terça-feira, 30 de junho de 2015

Amor lunar

         Quando deitas o teu corpo sob o meu, sinto-me enfeitiçado pela magia do teu amor lunar.  E quando fico embriagado por este teu poder, me sinto levado a amar-te com a fúria de um deus selvagem.

         Não posso negar-te o meu corpo, pois, este nestes momentos de luxúria dulcíssima, torna-se teu fruto degustável, cultivado para o teu bel-prazer.  Por outro lado, a minha alegria é santa, ao sentir-me devorado esfomeadamente por esta tua boca rubra, carnuda, boca de uma deusa desejável.

         Dos pés a cabeça, eu posso esbaldar-me sendo tocado por esta tua língua libidinosa, hábil em percorrer os atalhos e corredores mais ocultos da minha carne.  Um dilúvio portentoso de um grande prazer e terna agonia caem sobre mim, lavando-me tanto por dentro como por fora.  Desta forma, sinto-me tão iluminado como um sacrossanto monge budista que está a meditar no interior de um mosteiro.

         Totus tuus, totus tuus, sim, sou todo teu, sendo deste modo, faça sempre de mim um objeto subserviente da tua caliente vontade, esta, que vive reinante em ti.  Meu contentamento reside em saber que tanto eu como tu, aprendemos bem cedo, oh, mulher dos meus sonhos, que o desejar sensual dos sentidos nunca deve ser refreado.

         O teu querer por mim me é como uma luz consoladora que não permite com que eu viva nas trevas da tristeza e solidão, com certeza tua presença em meu existir me funciona como uma verdadeira overdose de puríssimo júbilo.

         Tu és a sagrada árvore do bem e do mal plantada no jardim cárneo celestial da minha alma.

-ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

Nenhum comentário: