quarta-feira, 10 de julho de 2013

O anjo das letras! (O anjo do exílio terreno).

      Minhas asas estão feridas, agora não é o momento de voar. Caí de uma grande altura, pensei que podia ir o suficiente alto, para alcançar os cumes mais elevados do firmamento, mas feriram-me à fio de espada!Transpassado de dor dei um grito lancinante.
---
     Despenquei do céu de forma vertiginosa!Como anjo caído que sou, atravessei o algodão das nuvens como flecha pontiaguda, sempre indo na direção do chão. E quando o toquei violentamente desmaiei de tanta dor.

     Os outros anjos meus irmãos, acorreram estupefatos em meu socorro, em sua língua angelical perguntaram-me, como vitima dessa grande queda me tornei. E eu consternado por grandes dores, e esmagado pela humilhação à mim imposta, lhes expliquei o que comigo se sucedera.

    Entenderam eles que eu fora castigado pela minha soberba de querer voar mais alto do que podia, pois tentara em minha ousada e orgulhosa pretensão com minhas asas brancas e singelas, roçar sem permissão o escabelo do trono divino.
---
    Tristes por minha causa, começaram em seus corações onde arde à chama do amor divino, a interceder em meu favor.

    Em resposta as suas orações, o anjo que por ordem do eterno que do alto havia me ferido à terra também desceu. Em uma de suas mãos ele continuava à brandir a espada, da qual ainda do seu fio podia se enxergar do meu sangue à escorrer.
---
    E com sua voz de trovão que se fez reboar ao longe, ele se dirigiu à todos nós que constituíamos aquela assembléia de espíritos bem aventurados ali reunida: - Ouvi os vossos clamores do mais alto dos céus. Eles chegaram até à mim, semelhante ao som de um gigantesco mar revolto. Sei por que clamam, mas não peçam por esse nosso irmão que contra a divina ordem pecou.
---
    Inconformados com aquelas palavras meus irmãos os anjos no alto do seu amor sobrenatural, suplicaram misericórdia por mim, lamentações e lágrimas se alternavam sucessivamente.

    Condoído pelo amor dos anjos e pela pena que sentiam de minha desgraçada situação, aquele poderoso general das hostes celestiais também chorou.
---
   E abrindo seus braços, estando a segurar a sua terrível espada, por fim disse:- Por causa da vossa imensa compaixão por esse nosso irmão, o seu castigo de ser precipitado para as profundezas do inferno foi revogado!No entanto, este deverá ficar um período aqui na terra, onde viverá exilado. Como ato de penitência pelo seu pecado contra a divina majestade, estará incumbido de uma importante missão. E só será permitido o retorno ao convívio dos espíritos angélicos, depois de cumpri-la com perfeição.

   E então dirigindo a mim um olhar compenetrado e de expressão grave, este completa, dizendo-me: - Tal incumbência dada a ti pelos céus... é de que como vós se tratais de um anjo das letras, pertencente à hierarquia dos serafins, responsáveis em iluminar e inspirar os grandes poetas e escritores à criarem as suas magníficas obras literárias, devereis se aproximar invisivelmente de certa donzela, e despertá-la para a sua vocação literária. No tempo certo a identidade desta jovem lhe será revelada, por hora ficai aqui, para poder curar as suas feridas, e quando isso conseguires, não percai mais tempo, e parti para cumprirdes essa sua sagrada tarefa. E podereis o quanto antes, voltar a doce companhia dos teus irmãos, os anjos. Recebeis, pois meu caro irmão, as minhas mais copiosas bênçãos.
---
    Ao acabar de proferir tais palavras, aquele invicto general angélico, se desvaneceu como fumaça ao vento, junto com toda aquela miríade de anjos que há pouco me cercava. Agradeci com copiosas lágrimas o perdão dos céus, melhor o exílio por curto ou longo que seja seu tempo, que o castigo do fogo eterno.
---
   O tempo do cumprimento da tarefa a mim conferida lá do alto ainda não chegou, pois minhas asas ainda me doem, vou aqui ficar, e tentar curá-las o mais rápido possível. E quando isso acontecer, vou ao encontro da jovem donzela que das alturas do firmamento, me será indicada. E sem que ela me note, tentarei despertá-la para a sua vocação com as letras, usando o poder de inspiração divina dos anjos.

   E que meus irmãos, os espíritos angélicos, continuem a interceder por mim dia e noite, eu que sou o anjo de todas as letras, o anjo do exílio terreno.

 - ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

“Dizem que quando um sino toca, um anjo vai para o céu. Permita-me silenciar todos os sinos para que anjos como você, nunca voem para longe de mim!”(Desconhecido).

Um comentário:

Amar Viver e Sonhar disse...

É com palavras que ergo as paredes da nossa casa. Só no poema é possível vivermos juntos para sempre.!

Aíla Sampaio.

Assim vc acaba nos fazendo chorar Anjo lindo!