a sua mão direita espalmada a sua frente.

           Tendo um olhar que revela um ódio essencialmente puro, Gustave com a voz que mais parece o rosnar de um lobo- assassino que esta a encurralar a sua presa, pergunta a Yago:- Qual seria outra razão de um dos maiores grupos de cupinchas de Eliodoro ter vindo a nós depois de termos nos recusado a continuar seguindo o próprio em suas sandices de alta- traição a hierarquia vampírica?Qual seria tal razão a não ser de vocês virem nos matar seguindo uma ordem direta sua?

           Cibele uma das duas garotas nosferatus, dona de uma beleza rara com sua pele branca, cabelos negros encaracolados na altura dos ombros e olhos azuis, adianta-se à Yago e devolvendo o olhar cheio de ódio de Gustave lançando-lhe outro, ela responde-lhe: - Se a razão real de estarmos aqui te procurando não fosse totalmente ao contrário do que você pensa... só por essas palavras ofensivas eu te mataria com minhas próprias mãos seu velho vampiro maldito!

            Mantendo o sorriso sarcástico em seus lábios, Yago coloca uma de suas mãos a frente do peito de Cibele impedindo-a de que levada pela raiva pudesse dentro de uma atitude precipitada, agredir a Gustave. Feito isso, Yago diz ao vampiro quadragenário que está postado bem a sua frente: - Fique descansado irmão na noite eterna, não viemos matar nem a você nem a jovem Seliny, saiba que o nosso mestre nem sabe que viemos atrás de ambos, porque ele nada tem haver com essa nossa atitude. Como disse aqui a nossa adorável e pacifica Cibele. - ao dizer essa frase o seu sorriso de sarcasmo se pronuncia em sua boca. – Ao seguirmos os seus passos e de sua jovem companheira de exílio ao terem sido expulsos de nosso ninho, o motivo de estarmos aqui é bem outro, queremos conversar um assunto sério com vocês dois e tem que ser essa noite.

Continua...

 ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Leia o próximo capítulo da saga "Seliny",clicando aqui: Seliny. - VI - Parte. Godofredo di Santa Maria!!!

2 comentários:

Criss kelly disse...

Anjo das letras, vim te conhecer, e ja estou seguindo-te!Levei seu banner comigo, para o Puramente Impropria!

Beijinhossss

Karina pink disse...

seja bem vindo!