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Vestígio!!!

segunda-feira, 8 de julho de 2013.
     Era ainda há pouco. Era um quarto qualquer e uma cama branca. E dois meses de desejo. Era eu e era você e a dissimulação barata do que não se pode negar. Era o desejo escorrendo entre as pernas enquanto a boca nervosa tentava despistar a sede do beijo com palavras inúteis.

     Inútil falar, quando o corpo pede atos, fatos, efeitos e sentidos. Era o corpo cansado do dia se rendendo ao que não descansa, não cessa, não pára, não se aquieta.

     Era o desmedido se avolumando sobre a cama, sob a pele, dentro: desordem, desalinho, desmesura. Era o que não pode, mas é. Era não te deixar marcas visíveis, mas querer meus vestígios no teu corpo. Querer que você levasse contigo a minha boca tatuada nas tuas trilhas, nos teus caminhos molhados, no teu curso de rio. Grudar na tua pele a vontade de mim.

     Era uma mão que se precipitava em volta da minha cintura, um quente de pele na pele, uma boca falando comigo e eu perdida na vontade do beijo. Era uma língua dançando na minha, uma mistura alquímica de salivas, saudades, suor. Era a pele que vibra, o coração que quase sai, a viagem sem rumo. Eram pistas do gozo e você recolhendo uma a uma com tua língua macia. Era o rastro da língua em busca do sexo. Era o meu gosto tão novo nas tuas papilas.

     Era o prazer do sexo, o encanto do novo, o triunfo da pele. Era eu e era você e três horas de tempo. Pouco e tanto. Eram os teus dedos me possuindo, aqui e ali e nos meus cantos molhados. Era a mala perto da porta e o relógio no pulso. Maldito ponteiro. Era a vontade de ficar e da noite inteira pela frente.

     Eram as marcas no lençol e o silêncio constrangido. Era o gozo intenso implorando por outro e outro e outro. Era a nudez úmida e o cheiro de sexo vestindo o disfarce e penteando os cabelos. Eram as palavras cuidadosas e o olho-no-olho. Era a incerteza do como, do onde e do quando da volta. Era o beijo-carícia e a vontade de nem ir. 18:00. Guardo teus vestígios no corpo e sigo viagem.

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     Mescla o teu corpo no meu, desordenados limites geográficos, fronteiras misturadas. Onde acabo eu e começa você? União íntima de quereres molhados. Nossos quereres diversos, complementares no encaixe, nos côncavos e nos convexos, na sequência indiscreta dos gemidos.

     Você se interpõe entre as minhas partículas e as tuas se dissolvem em mim. Amálgama. Água, vinho e teus fluidos na minha cama. E os meus. E os teus. E os meus. Solução alquímica e inflamável. Tua unidade dos contrários me encanta: doce e sacana, prosa e poesia, forte e sutil, menina e menino, desejo e carinho... Quero essa tua dialética molhada entre as minhas pernas, enroscada nas minhas roupas, decorando as minhas fantasias, entrando devagar no meu corpo - aberto, entregue, teu.

     E as nossas vozes misturadas no silêncio, os teus sabores tatuados na minha língua, os teus cheiros quase meus de tão mesclados. Indistintas na desordem do desejo, nossas cartas baralhadas sobre a mesa e a prolixa confusão das nossas frases desconexas.

     Eu puxo a caneta e rabisco mais uma página dessa coletânea de contos eróticos do absurdo. Ficção até prova em contrário. Mas eu faço o esboço, desenho tua boca descendo minhas curvas, rascunho um mapa das minhas fendas molhadas, escrevo um verso inocente no final da página, teu nome em braille num canto qualquer.

     Inscrita no corpo à tua espera. À espera dos teus movimentos cadentes, do instante da mistura dos nossos ingredientes, nossas tintas, nossas cores, nossas químicas orgânicas. Miscigenação.

                                   _______________

Infelizmente na página literária de onde “copilei” esses textos aqui publicados, eu não consegui achar o nome do autor ou autora deles, isso porque em tal página não há um “nome autoral” publicado onde se possa creditar a “ele” a autoria de tais textos. No entanto, deixo convosco o link original da página de onde retirei os textos em questão. Ei-lo:

                                    Varal de Palavras!!!                                    

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