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Amor abandonado

segunda-feira, 31 de agosto de 2015.
         Eu te espero ainda dentro da nossa casa abandonada, ela que foi despida da tua presença mágica, marcante.  Os seus cômodos carregam presos em suas paredes o fantasma do nosso amor imortal.  As cenas dos nossos atos de paixão parecem se refletir nos objetos dessa casa, que foi um dia o nosso ninho de devaneios sensuais.

        Onde tu deves estar agora? Será que pensas muito em mim como fazias nos dias de outrora, quando teu amor pelo homem que eu sou era algo forte, um sentimento que te dominava completamente?

         Abandonaste-me, levada não por tua vontade, mas, pelo querer de almas mergulhadas nas trevas, corvos com espírito de abutre, que sempre acharam que sabiam o que era melhor para ti.  Mas, tais hipócritas, apenas estavam interessados em defender seus dogmas cheios de uma religiosidade cancerígena, assim, como empunhar a bandeira dos seus princípios de cães tuberculosos.

         Deste as costas ao nosso amor e quase me feriste de morte, me mandaste com passagem só de ida para as praias desoladas da solidão.  Tu destruíste o altar sagrado de Afrodite, a deusa do amor, altar este onde juramos contrair uma união perfeita e indestrutível. 

         Viajaste a Masdar, aprisionada pelos lacaios do desamor com o objetivo de me esquecer para sempre.  Nunca mais te vi dançar a coreografia sagrada da deusa lunar, nunca mais meus olhos contemplaram a descida dos sete véus; levados pelos seus graciosos movimentos corporais.

         Agora, eu continuo no interior desta que um dia foi a nossa casa matrimonial, percebo que ela foi transpassada pelas trepadeiras verdes do tempo.  Sinto que é Eros, muito triste, que hoje caminha comigo pelos seus espaços vazios; até ele, o cupido supremo do amor, sente a falta de nós.

         Lembras da poesia de amor que escreveste para mim no dia que foste embora? Saiba, eu a trago escrita em fogo, no papiro carmim do meu coração.

 -ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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