sábado, 27 de setembro de 2014

Um amor perdido em Paris

      Agora estou navegando neste mar bravio de saudades de ti e deste teu amor que era a alegria dos meus dias.  Desaprendi a viver sem tê-la ao meu lado, apenas consigo lembrar a minha vida naquele ponto dela que acabei conhecendo-te.

        As ruas de Paris mesmo cheias de gente pelo simples fato de que não estás a andar nelas comigo, me parecem tão vazias. Seria isto a magia obscura do amor mal resolvido? Ou seria pura ilusão de ótica de um coração partido? Quem poderá responder-me tal pergunta?

        Perdoa-me por não tê-la escutado tanto como eu devia, e ainda por fazê-la sentir-se sozinha mesmo quando eu estava caminhando contigo pelas ruas e avenidas parisienses.

        Desde que arrumastes as tuas malas e entre lágrimas me dissestes adeus, nosso apartamento se tornou um espelho refletindo o meu coração ferido, transformou-se este em um lugar desprovido de luz, alegria e vida.  Até o Sena que fica de frente a ele parece rumorejar em suas águas um triste pranto.

        Tomar vinho tinto ouvindo as nossas canções preferidas de amor sozinho naquela que já foi a nossa alcova de infinitos prazeres, tornou minhas horas possuídas por uma melancolia perturbadora.

        E dia após dia eu anoiteço da mesma forma como costumo amanhecer, crivado por salgadas lágrimas por simplesmente sentir que estou sem minha outra metade, sim meu amor, por sofrer na carne e na alma o peso da tua dolorosa ausência.

        Quem sabe se os anjos da dor que me cercam não se apiedam de minha alma e emprestam-me as suas asas para que eu possa sair voando pelos céus abertos e azuis, podendo com isto, alcançar-te vencendo a distância que te permite ficar tão longe de mim?

         Acabei de tomar uma decisão, invés de morrer afogado pelo mar de lágrimas saído dos meus olhos chorosos por causa da falta que tu me fazes, amanhã farei as minhas malas e deixarei este apartamento de dor e angústia, e tomarei a estrada indo atrás de ti. Tentarei consertar tudo que eu pela minha frieza insensata acabei estragando entre nós.

        A minha rota a seguir será a da paixão a ser recuperada, e minha oração será apenas dirigida aos deuses do amor no intuito de que eles deem-me a graça de alcançar o teu coração uma segunda vez.

        Já é noite e Paris agora somente é iluminada por luzes artificiais, no entanto, torço para que um dia seja o nosso amor romântico, novamente o sol a iluminar sublimemente esta nossa cidade, onde uma vez nós dois fomos tão felizes o tanto quanto nos foi permitido ser.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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