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A filha do Grande Espírito

segunda-feira, 28 de abril de 2014.
        Meu espírito corre pelos campos verdejantes da liberdade. Ele bebe avidamente das águas sagradas do útero de Pachamama. Este não conhece as correntes dos cães sarnentos que cultuam o falo.

        A chuva cai sagradamente sob a minha cabeça abençoando-me, e escorre pelo meu corpo de mulher selvagem até a terra que lhe aguarda. O chão da terra também é abençoado pelo toque divino das águas que vindas do céu, a fertilizam com o intuito de que dê seus frutos benfazejos.

        O cheiro do barro molhado sobe graciosamente as minhas narinas, e tal odor me é absolutamente agradável, ele faz com que meu espírito feminino dance com toda a natureza.

        Correndo por entre as árvores sentindo o chão ainda molhado aos meus pés, vislumbro os espíritos bem–aventurados da mata. Fadas e gnomos brincam entre si em meio aos arbustos, enquanto sátiros namoram hamadríades ao som de flautas e de pequenos tambores.

        Meus cabelos negros estão soltos, e esvoaçam ao toque do vento. Ouço se levantar da terra vozes antigas, elas pertencem às espíritos matriarcais, a Deusas da natureza. Tais deidades pagãs se dirigem a mim, chamando-me de filha amada, enquanto me entrego a essa corrida que me levará de volta para casa.

        Ouço o barulho poderoso de cascos que se chocam contra a terra, parecendo me acompanhar nesta corrida em meio a grande floresta. Imediatamente meu coração místico reconhece a presença daquele que corre ao meu lado. Este é o Antigo assim como o Grande Cernunnos, meu amado Pai, Senhor de todos os seres silvestres. Protetor e guardião da minha alma eterna.

        O sol caminha em direção ao seu ocaso dirigindo-se lentamente ao abraço magnânimo às montanhas, e eu a cada passo largo que empreendo neste meu correr vertiginoso, me aproximo do seio da tribo dos meus pais, que esperam por mim. Àquela que ensinaram a ser tão senhora de si, como o Grande Espírito em seu dançar criador e recriador nos abismos elevados do firmamento e nos abismos profundíssimos de toda a terra.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

1 Comentário:

Honny e Gio. disse...

Viemos não só agradecer seus comentários, sempre tão bonitos, em nosso espaço, como também elogiar o seu. Fortes e lindas palavras aqui!

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