terça-feira, 7 de abril de 2015

Amo-te por seres mulher

     Amo-te por seres mulher, seja em teu aspecto profano como sagrado, sim, eu te amo.  Teu corpo que considero sacrário vivo da Deusa e do Deus, o venero e o desejo acima das minhas forças.  Ah, digo-te que este me é uma ponte que me religa ao transcendental.  Verdadeiramente a tua carne é o meu autêntico “RELIGARE”.

     Quando estou dentro de ti, o teu útero me energiza, aparentemente sou eu que te preencho, porém, na verdade é que és tu que me plenifica totalmente. Afinal, a mulher não necessita do homem e nem de ninguém para se sentir inteira e indubitavelmente realizada. Ela precisa apenas de si própria. A mulher a si mesma se basta!

     Ah, delicia-me este teu suor que escorre de tua pele, o sal dele verte beleza e sensualidade, salgando a minha boca, fazendo sentir em meu paladar, o sabor do êxtase.

     Gosto também de trafegar com o veículo das minhas mãos pela maciez desta tua cútis, sentir nas pontas dos meus dedos a sua sedosidade, perceber nas palmas das minhas mãos o calor que procede dela, entender o vulcão que tu és.

     É bom ficar aqui contigo, na verdade é aprazível estar te fazendo companhia em todo e qualquer lugar, aproveitar a dádiva de degustá-la devagarzinho com meu apetite sensual leonino.  Sabe, tu me causa a febre de querer viver e reviver a todo o momento, a paixão que dia a dia me consome; esta que sinto por ti e que jamais poderia sentir por outra mulher.

     Anjo escarlate da minha alma ferida, ferimento nela que se abriu pela tua flecha de amor, oh, cupido de asas esvoaçantes, filha sublime de Afrodite.

     Agora que me tocastes desta forma tão profundamente, entrego-me em tuas mãos, sorrindo, arfando de imenso e puro prazer.

     Seja sob a relva debaixo do céu aberto ou em cima da nossa cama assistidos pelos dosséis mudos que a encimam, meu espírito é exaltado, eis que todo o meu corpo é abençoado, por este se entrelaçar misturando-se com o teu, numa entrega de um gostar libidinoso, tão quente, que faria o Vesúvio no dia que destruiu Pompéia, ser comparado a um gélido iceberg.

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS       

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