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Seliny. VII – Parte. - A aliança!!!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012.
“Uma aliança cujo objetivo não compreenda o propósito de guerra não tem sentido nem valor. Alianças são feitas apenas para combater. E por mais distante no tempo que esteja o conflito no momento de concluir um pacto de aliança, a perspectiva de uma realização armada é, contudo, o íntimo pretexto para que aconteça”.  - (Adolf Hitler).

            Surpreso por ouvir tais palavras que acabaram de sair da boca de Yago, franzindo os lábios e estreitando bem os olhos em uma expressão facial que, mostra querer entender o significado do que acabou de ouvir, Gustave inquiri o jovem vampiro que está sentado a sua frente: - Aliança comigo e Seliny, e pelo pouco que entendi esta nossa aliança feita seria para nos juntarmos contra Eliodoro?-balançando a cabeça em um gesto de concordância, Yago replica-lhe: - Exatamente Gustave, nós quatro aqui presentes nesta mesa sentados juntamente contigo e sua jovem companheira de exílio, Seliny, propomos a vocês dois uma aliança com o intuito de nos juntarmos contra os desmandos insanos e sem fundamento do vampiro- chefe do ninho a qual fazemos parte, o tempo de comando de Eliodoro sobre nossas almas condenadas está chegando ao fim.

            Meneando a cabeça como não acreditando no que acabara de ouvir, Gustave olha de Seliny que está sentada bem do seu lado a mesa para Yago e seus demais companheiros, então voltando a prender seus olhos no jovem vampiro de cabeleira e olhos negros, ele diz-lhe: - Olhe meu caro Yago, eu não quero voltar a ofender a vocês quatro, longe de mim isso, mas sempre vos conheci como os vampiros mais cupinchas de Eliodoro, ou ao menos, daqueles que mais se esforçavam em sê-lo dentro do ninho- vampírico de Ares- Ville. Por isso, não estou entendendo esse comportamento de vocês agora em querer nos propor uma aliança para que juntos nos voltemos contra Eliodoro!

            - Eu sei que é difícil de acreditar no que acabei de lhe dizer dado o nosso comportamento de extrema fidelidade ao nosso mestre através dos anos.

            Mas perceba que com o passar do tempo Eliodoro mudou muito, antes nós o seguíamos com amor e devoção quando seus planos eram por assim dizer normais, manter o nosso ninho em pé a custa do sangue dos habitantes de Ares Ville,sendo que quando tínhamos alguma baixa por conta do confronto com nossos inimigos naturais,a saber, os lobisomens e os caçadores de vampiros, podíamos vampirizar algum cidadão com o intuito de preencher a lacuna deixada em nossas fileiras por conta de tal perda.

            Mas como eu acabei de lhe dizer, com o passar das décadas a personalidade de Eliodoro foi mudando, sua sede pelo sangue dos homens se transformou em ódio pela sua espécie, a tal ponto de querer escravizá-la.

            O ponto negativo de tal coisa é que o circulo dos antigos anciões nunca iriam concordar com isso, afinal faz parte das leis vampíricas criadas por eles que, mesmo que vampiros e homens sejam caçador e presa respectivamente, o equilíbrio deve ser respeitado. Tal equilíbrio se baseia em que nosferatus e humanos vivam com relativa harmonia, de dia dominam os homens enquanto que de noite são os vampiros que devem reinar.

            E uma vez que escravizássemos a espécie humana com o intuito de fazê-los de nosso gado para que estes com o seu sangue nos alimentassem, tal equilíbrio seria destruído. Como você bem disse a Eliodoro há horas atrás quando estávamos todos juntos reunidos no casarão que nos serve como ninho, a raça humana é tão altiva e orgulhosa quanto à vampírica, e desde modo, nunca aceitariam tal pérfida escravidão de nos servirem como mero gado, e com isso haveria uma revolta, uma guerra sem fim entre homens e vampiros, e por séculos muito sangue seria derramado e desperdiçado em vão de ambos os lados.

           Sabedor que os anciões sempre serão contra essa sua idéia absurda, Eliodoro resolveu se voltar contra a sua hierarquia sobre toda a comunidade vampírica espalhada pelo mundo. E começando pelo ninho de Ares- Ville a qual é o seu grã-mestre, este começou a insuflar uma revolta entre os vampiros que comanda, com o objetivo de tirar o circulo antigo dos anciões do poder.

           Tanto você como Seliny assim como nós quatro aqui presentes, já presenciamos inúmeras vezes em muitas reuniões que marcou junto ao seu trono, Eliodoro usar todo o seu poder de persuasão para convencer a vampirada do nosso ninho da necessidade de se estabelecer um novo governo no mundo vampiro, um governo onde ele estaria no comando, mas para que isso ocorresse, a aniquilação total dos quinze anciões se faria necessária.

           Eliodoro no ápice de sua loucura acha que se nós os vampiros de Ares- Ville sob o seu comando conseguirmos derrubar por terra os anciões e seus seguidores, os nosferatus dos ninhos espalhados por todo orbe terrestre se curvarão ao seu senhorio. Afinal uma vez derrubada a antiga hierarquia, a nova que a fez soçobrar ante a sua força, deverá ser estabelecida e obedecida por todos.

          A maioria dos mortos-vivos do ninho de Ares- Ville deixou-se convencer por Eliodoro e estão com ele nessa empreitada maluca, entretanto, um pequeno numero não aceitou segui-lo em seus planos. E liderados por nós quatro aqui, esse pequeno grupo em questão, está se preparando para fazer frente aquele que foi um dia o nosso mestre, para impedir uma guerra absurda e insana entre vampiros e humanos.

          Ao ouvir tais palavras ditas por Yago, Gustave encosta-se na cadeira em que está sentado, e conservando seu olhar estreitado para o jovem vampiro ele lhe diz:- Bom, assim como você se lembra de me ter ouvido dizer a Eliodoro que seria impossível escravizar aos humanos por causa de sua natureza indomável, acho que se lembra também do momento em que eu lhe disse que seria igualmente impossível tentar destruir os anciões. E o que disse diante do trono do vampiro-mestre de Ares- Ville, eu repito a todos que estão sentados comigo nesta mesa. Repito que os quinze anciões são vampiros de existência milenar, e que pelo fato de serem assim tão antigos, adquiriram um poder místico vampírico tal que, não há adversário no mundo nosferatu que possam destruí-los de forma definitiva. Desta forma meu caro, os anciões não precisam de nossa ajuda, quando estes descobrirem o que Eliodoro e seus insanos sequazes pretendem, o seu poder vampírico milenar os esmagarão destruindo-os, sem dó ou piedade.

          Ferrer começa a passar seus dedos pela borda de sua taça em um movimento circular, e enquanto olha para ela, este responde o comentário de Gustave: - Acontece que se tem uma só coisa com que nós aqui quatro concordamos com Eliodoro é que, este tipo de verdade que você acredita não passa de um mito. Nós aqui nos lembramos muito bem dessa parte do seu discurso feito diante do trono de Eliodoro, assim como da resposta dele há você, que tal poder que se acredita que os anciões tenham não passa de uma estória da carochinha. Eu sei que somente os poucos vampiros como você que tem mais de trezentos anos é que acreditam que os quinze anciões sejam tão poderosos a ponto de também serem indestrutíveis. Os menos antigos, isto é a maioria, não compartilham de tal opinião. Sendo assim, resolvemos alertar os anciões sobre alguns desmandos de Eliodoro a frente do ninho de Ares- Ville, isso com a intenção de levá-lo as barras do tribunal vampírico. Não lhes falamos ainda sobre alta-traição, resolvemos em comum acordo acusá-lo de motim contra a alta hierarquia deles quando este estiver sendo julgado na semana que vem por três de seus representantes. Eliodoro será pego de surpresa.

         - Pelo que pude notar disso tudo que você me disse, vocês foram os vampiros que secretamente denunciaram a Eliodoro com acusações de desmandos a frente do ninho de vampiros desta cidade, isso com o intuito de chamar a atenção dos anciões ao grande projeto dele de destroná-los e tomar para si o lugar deles no governo vampiro. Ao mesmo tempo vocês evitariam dos mesmos anciões serem pegos de surpresa e com isto, serem impedidos de se defender como conviria.

         Agora é Cibele quem responde a Gustave com uma expressão facial muito séria: - Exatamente, como não acreditamos como você acredita que os anciões sejam tão poderosos como se fossem Deuses – vampiros imbatíveis, nós resolvemos de alguma forma alertá-los.
     
         Seliny carregando um olhar de duvida em seus olhos, pergunta a Ferrer: - Tenho uma pergunta a lhe fazer Ferrer. Todos nós aqui sabemos que vocês eram partidários de Eliodoro, que o obedeciam em absolutamente tudo, e por isso mesmo, com certeza foram os primeiros vampiros a serem procurados por ele para que os ajudassem nessa rebelião contra os anciões. Todos nós aqui presentes também sabemos que Eliodoro não sabe e não aceita ouvir um não, baseando-me em tal verdade, minha pergunta é, como ele reagiu quando pela primeira vez teve que ouvir um não de vocês?

       - E quem disse que ele teve que ouvir um não nosso?-então sorrindo de forma maliciosa Ferrer completa: - Sabiamente nós cinco aqui fingimos concordar com seu plano de usurpar o poder de comando dos anciões. Então procuramos reunir em torno do nosso comando os vampiros que como nós, não aceitam mais seguir a Eliodoro, é lógico que copiando o nosso exemplo, tal grupo de nosferatus age na absoluta surdina, tais irmãos nas sombras fingem ainda serem fiéis a Eliodoro, mas na hora certa, todos nós iremos tirar as nossas máscaras e mostrar a este ultimo, que na realidade estamos é mesmo contra ele!

      - Então vocês cinco e o grupo que comandam não sofreram uma retaliação por parte de Eliodoro, porque este enganosamente pensa que pode contar com a sua fidelidade ainda. Mas e eu e Gustave?Nós dois publicamente nos rebelamos e nos recusamos a segui-lo em seu plano de motim contra a alta- hierarquia- vampírica, porque então no nosso caso ele nos deixou partir do antigo casarão que nos servia como ninho de descanso em paz, sem nos fazer nenhum mal?

      - Alexandra depois de dar a golada final em seu drink exaurindo todo o sangue que a sua taça de cristal continha em seu interior, responde a Seliny: - Essa é a nova política de comando de Eliodoro, se mostrar mais complacente e menos duro com seus comandados, ao menos aparentemente. Note Seliny que ele ainda não está muito seguro que tem o ninho de vampiros sob seu total comando como tinha anteriormente. Ao propor alta-traição como o fez aos vampiros que lidera, Eliodoro sabe que criou uma situação delicada para si, afinal os anciões sempre foram muito temidos e respeitados pela maioria da coletividade vampira. Então, desta forma, Eliodoro sabe que ainda está em um processo de convencimento junto ao seu eleitorado de que ele hoje seria um melhor líder que os antigos anciões. Com isso, se ele resolvesse agir como no passado sendo duro e intransigente com quem lhe diz não como vocês dois corajosamente lhe disseram, Eliodoro tem consciência que poderia colocar tudo a perder. Mostrar-se um líder mais duro e ditador que os anciões poderiam ser, ser-lhe-ia como dar um tiro no próprio pé. Eis a única razão porque por enquanto ele os deixou vivos ainda. Mas lembre-se, ele os ameaçou de matá-los futuramente.

     Yago colocando as suas duas mãos em cima da mesa dirige um olhar penetrante para Gustave, então este lhe diz: - Semana que vem iremos dar uma cartada decisiva neste jogo para derrubarmos a Eliodoro de cima do trono do ninho vampírico de Ares – Ville, ele será desmascarado diante o tribunal vampírico dos antigos anciões, no entanto, pode haver um confronto quando isso ocorrer. Quero saber se vocês dois estarão engrossando nossas fileiras se tal embate se der e se estão dispostos a lutar do nosso lado e do lado dos anciões?
   
    Respirando fundo e sustentando o olhar penetrante que Yago lhe dirige, Gustave responde-lhe: - Sim, eu estou com vocês e com meus verdadeiros mestres, os anciões. – e virando-se para Seliny Gustave lhe pergunta: - E você minha pequena criança,estará conosco?

Continua...

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

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