segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Tu és o meu mal necessário

      Tu és o meu mal necessário e fugir de ti seria negar o próprio sentido da vida. Afinal, te tornastes tão importante para mim quanto o simples ato de respirar. Preciso ter-te impregnada em cada centímetro da minha pele, necessito sentir-te percorrendo minha corrente sanguínea.
        
        Pouco importa se estás comigo em um certo instante ou não, pois, mesmo sozinho no meu quarto vejo-te nua como uma mulher-aranha grudada na parede. Se estou preparando um drinque para beber na solidão da minha sala é o teu semblante que enxergo no reflexo do uísque. Minha mente não consegue fugir da tua onipresença.
        
        Há uma hora determinada em que meu corpo sedento pede a presença do teu, desejando beber-te por inteiro, ansiando saciar-se no oásis do teu sexo. Dependência seria o nome certo para explicar esta relação apaixonada que nutro dia após dia não somente com tua carne, mas, sobretudo com a tua alma.
        
        Minha obsessão pela tua essência é tão grande que quando estou contigo na intimidade da alcova, procuro me vestir com a tua nudez que sempre me leva a estupefação.  Negar-me por completo seria negar o mergulho no oceano dos teus cabelos perfumados, no paraíso da maciez de tua pele de pêssego, no calor convidativo dos teus braços e no vulcão tempestivo de tuas coxas vesuvianas.
        
        Sendo desta forma, oh, mulher dos meus doces tormentos, não resisto em ligar-te do meu celular, chamando-te a minha presença, convidando-te a jantar comigo à luz de velas, regado de um excelente vinho da mais antiga safra. E depois tentar ainda seduzir-te, levando-te pela milésima vez para o branco embevecedor dos nossos lençóis macios, com o intuito de nos entregarmos à magia dionisíaca de um coito selvagem e extremamente apaixonado.
       
        Oh, também te digo que tu és um bem necessário a mim, um unguento sublime para curar-me das chagas do desamor e de um anacoretismo inútil e frio. Tu, decididamente, me impedes de ser uma ilha em um arquipélago triste e solitário que existe em algum ponto esquecido do mundo.
      
        Entregar-me a teu amor é como lambuzar-me no mel doce e restaurador da vida. Por isto, e por tudo que acabei de falar-te, é que aproveito os milésimos de instante em que fico contigo, porque a cada encontro marcado tudo se fará inédito, totalmente diferente do que um dia já foi.
       
        A cada orgasmo que faço jorrar em teu interior, deixo um pouco de mim em ti; por um outro lado, descanso em teu seio como uma criança repousa inerte no colo consolador de sua amada mãe.

 - ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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