quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Seliny. – VI – Parte. – Godofredo di Santa Maria!!!

“Os pactos sem a espada são apenas palavras e não têm a força de defender ninguém.” (Thomas Hobbes).

            Percebendo que não havia outro jeito a não ser o de confiar naquele grupo de vampiros naquela sua visita inesperada, Gustave suspira, e olhando de forma dura e fria para Yago, este lhe diz: - Tudo bem, eu acho que se realmente vocês quisessem nos matar já teriam tentado tal ato. Agora estou muito curioso para saber qual é este assunto tão importante que desejam ter conosco. Deixando seu sorriso de sarcasmo de lado, Yago têm agora seus olhos negros como o breu, era como se ele quisesse devolver a Gustave o seu olhar frio que estava naquele momento lhe dirigindo. O jovem vampiro então lhe responde: - Assim é melhor, este é o velho, sensato e bom Gustave que tanto conheço. Há um lugar que costumo freqüentar com Ferrer quando necessitamos caçar para obter sangue. Muitos vampiros vão lá, é um lugar que não chamará atenção por essa razão, são normais irmãos da noite eterna se reconhecer naquele ambiente.

            Gustave faz um movimento afirmativo com a cabeça concordando, e dando um passo de lado, faz um movimento com uma de suas mãos quase como em uma reverência, e dirigindo-se a Yago replica-lhe: - Podem então ir a nossa frente e nos mostrar o caminho Yago. Eu não conheço esse tipo de lugar, acho esses pontos de encontros onde vampiros e humanos se misturam muito perigosos, pois lá sempre está infestado de caçadores de nossa espécie, prontos para nos exterminar assim que lhe damos uma chance.

            - Este é um dos motivos pelos quais freqüento esse lugar meu caro, afinal se eles têm a chance de nos caçar, nós também temos a nossa de nos lançarmos sobre as suas vidas e nos vingarmos. Adoro torturar caçadores de vampiros antes de ter o prazer de chupar-lhes todo o sangue.

            - Sim, esse seu costume é do meu conhecimento, entretanto foi com ele que você cometeu o maior dos erros que um vampiro pôde cometer. Com esse erro você acabou criando o maior e mais terrível caçador de nosferatus que existe, Godofredo di Santa Maria, o único caçador de nossa espécie que também é um vampiro. Ele nos caça por pura vingança e na esperança de matar a você que o transformou em um de nós. Eu sei de sua promessa de não parar de matar vampiros enquanto um ainda existir na face da terra, sobretudo enquanto você continuar andando sobre a luz da lua da noite eterna.

            - Agora Godofredo di Santa Maria é a menor de minhas preocupações, tenho coisas mais urgentes com que esquentar a minha cabeça, no entanto meu caro, no momento certo, eu me ocuparei em eliminar esse torpe inseto que já me incomodou em várias e distintas oportunidades. Ninguém que me jura de morte pode ou deve continuar em pé.

            - É melhor que esse momento chegue logo, muitos da comunidade vampírica já estão de saco cheio com as atividades de caça de di Santa Maria, isso quer dizer que a coisa pode sobrar para você uma vez que ele é criação sua!

            Ferrer dá um passo à frente e usando um tom preocupado diz em uma expressão de alerta: - Como já foi dito, deixemos Godofredo para mais tarde, agora vamos sair daqui, afinal é bem suspeito um bando de vampiros reunidos confabulando aos sussurros. Eliodoro tem olhos e ouvidos por toda a parte, é melhor irmos para o bar de Santólia o quanto antes, lá poderemos conversar sem levantar suspeitas de estarmos criando um motim.

            Sem mais pestanejar, aquele grupo de seis vampiros move-se, Yago e seus seguidores à frente tendo Gustave e Seliny bem atentos ao seu encalço. O seu destino é o barzinho de Magno Santólia, amigo de humanos e vampiros, este recebe cordialmente essas duas espécies de seres em seu estabelecimento comercial procurando não se meter em seus imbrólios, agindo deste jeito, nem vampiros e nem homens voltam-se contra ele.

            Quando finalmente adentram o bar de Santólia, estes percebem que terão que usar naquele recinto todos os seus sentidos vampirescos, pois a luz ali é pouca, sendo que ela é meio que obscurecida pela fumaça de cigarros e charutos que se erguem em demasia ao ar. O bar está cheio de clientes naquela madrugada, vampiros e suas presas humanas, assim como seus caçadores que por sua vez, os tornam suas caças amaldiçoadas, estes meio que se acotovelam naquele ambiente funesto de quem nunca dorme ou de quem dorme muito pouco.

            - É melhor pegarmos aquela mesa de canto, surpreendentemente ela se encontra vazia, ali sim será um bom lugar para conversarmos. – Dizendo essas palavras a seus irmãos vampiros, Yago se encaminha ao canto esquerdo do bar onde fica uma grande mesa de formato oval, vazia, e próxima a uma parede verde fosco.

            O grupo por onde passa em dentro do trajeto que se tem de fazer em direção a referida mesa, atrai o olhar curioso dos presentes, ali quem é um vampiro ou um caçador de nosferatus sabem reconhecer os seguidores de Eliodoro quando vêem um ou mais deles. Assim que o grupo dos seis vampiros está acomodado a mesa oval, Santólia, o próprio dono do estabelecimento aproxima-se, ele tem um bloco de papel na mão direita enquanto que na esquerda segura uma caneta esferográfica de tinta azul.

            - Quanta honra Santólia, ser atendido pelo próprio dono dessa birosca, o que houve? Resolveu mandar embora as suas garçonetes para poupar dinheiro?- Yago recebe Santólia usando essas palavras carregadas de uma maldade sarcástica.

            Entretanto, sem se abalar até porque estava acostumado com a arrogância e sarcasmo sempre presentes nas atitudes de Yago, Santólia sabendo que não é nada sábio responder mal a um vampiro, educadamente replica-lhe: - Minhas meninas continuam trabalhando comigo, posso ser um pouco avarento as vezes, mas não sou burro, sei que preciso da ajuda delas, principalmente em madrugadas movimentadas como é o caso desta. O que me levou a vir aqui atender pessoalmente a você e seus amigos Yago, é que trago um recadinho nada amistoso de um certo conhecido seu.

           Falo de Godofredo di Santa Maria, o caça- vampiro que por um acaso também é vampiro. Veja você como esse mundo é louco, um vampiro que vive a exterminar seres de sua própria espécie. Pois bem, vamos ao dito recado, ele mandou avisá-lo que sua vida de filho das sombras não passará da semana que vêm, afinal este virá ao seu encalço e desta vez não pretende falhar como das outras vezes.

            Por isso meu caro Yago, eu dou um conselho a você, coloque suas presas vampíricas de molho, porque com toda a certeza di Santa Maria virá com tudo em sua perseguição para destruí-lo definitivamente.

            - E porque semana que vem meu caro, porque ele não tenta realizar essa proeza esta mesma noite, o que o impede?

            -Ele não pode tentar nada nesta noite, simplesmente porque não se encontra atualmente na cidade, mas antes de partir me encarregou de lhe dar este aviso. Semana que vem di Santa Maria pretende estar de volta a Ares – Ville, e cumprir com essa sua promessa de exterminá-lo de uma vez por todas.

            Ouvindo tais palavras que procedem da boca de Santólia, a ira toma conta do ser de Yago, ela se materializa fisicamente em sua expressão facial e em seu tom de voz que tomam contornos de uma fúria quase que incontida:- Pois diga a esse maldito caçador de sua própria espécie, que eu estarei esperando por ele, avise-o também que antes de matá-lo de forma bem peculiar, eu vou fazê-lo sentir muita dor, a ponto dele chegar a implorar pela própria morte!

            - Tudo bem Yago, sua resposta ao recado dele será dado. Agora falemos de coisas mais amenas, você e seus amigos desejam o seu drink agora ou deixaram para mais tarde?

            - Você tem sangue bem conservado em sua adega?

            - Sim, a nova safra de doadores de sangue eu particularmente diria que neste ultimo mês subiu tanto em numero como em qualidade. Nenhum de vocês reunidos nesta mesa se arrependeram de experimentar o atual sangue que guardo em minha adega para vampiros.

            - Então Santólia traga o melhor sangue que você tiver, a madrugada já quase caminha para o seu final e não poderemos nos demorar por mais tempo aqui. Logo precisaremos nos refugiar em nossos esquifes dos raios mortais do sol.

            Ouvindo tal consideração de Yago, Santólia se afasta para providenciar o drink de sangue para os seis vampiros que estão ali presentes. Voltando-se para seus amigos das sombras, Yago comenta:- Aquele encefálico-vampiro do di Santa Maria foi longe demais dessa vez, mandar alguém me avisar que pretende me liquidar na semana que vem é o cumulo da autoconfiança, ele está é se achando. Deve estar se considerando o mais terrível caçador de nosferatus da atualidade, o invencível, o todo – poderoso. Mas tenham a absoluta certeza que na próxima semana serei eu que o destruirei, e não ao contrário.

            Gustave olhando seriamente para os olhos negros de Yago, fala-lhe usando a sua peculiar sabedoria vampírica conquistada por quatrocentos longos anos de vida: - Di Santa Maria não é de fazer ameaças à toa, ou de subestimar suas presas vampíricas achando-se mais letal que elas. Ele sabe muito bem o que fazer na hora de caçar um ser de sua própria espécie. Por isso meu caro, eu no seu lugar, seguiria o conselho de Santólia, e ficaria vigilante para não ser pego de surpresa. Muitos vampiros já morreram por falta de precaução, sucumbirão por que subestimaram por demais a habilidade de quem os caçava!

            - O que eu fui fazer quando mordi este infeliz, deveria ter me certificado melhor se ele estava realmente morto depois de tê-lo atacado junto ao atracadouro do porto de Ares – Ville.

            - Agora não adianta chorar em cima do leite derramado, enquanto você não por um fim neste mal criado por sua própria negligência, todo morto-vivo que existe em Ares- Ville terá que conviver com a ameaça de Godofredo sobre seus calcanhares.

            Ao ouvir essa consideração da boca de Gustave a qual tinha grande respeito por conhecer a sua famosa sabedoria vampírica secular, Yago responde-lhe em um suspiro de inconformismo: - Pode deixar meu antigo amigo, como eu mesmo lhe disse há horas atrás, no momento certo retirarei do meu caminho essa pedra incomoda chamada Godofredo di Santa Maria.

            Neste momento uma jovem garçonete enviada por Santólia aproxima-se da mesa dos seis, ela carrega em seu corpo de adolescente uma beleza que pouco se vê por Ares- Ville. Seus cabelos loiros e encaracolados caem-lhe sobre seus ombros em cascata, seus olhos azuis brilham fulminantemente em meio à meia luz que reina naquele ambiente. Seus seios volumosos e de mamilos tesos são perceptíveis por debaixo do ousado decote do uniforme de garçonete que ela usa, e, sobretudo o jovem sangue que lhe corre quente por suas veias aguçam os sentidos dos seis vampiros que a observam atentamente, enquanto esta lhes serve em uma bandeja, as suas taças que encerram em seu interior, drinks de um conteúdo no mínimo macabro.

            Uma vez em que ela se afasta após cumprir com sua tarefa, Alexandra com um sorriso malicioso em seus lábios comenta enquanto se serve da bebida que lhe foi trazida:- Se o tempo não urgisse contra nós essa noite, com certeza eu iria me divertir mais tarde com essa loiraça, posso sentir daqui o cheiro irresistível daquele corpo cheio de vida vermelha.

            Não gostando do que acabou de ouvir, Yago lançando um olhar de repreensão na direção de Alexandra lhe avisa: - Acontece que você sabe muito bem que não devemos mexer com gente de Santólia, isso é um pacto que temos firmado com ele, nós não tocamos nos seus e ele nos recebe bem neste seu estabelecimento. Sei que todos nós ficamos mexidos pela beleza cheia de vida da menina - garçonete, no entanto, se formos morder todas que achamos atraentes neste bar, com certeza Santólia se tornará um dos nossos mais terríveis inimigos. Como se não tivéssemos inimigos por demais da conta. Por isso seguremos a nossa bola com o pessoal que trabalha para o nosso ainda grande amigo Magno Santólia.

            Fazendo uma expressão de desdém enquanto toma um segundo gole de seu drink, Alexandra responde a Yago: - Está bem Yago, eu só estava devaneando um pouco, às vezes você é muito sério para um vampiro, porque não tenta relaxar um pouco?

            - Porque não estamos em tempos de relaxarmos, estamos em tempos de acontecimentos futuros graves, acontecimentos que poderão influir na vida de vampiros e humanos levando-os a uma guerra sangrenta interminável. Bom, sem mais delongas, vamos ao assunto que nos trouxe aqui. – e olhando fixamente com um ar sério para onde estão sentados Gustave e Seliny, Yago lhes diz:- Vocês inicialmente pensaram que nós viemos ao seu encontro para matá-los, mas estavam redondamente enganados, o nosso objetivo é outro, é chamá-los para a guerra contra a insanidade de um louco ditador. Quem seria esse ditador?Acredito que vocês sabem quem ele é, porque ambos foram os primeiros a se revoltarem de forma pública, para quem quisesse ver e ouvir, contra seus devaneios tresloucados pelo poder. Falo de Eliodoro o carniceiro. Hoje eu e meus amigos aqui presentes queremos fazer uma aliança com vocês dois.

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Leia o próximo capítulo da saga Seliny, clicando aqui: Seliny. VII - Parte. A aliança!!!

Nenhum comentário: