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Caleb

segunda-feira, 23 de junho de 2014.
                   Tu dizes que desejas o meu amor mais profano, mas, será que tens ideia do que me pedes? Digo-te que, se tivesses realmente juízo, fugirias de mim para bem longe.
            
             Com meu amor, eu poderia te envenenar, intoxicando as artérias do teu pobre coração apaixonado; com isto, não só estarias estragada para mim, mas para qualquer outro homem que viesse depois.
             
             Fuja! eu te imploro, doce criança; corre para a direção do sol e protege-te da minha escuridão amaldiçoada; na verdade, não desejo ferir-te, mas, se insistires em me querer, por eu ser um predador selvagem, não conseguirei resistir, e então me lançarei em tua direção e tudo estará perdido para ti.
             
             Asseguro-te que serás vista por meus olhos rubros, como uma videira donde me servirei do vinho mais deleitante que há entre os mortais, falo do sangue humano, e o teu é ainda vivificador e quente, este que alimentando as tuas células mantém o viço de tua pele e da idade. E tal vinho precioso corre livremente em tuas veias, aguçando meus sentidos trevosos. 
             
             Tu ignoras de onde venho; saibas que eu já existia antes do teu primeiro antepassado ter aparecido em cima da terra, assentei-me com nobres e reis em suas mesas feitas do mais puro carvalho, e comi e bebi com eles em seus pratos e taças forjados do mais puro ouro. Participei de muitas guerras sangrentas, empunhando a espada da minha ira suprema, matei como um animal feroz e insano, empilhando, um a um, os corpos esmagados dos meus inimigos.
             
             Tudo isso eu realizei em eras tão antigas como o próprio tempo. Amaldiçoado por aqueles que me odiavam, me tornei essa criatura horrenda que anda notívago me alimentando do sangue dos mortais, e descansando de dia quando o sol brilha a pino no alto do firmamento.
             
             Agora tu vens a mim e clama pelo meu amor? Como pode uma criatura como eu que, há muito tempo atrás, renunciou a tal sentimento, dá-lo agora a ti ou a qualquer outra mulher?    
             
              Aviso-te pela última vez, oh, jovem imprudente, fecha, bem fechada, a tua porta feita de cedro e pendura em seu batente uma grinalda de alho. E nunca mais ouse invocar meu nome proibido, porque, se não, juro que aceitarei teu convite e visitando-te à noite, sem que teus familiares o saibam, far-te-ei esvair no mais puro sangue.
            
              Resolvi poupar-te, porque há muito tempo ninguém conseguiu mexer comigo como tu; pensei que qualquer tipo de sentimento humano tivesse se desvanecido de mim; no entanto, me mostraste que eu estava totalmente enganado em relação a isso.
            
              Contudo, tenho consciência de que o nosso amor é impossível de se viver; numa só palavra, ele é inconcebível, na visão de Deus e dos homens; sendo assim, prefiro avisar-te de quem sou e de toda dor que um envolvimento entre nós poderia trazer-nos, principalmente a ti e àqueles que a amam com o coração sincero.
            
              Meu nome, querida, é Caleb, o “cão da noite eterna”, sou um nosferatu, e meu coração somente pode pertencer à eternidade; o que tinha de plena humanidade em mim perdeu-se nas brumas arcaicas dos séculos já há muitos idos.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

E tu, oh, minha leitora, queres conhecer o Caleb que há em mim???...rsrsrs

3 Comentários:

Fabby Lima disse...

Maravilhoso! Tens um estilo que eu amo. Bjs meu querido.

Cristal de uma mulher disse...

Meu encanto tu não conheces porque meu pensamentos viajam com o vento diante de letras que cortam o tempo e diz: Preciosas!!

Meu beijo querido.

Cristiane Alves dos Santos disse...

Magico

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