quarta-feira, 22 de abril de 2015

O sagrado "ser" chamado "Mulher"


         Sou toda sagrada e pertenço apenas a mim mesma, sou uma leoa com a alma de uma pantera. Venha a mim sacerdotes e sacerdotisas de Dionísio, dai-me de beber do sangue extasiático dele, pois, apenas o sangue de um deus pode purificar-me de todo malévolo egoísmo.

         Concedei-me a graça, oh, ditosos filhos e filhas da realeza divinal, a beber do vinho enlouquecedor do Grande Pai, do elevado Senhor das alegrias dionisíacas.  Levai-me a abençoar a terra com o toque do meu corpo desnudo sobre ela, para que do seu seio sacro nasça os frutos do sustento da vida.

         Dancemos em volta da árvore de Gaia, formando uma enorme ciranda mágica, lembrando-se dos ciclos intermináveis de nascimento, vida, morte e ressurgimento que regem toda a natureza.  Permitamos assim, que a Antiga e Grande Mãe, cante e dance os seus mistérios através dos nossos corpos pagãos.

         Todavia, eu sei que o maior mistério é o da existência do “SAGRADO FEMININO” no interior da minha alma de filha da lua. Sim, fui gerada dentro do útero mágico e sacro da Sagradíssima Deusa Branca.

         Digo-te agora, oh, homem dos meus sonhos, que sou toda profana também, assemelho-me a uma loba selvagem em sua plena liberdade de espírito, mas, igualmente pareço-me com uma serpente em sua secular e xamânica sabedoria.

         Céus e terras passarão, menos, a imortalidade da minha matriarcalidade humana e divina.  O veneno da testosterona do monoteísmo certamente passará, menos, a força da luz bem-aventurada procedente do altar do meu útero. Está mesma luz iluminará para sempre, o caminho difícil que todos os homens e mulheres têm de trilhar, sob a face da terra.

 -ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS               

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