terça-feira, 7 de outubro de 2014

O canto vitorioso de Geia

      Agora encoste a tua cabeça em meu peito e confesse os segredos que residem em tua alma, não te preocupes, pois eles habitarão comigo para sempre.  Que as tuas confidências sejam plantadas como flores raras no jardim encantado da minha anima.
       
        Oh, mulher, eu te conheço desde o princípio do mundo, és a minha musa primeira, sem ti não existe a autentica poesia, teu espírito neolítico habita na morada do meu corpo fazendo dele seu esposo antigo. Abra a boca da tua essência anímica e conte-me daqueles segredos e estórias que apenas tu e a Mãe-Terra sabeis.  Abençoe-me com tua verdade matriarcal.
        
        Eis que homens vestidos de negro veem do oriente, eles trazem consigo o signo da foice da morte e da estrela de sangue, estes odeiam o útero e querem submetê-lo a tirania do pai deles que se chama: patriarcado. O deus que cultuam é tão tirano que apenas se fortalece bebendo do sangue de gente inocente. A terra no mais profundo do seu âmago pranteia por causa destas serpentes demoníacas que tem a forma de uma divindade e seus seguidores.
        
        Mais eis que também vejo com meus olhos comovidos mulheres vestidas de sol se levantar do seio da própria terra e com a força da sua luz sagrada, queimarem reduzindo a pó tais homens homicidas, e estas corajosamente depois de ter dizimado esses cães sarnentos calcam debaixo dos seus pés matriarcais o nome do deus deles varrendo sua essência misógina da face do mundo.
        
        Agora a paz reinará novamente naqueles que são pacíficos de espírito e que amam a Geia com toda a sinceridade dos seus corações. E eu homem, oh, mulher, reinarei também ao teu lado celebrando a união perfeita do leão com a garça e o planeta conhecerá finalmente a glória que existe atrás do véu sagrado de Isis.
       
        Deixe-me ficar contigo em teus palácios de poesia e comer da tua mesa donde provêm os alimentos da vida. Não me negues a graça de consagrar-me ao teu sagrado útero para que eu possa viver constantemente fortalecido pela tua força uterina, e ensine-me a falar a linguagem da Antiga Mãe e assim eu possa me dirigir a ela sem ter o temor de cometer equívocos.
        
        Venha esposa de todo o meu ser revelar-te a mim desnudando-te bem diante dos meus olhos, mostrando-me a serpente sacra que vive enroscada na vara luminosa de tua coluna vertebral.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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