sábado, 23 de março de 2013

Nua eu te quero tão nua!!!

        Deitada em teu leito de deleites insondáveis, me esperas nua olhando através da janela do teu quarto que tem as cortinas entreabertas.

        Como entreaberto está o teu desejo ferrenho por mim, teu homem que por sua vez, também sonha contigo acordado, enquanto anda pelas ruas dessa cidade que se descortina diante dos seus olhos a cada passo que este dá.

        Muitas vezes cheguei a nossa casa subitamente, pegando-a assim como estás agora, nua em pêlo, tão deslumbrante como um alvorecer que surge em todo o seu esplendor.

        Perguntei-me então em inúmeros momentos, a respeito do comportamento da religião cristã que em sua arte-plástica coloca algo tão formoso e deveras tão poético como o corpo desnudo de vós mulheres na funcionalidade de instrumento de tentação para os seus santos, praticamente o demonizando.

       Ri sozinho perdido em tais pensamentos, concluindo como a misoginia cega alguns homens não os deixando ver claramente a verdadeira beleza que somente existe na alma feminina.

       Seus cabelos de fios dourados e mechas aneladas exalam o perfume do alecrim elevando a minha alma aos círculos mais extasiantes do Nirvana, ao tocar esta tua mesma cabeleira e sentir toda a sua maciez sedosa, ondas perfurantes de prazer e vontade sensuais penetram meu corpo com uma fúria indizível.

       Sendo deste modo, mergulho de cabeça em tua nudez de Vênus contemporânea não suportando um segundo sequer que seja essas sensações esmagadoras que só servem a uma divindade, aquela que se autodenomina pela palavra Desejo.

       Nua eu te quero sempre nua, enigmática como a lua, voraz em sua sensualidade como uma leoa em seu cio carnívoro, nos preservando completamente de estar vivendo na condição do anti-prazer carnal.

ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

A todas as mulheres corajosas que não tem pudor em mostrar seus corpos desnudos, tais como eles são em revistas, na televisão e cinema, em um simples topless na praia, assim como em protestos ativistas em prol da preservação dos seus direitos civis e humanos. Deste modo tais mulheres mostram que somente elas e mais ninguém, são as verdadeiras donas de todo o seu ser.

A imagem da pintura que ilustra o texto acima, é da autoria do artista-plástico Lawton S. Parker - ( Fairfield, Michigan - 7 de abril de 1868 -  Pasadena, Califórnia- 1954). A obra de arte em questão intitula-se "Paresse"- (preguiça em francês)-, e foi criada no ano de 1916.

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