sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Beleza despida

       Ver-te assim tão simples e tão minha, sem maquilagens e grandes produções, despida das máscaras da estética facial e corporal, apenas levando no corpo e na alma o que tens de mais natural ou seria melhor eu dizer:- Natureza?

        Ver-te assim de cabelos soltos ao vento, este que ao acariciar tuas madeixas louras te namora cinicamente bem diante dos meus olhos. Não, eu não devo ter ciúmes do vento, antes o deixo experimentar a delícia de tocar teu corpo e gozá-lo no esvair de sua passagem por ele.

        Às vezes te querias deste modo, nua de disfarces e crua como uma menina inocente a contemplar o sol de sua própria beleza naturalíssima.

        Como é bonito te ver cantando cantigas antigas, aquelas que mulheres matriarcais entoavam para louvar a terra, celebrar o sangue sagrado que o seu útero mensalmente joga para fora, e cantar os louvores de Sophia, a serpente mística da sabedoria cabalística.

        Fico aos teus pés esperando receber das tuas mãos o fruto vermelho que colhestes da árvore do paraíso e assim, ganhar do conhecimento procedente de ti a respeito do teu bem e do teu mal.

        Anseio emaranhar-me sobre a teia do teu útero e receber a picada da aranha tecelã, aquela que tece a vida e a morte para todos os mortais. Aquela que ensina a alegria de se viver e revela a autentica leveza que se pode encontrar na morte.  

        Ah, como me é jubiloso notar-te assim, menos Eva e mais Lilith as portas do Éden que ficou escondido no seio espiritual da terra.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

Nenhum comentário: