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Corpos tatuados e almas marcadas por cicatrizes

quinta-feira, 7 de maio de 2015.
          Ei, garota, nós somos mais que isso, a nossa liberdade de pensar é algo que nos pertence por direito.  Não vamos dar o braço a torcer pelo sistema, ele é apenas um organismo vivo que deseja nos cooptar.

         Além do mais, eu gosto do sabor cítrico do teu beijo, me amarro no calor obsceno do teu abraço, me fascino à toa por esta tua mania de apegar-se a mim, às vezes, com desespero.  Acredite, meu bem, o mundo não vai acabar nem hoje e muito menos amanhã, os profetas do apocalipse são um bando de palhaços com a cara mal pintada, desejando fazer das nossas vidas um circo sem graça.

         O meu metiê é o de ser poeta, trabalhar aquelas palavras que estão guardadas no baú, ora escuro, ora, luminoso, do meu coração.  Vivo fazendo pose de homem do século vinte e um, mas, na verdade, oh, minha donzela, eu não passo de um belo anjo arcaico, tão antigo quanto às cavernas neolíticas.

         Têm gente que acredita no surgimento de uma “nova ordem mundial”, e quando tu ouves estas coisas, percebo que franzes a tua testa; da minha parte, não sei no que crer, apenas, eu sinto um sentimento de fé eterna em nosso amor, oh, minha menina doce, ah, sim, também para sempre hei de acreditar em Elvis e nos Beatles.

         Nunca tente esconder as tuas tatuagens, elas dizem quem tu és de verdade, também não camufles as tuas cicatrizes, pois, elas, refletem toda a dor da tua alma.  Se há uma coisa que não desejo fazer jamais, é carregar comigo o medo de amar, isto porque nunca entendi uma vida despida da luz fulgurante do amor.

         Os jornais só falam agora de uma epidemia letal transmitida pela picada de uma determinada espécie de mosquito; a morte é assim mesma, pode visitar-nos travestida do que bem quiser, ela é a flecha certeira que um dia há de nos atingir bem no meio do nosso calcanhar de Aquiles.

         Porém, enquanto esta não nos chega, vamos juntos viajar para o litoral, pegar uma praia, e, deitados em uma rede fixada em dois pés de coqueiros, façamos sexo do bom, em demasia, até que as nossos espíritos sintam vontade de saltar para fora dos nossos corpos.  

  -ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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