quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Os orgasmos de Salomé

         Como uma Salomé dos nossos dias, tu tentas seduzir-me com tua dança de essência libidinosa.  Queres mexer com meu juízo e abalar com todas as minhas estruturas. Teu corpo é a carta marcada para dar-te a vitória sobre mim dentro deste teu jogo de sedução.  E agora eu pergunto-te: - Como poderei resistir-te quando resolveres lançar a tua mão sobre tal carta?
        
        Meu coração como um rio fiel corre obediente para o mar frondoso de tuas tentações sensuais, meus ouvidos como se fossem teus subordinados amantes; abrem-se totalmente para ouvir o som do teu canto hipnotizante de sereia.
        
        Ao ouvir esse canto, todo o meu ser se rejubila, então, não a outra coisa a fazer do que me submeter aos teus doces caprichos.  Meus lábios desta feita tornam-se teus, para que apliques sobre as suas carnes macias os beijos procedentes de ti.  Minha pele é tomada por tuas mãos, que passeiam sobre sua superfície, causando-me uma deliciosa sensação que chega a levar-me a um estado de êxtase.
       
         Nestes momentos de doce luxúria, perco totalmente as minhas resistências físicas e emocionais, e resolvo entregar-me a ti de corpo e alma. Desavergonhadamente eu me faço teu, só teu, ansiando a experimentar o encantador delírio de sentir as delícias que apenas teus braços podem me proporcionar.  Oh, querida, também não me envergonho de reconhecer que nestas horas de sublime loucura escarlate, eu busco desenfreadamente o calor lilithidiano que arde no interior do teu gostoso ventre.
        
        Em poucas palavras digo-te que me torno escravo de tuas seduções quando assim me encontro rendido a ti, e nossa cama se transforma no altar profano das nossas fantasias pagãs-carne-orgásticas.
        
        No ápice do nosso coito que guarda em si a essência de um Dionísio enlouquecido, chegamos juntos a explosão colossal de um orgasmo que ocorre no mais profundo do nosso ser. Satisfeitos em ter gozado as delícias do amor-erotizado de uma forma tão plena, descansamos abraçados sentindo-nos os mais realizados dos mortais.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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