quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Machismo que estupra mulheres cotidianamente!

            Tem gente que continua martelando na história da roupa, da atração sexual ao falar sobre estupros.

            Estupro NÃO TEM A VER com atração sexual, com a roupa que veste a vítima, mas com imposição e ostentação de poder masculino. Tem a ver com homens quererem demonstrar dentro de uma sociedade machista e patriarcal quem é que manda, quem é que obedece. Tem a ver com reiterar as posições de dominação do homem, de subordinação da mulher ou de quem deve se colocar na posição da mulher — inferior por natureza segundo o colóquio patriarcal: de reforçar a todo instante que é da natureza do homem ser agressivo, agente penetrador, que precisa mostrar quem é que a possui a vara, a arma, a espada (nomes que se dão ao pênis, todos usados em guerras, lutas, feitos para ferir, para dominar, para acabar com o oponente), quem é que está no comando e quem precisa obedecer.

           Haja vista que homens são estuprados por exemplo em presídios, mesmo se reivindicando homens e héteros. Haja vista que em países em que mulheres escondem quase que totalmente o corpo, por exemplo fazendo uso de burcas, continuam tendo números assustadores de estupros diários.

           Estupradores são projetos de uma sociedade confabulada para permitir e naturalizar o poder e o status quo masculino-agressivo, que deve sempre se sobrepor a qualquer outro. A incentivar que homens disponham do maior número possível de parceiras sexuais, que comecem suas vidas sexuais muito precocemente a fim de se transformarem em “garanhões”, “fodedores”. E se compulsórios, tanto melhor.

           A sociedade diz que os homens devem transar com todas as mulheres, independente de se atraírem ou não por elas, a fim de provarem a masculinidade, evidente que chega-se aqui a um ocaso: transe com TODAS as mulheres, mesmo que alguma não queira, refute, diga não. E quando descobre-se a que não quer transar com ele, também faz parte da rede de imposições dessa sociedade que ele “conquiste” essa mulher: mulher não tem o direito de negar nada ao homem, pelo contrário, é tratada como objeto que deve sempre estar ao bel prazer masculino. As mulheres, vistas como troféus dentro de uma disputa onde se questiona o tempo todo quem “comeu” mais mulheres, e quem vai “comer” a mulher da vez, tornam-se troféus um pouco mais cobiçados quando negam às investidas masculinas.

          E se o troféu for muito dificultoso, tome-o à força: diz a cultura pornográfica criada para homens em filmes, literaturas, na roda de amigos, permeando o universo masculino, o mesmo que muitas vezes diz que é fantasia de toda mulher ser estuprada. Logo, não há problema se tiver que empreender de alguma violência para conquistar o troféu, afinal, a sociedade diz o tempo todo que a violência é comportamento que todo homem deve possuir. Estimulada desde a infância, com seus brinquedos para matar, atirar, soldados que vão para a guerra, armas de todos os tipos, tanques militares, bonecos que se transformam com mil armaduras e lutam contra tudo e contra todos, super heróis que socam, dão pontapés, atiram, chacinam; enquanto as meninas são estimuladas a serem passivas, à espera do marido ideal ou do príncipe que chegará no cavalo branco para salvá-las de… toda violência do mundo, nas brincadeiras de mamãezinha, fazendo comidinha, cuidando das bonequinhas que arrotam, que choram, que sorriem, que soluçam (…)

- Daniela Andrade. 

Um comentário:

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Extremamente interessante seu texto, pois é verdade que o machismo em suas diversas formas continua diariamente a violentar as mulheres.Falar em machismo, até um animal é macho,mas ser um homem com H maiúsculo é bem diferente.Infelizmente, na nossa sociedade o machismo mesmo que mais velado existe.Parabéns pelo seu texto, bem reflexivo. Abraço!