sábado, 23 de agosto de 2014

A tua espera

      E agora tu me esperas com a alma em chamas e com teu corpo silente sob a penumbra do desejo. Olhando pela janela, através da cortina entreaberta, teus olhos de predadora me buscam tendo o auxílio da luz do dia, luz que somente não é capaz de revelar as sombras que carregamos na alma.

        E agora tu me gritas, não usando a voz que procede de tua boca, mas, aquela que sai das entranhas do teu útero sangue-sagrado. Tu contas às horas que em câmera lenta passam pelos ponteiros cruéis do relógio, então, te sentes afundar na areia movediça do tempo. Teus lábios nesses momentos não precisam proferir meu nome, pois, mesmo emudecidos, são as sombras dos meus beijos que estão implacavelmente tatuadas neles.

        A tua espera pode ser demorada, no entanto, sabes que ela nunca será vã, pois, teu coração tem o conhecimento que em algum momento chegarei, então, serei teu de uma forma única, como em dias anteriores eu não consegui ser, e assim será amanhã, e tal coisa se repetirá dia após dia, até as nossas vidas secarem como os galhos das árvores o fazem sob o frio rígido do inverno.

        A tua espera é a de uma deusa pagã em teu santuário de lascividade que é o nosso quarto, e eu sou o teu fiel seguidor que viciado em copular ardorosamente contigo, te presto de forma sincera o meu culto, o culto morte-orgasmo da carne.

        Quando estou em teus braços, a espera se torna então minha, pois, estando dentro de ti arremetendo os meus ardores, aguardo ansiosamente, o momento de gozares de puro prazer, levada pelo implacável fustigo da minha viril-lança-fálica.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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