quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A cor da paixão

      Esperando-me, olhando através da janela, eis a minha amada, seus olhos buscam-me cintilando o ardor que há em sua alma. Esta mulher que tanto me deseja tem o seu coração a bater vulcanicamente, seu corpo pede a presença do meu dentro de si, sua pele invoca o toque da minha nela. Sou sem dúvida o objeto dos seus quereres mais vertiginosos.

        No entanto, eu também a quero, sonho com sua beleza com meus olhos abertos, sinto seu cheiro que exala o puro perfume de margaridas mesmo ela estando ausente. A memória do calor do seu corpo está retida em minha mente de forma definitiva.

        Quero que esse trem chegue logo na estação, desejo desembarcar para correr logo na direção do lar da minha amada, e colher do jardim dos seus beijos as flores mais preciosas do puro êxtase. Sôfrego eu estou em sentir a quentura de sua pele macia, esta que possui a suavidade da mais cara seda. Meu coração também bate fogosamente por esta mulher que está tatuada na essência dos meus dias.

        Eis agora que me aproximo da soleira de sua porta, vejo-a junto à janela a buscar-me com seu olhar apaixonado, então uma alegria como um rio em torrencial corre tomando conta de todo o meu ser.  Só se é feliz assim quando se ama alguém de verdade.

        Quando adentro a casa e subo as escadas para encontra-la em seu quarto, nossos lábios se encontram em um ósculo de natureza visceral, que reflete a saudade cruel sentida por nossas almas uma da outra, mostrando igualmente como nos é doloroso submetermos a distância e o tempo que momentaneamente nos separa.

        Neste instante, apenas vistos pelas paredes do nosso quarto de nossas ânsias sensuais irrefreáveis, nos entregamos aos atos de amor para lá de febris, e que tornam nossas animas tão escarlates quanto a nossa paixão.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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