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Aos extremos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014.
        Os dois estudavam Rousseau.
"...numa palavra, enquanto se dedicaram às obras que podiam ser feitas individualmente, às artes que não necessitavam de numerosas mãos, viveram livres, sãos, bons e felizes, tanto quanto o podiam ser por sua natureza, e continuaram a desfrutar entre si de um comércio independente; mas desde o instante em que um homem teve precisão de ajuda de outrem, desde que percebeu ser conveniente para um só ter provisões para dois, a igualdade desapareceu, introduziu-se a propriedade, o trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas se mudaram em campos risonhos que passaram a ser regados com o suor dos homens, e nos quais logo se viu a escravidão e se viu a miséria germinar e crescer com as colheitas"

- Olha pra baixo o suor no obelisco...
- Sei, sei, está reto, retíssimo, pronto pra regar.
- O que você tem a fazer?
- Prefiro dar um apertão em outro lugar.
- Ah, você quer apertar a minha nádega?
- Bem, não....sim, sim, é isso.
- Vai com cuidado que a terra é de todos.

        "O primeiro que, cercando um terreno, se lembrou de dizer: ‘Isto me pertence’, e encontrou criaturas suficientemente simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Que de crimes e guerras, de assassinatos, que de misérias e horrores teria poupado ao gênero humano aquele que, desarraigando as estacas ou atulhando o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: Guardai-vos de escutar este impostor! Estais perdidos se vos esqueceis de que os frutos a todos pertencem e que a terra não é de ninguém"....

- Eu não deixo. Prometo. Só quero seu orifício de mistérios feito.
- Diacho. Deixa eu baixar a calcinha.
- É sua primeira vez?
- Claro. Não vê que é rosado e virgem?
- Mas empina bem, tá? Fica de quatro patas.

        "Recebi seu novo livro contra a raça humana" – diz Voltaire – "e agradeço-lhe por isso. Nunca se empregou tanta inteligência com o fim de nos tornar a todos estúpidos. Lendo-se seu livro, tem-se vontade de andar de quatro patas. Mas como já perdi esse hábito há mais de sessenta anos, vejo-me, infelizmente, na impossibilidade de readquiri-lo. Tampouco posso dedicar-me à busca dos selvagens no Canadá, porque as doenças a que estou condenado me tornam necessário um médico europeu; porque a guerra continua nessas regiões; e porque o exemplo de nossas ações tornou os selvagens quase tão maus quanto nós....”

- Empinar o quê? Não sou pipa, não.
- Tá. Não empina, mas posso girar os dedos dentro?

        "Vejo-o saciando-se sob um carvalho, dessedentando-se num ribeiro, deitando-se ao pé da mesma árvore que lhe forneceu o alimento; e eis com isto suas necessidades satisfeitas"

- Se é assim......- Mas pensou: “um rabão destes, mesmo cagado, deve ser gostoso”.- Então, enfia você.
- Mas...acho que...vamos acabar com isso. Somos desiguais...

        “Rousseau distingue duas espécies de desigualdade: uma, que chamo natural ou física, porque foi estabelecida pela Natureza, e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças corporais e das qualidades do espírito ou da alma; outra, a que se pode chamar de desigualdade moral ou política, pois que depende de uma espécie de convenção e foi estabelecida, ou ao menos autorizada, pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios desfrutados por alguns em prejuízo dos demais, como o de serem mais ricos, mais respeitados, mais poderosos que estes, ou mesmo mais obedecidos"

- Não somos desiguais. E tem mais. Já lhe dei tanta alfafa, que você tem de me dar alguma compensação.

        Ela enfia as duas unhas da pata, contorcendo-se de gozo.
Quando fica piscando pela própria natureza, ele lhe enfia o membro milimétrico. Ela se apoia com firmeza no curral. Seus olhos reviram. Ele cospe pra ajudar o buraco negro a devorar luzes de gozo. Ela ofega, enquanto seu orifício espreme o rabanete do outro, num esforço de nascimento vegetal. Não percebem o padre que chega pra extrema-unção.   Porta um machado, onde o sangue de cordeiros sacrificados respinga e ferve no capim seco.

- NATANAEL GOMES DE ALENCAR. 

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