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Amor antigo.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014.
         E ela me procura, sem saber ao certo o objeto de sua busca, seu coração anseia se lembrar do contorno do meu rosto, e de, pelo menos, um dos nomes, entre os mil que eu já tive em vidas passadas, vidas essas nas quais sempre nos reencontramos.

        Sua alma de mulher grita para dissolver a amnésia provocada pelo fenômeno do renascimento, algo dentro dela lhe diz que precisa lembrar-se, para que, desse modo, seus lábios possam novamente enunciar as palavras sagradas que o Amor inspira.

        As juras, que ficaram gravadas no corpo secular das árvores, esperam para ser novamente repetidas, e a esfinge do mistério da existência humana aguarda-nos, com o intuito de que decifremos seus enigmas, sob o fogo eloquente do nosso amor imortal.

        Numa de nossas encarnações, ela salvou-me, ao encontrar-me desmaiado no campo, atravessado por uma flecha. Em uma outra, me assistiu em um festival de combates medieval, onde caí por terra, derrubado por um inimigo, que se fazia na verdade de meu amigo. A religião dela proibia a sua presença naquele lugar, seu amor por mim a impelia a desobedecer a tudo e a todos, o mais importante era estar ali e observar o que comigo ocorria.

        Chegamos até a ter um filho, mas, em razão de nosso amor ser proibido, tiraram a criança dos nossos braços. E parece que sempre foi assim, neste mar de séculos  de nossas encarnações passadas. Nos encontramos num instante para, logo depois, nos desencontrarmos.
         
        Um dia, em que ela estava lendo uma de minhas poesias, uma força interior fê-la lembrar-se de algo, e, conforme os minutos passavam, e ela mais me lia, mais a sua alma rompia  o véu do esquecimento, e, então, ela lembrou-se de  nosso amor atribulado, em mente, coração e espírito.
        
        Agora, em algum lugar deste nosso planeta, ouço o seu canto de sereia a chamar-me à sua presença. Todo o meu ser estremece ao relembrar as notas antigas e saudosas desse seu cantar lírico. Eu irei ao seu encontro, conduzido pela bússola do meu coração, atravessarei mares e montanhas, se for necessário, para revê-la, com o objetivo de tê-la novamente e, dessa vez, definitivamente ao meu lado.
        
        Oh, doce e sábia Afrodite, Deusa antiga e Sagrada daqueles que se amam e se desejam tão fervorosamente, dai-me a tua luz! Mãe milenar, ajuda-me, com o teu Ser luminoso, a achar em meio às brumas do tempo essa minha alma gêmea que, assim como eu, anseia unir-se a mim, para que, através dessa união, não sejamos mais dois, e sim UM só, pelos séculos dos séculos.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

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